Trump deu aval direto para entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA, diz emissora

A emissora americana CNN noticiou nesta terça-feira, 27 de outubro, que a entrada do senador Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos contou com aval direto do presidente Donald Trump. Segundo informações confirmadas por assessores do presidente ouvidos pela reportagem, autoridades americanas já tinham conhecimento da ordem judicial emitida pelo ministro Alexandre de Moraes desde a segunda-feira, mas decidiram prosseguir com a autorização de entrada. O caso ganha agora contornos diplomáticos que ultrapassam a esfera jurídica interna do Brasil.
Vistos emitidos pelo Departamento de Estado
Um funcionário do Departamento de Estado confirmou à imprensa americana que o órgão estava providenciando os vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares. “O Departamento de Estado emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá sua entrada nos Estados Unidos”, declarou a fonte. A informação indica que a entrada não foi uma travessia clandestina, mas sim um processo formal — o que levanta questões sobre como dois governos lidam com situações em que um cidadão enfrenta ordens judiciais em seu país de origem.
Chegada confirmada, mas local ainda não identificado
A CNN confirma que o senador chegou ao território norte-americano na tarde desta terça-feira, porém não foi possível identificar a cidade de desembarque. Fontes ligadas à Polícia Federal confirmaram à Gazeta do Povo que a viagem ocorreu e apontam Miami, na Flórida, como destino provável. Segundo essas informações, ele viajava acompanhado da esposa e das duas filhas. Até o momento, porém, não houve confirmação oficial nem da embaixada dos Estados Unidos nem do governo brasileiro sobre os detalhes da viagem.
Ordem judicial brasileira não foi cumprida
O ministro Alexandre de Moraes havia determinado que Flávio entregasse seu passaporte comum e diplomático à Polícia Federal até às 11h desta terça-feira. Como a determinação não foi cumprida, os documentos foram cancelados. A informação de que ele teria usado um documento diferente — possivelmente um passaporte italiano, dado que possui cidadania daquele país — é um dos pontos que as autoridades brasileiras buscam esclarecer. Se utilizou documento de outro país para contornar uma ordem judicial brasileira, novas questões jurídicas poderão surgir.
Negativa anterior de intenção de sair
Chama atenção o fato de que, logo após a publicação da ordem judicial na segunda-feira, Flávio Bolsonaro havia divulgado um comunicado oficial por meio de sua assessoria afirmando que não pretendia deixar o Brasil. A declaração pública contrasta com a informação de que a viagem teria ocorrido já na noite seguinte. Essa divergência entre o que foi dito publicamente e o que de fato aconteceu é um dos elementos que deverá ser considerado nas próximas etapas das investigações.
Caso mistura direito interno e relações internacionais
O episódio coloca em cena uma questão delicada: como conciliar a soberania de cada país com as decisões judiciais emitidas por outro governo? Os Estados Unidos têm autonomia para decidir quem entra em seu território, mas isso não anula as obrigações que cada cidadão tem perante a Justiça de seu país. Que os próximos dias tragam esclarecimentos oficiais de ambos os lados, permitindo que a opinião pública compreenda com clareza os limites e as regras que regem essas situações.





