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Trump fala em “aniquilação”, mas horas depois anuncia avanço em conversa com Irã

EUA tiveram reunião “muito boa” com Irã, diz Trump após fala de aniquilação

EUA tiveram reunião “muito boa” com representantes do Irã nesta terça-feira (22), segundo o presidente americano Donald Trump, em uma tentativa de abrir espaço para negociações apesar do conflito entre Washington e Teerã. A conversa teria durado aproximadamente três horas e ocorrido à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Trump revelou a reunião enquanto estava ao lado do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e afirmou que os contatos foram produtivos, embora não tenha detalhado quais compromissos concretos foram alcançados. A informação chama atenção principalmente pelo contraste com o tom adotado pelo presidente americano poucas horas antes no púlpito da ONU, quando colocou diante do Irã duas alternativas radicalmente diferentes: chegar a um entendimento com Washington ou enfrentar uma escalada militar devastadora. Assim, diplomacia e ameaça militar apareceram no mesmo dia como partes da estratégia americana para pressionar o governo iraniano.

EUA tiveram reunião “muito boa” enquanto Trump pressiona por acordo

Segundo Trump, integrantes de sua administração conversaram durante aproximadamente três horas com representantes iranianos. Questionado sobre a presença do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner, genro e assessor do presidente, Trump não rejeitou a informação e indicou que ambos estiveram envolvidos nos contatos. Posteriormente, a Reuters informou que Witkoff e Kushner participaram de uma conversa descrita pelo presidente como “muito boa”. Trump também afirmou que uma nova rodada está prevista para um futuro próximo. Entretanto, detalhes sobre os temas discutidos, propostas colocadas sobre a mesa ou compromissos assumidos não foram divulgados integralmente. Antes desses contatos, o secretário de Estado Marco Rubio havia afirmado que Washington estava aberto a conversar com representantes iranianos caso existisse perspectiva de avanço. Naquele momento, Rubio dizia que nenhum encontro estava formalmente agendado.

Trump fala em “aniquilação” horas antes de negociação com iranianos

O encontro ocorreu depois de um discurso significativamente mais agressivo de Trump diante da Assembleia Geral. Ao tratar do conflito com o Irã, o presidente americano afirmou que precisaria decidir entre alcançar um acordo que permitisse ao país reconstruir sua economia e sociedade ou intensificar a ofensiva contra a República Islâmica. Trump chegou a utilizar o termo “aniquilar” ao descrever a segunda possibilidade e condicionou uma solução negociada, entre outros pontos, à impossibilidade de Teerã desenvolver armas nucleares. Além disso, o republicano previu que um acordo poderia surgir depois das eleições legislativas americanas de 3 de novembro. Portanto, embora a reunião em Nova York demonstre que os canais diplomáticos permanecem ativos, ela ocorreu sob forte pressão militar e econômica. As declarações de Trump foram posteriormente criticadas pelas Forças Armadas iranianas, que classificaram parte da retórica americana como propaganda política.

Irã chegou a Nova York autorizado a negociar uma saída diplomática

Do lado iraniano, já havia sinais de interesse em explorar uma negociação durante a Assembleia Geral. Antes dos encontros desta terça-feira, um alto funcionário do país informou à Reuters que a delegação enviada a Nova York possuía autorização para buscar a retomada da diplomacia com os Estados Unidos. Entre as questões centrais estava o Estreito de Ormuz, passagem fundamental para o transporte internacional de petróleo e gás. Segundo a autoridade iraniana, Teerã estaria disposto a reabrir completamente a rota em até sete dias caso Washington reduzisse a pressão militar e suspendesse o bloqueio imposto aos portos iranianos. Além disso, o governo iraniano afirmou ter encaminhado anteriormente, por intermediários, uma proposta para encerrar as hostilidades. Dessa forma, apesar das ameaças públicas de ambos os lados, a Assembleia da ONU passou a funcionar como uma oportunidade para testar condições de negociação sem exigir inicialmente um encontro direto entre Trump e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian.

Programa nuclear permanece no centro das exigências dos Estados Unidos

Entretanto, qualquer entendimento enfrenta obstáculos importantes. Para Washington, uma das principais condições continua sendo impedir que o Irã adquira uma arma nuclear. Rubio declarou nesta terça-feira que esse permanece como objetivo central dos Estados Unidos em qualquer diálogo com Teerã. Trump repetiu posição semelhante depois de suas reuniões em Nova York, afirmando que acredita na possibilidade de um acordo, mas insistindo que o governo iraniano não poderá possuir armamento nuclear. A questão atravessa anos de tensão entre o Irã e países ocidentais e ganhou uma dimensão ainda maior após a escalada militar iniciada em fevereiro de 2026. Ao mesmo tempo, Teerã condiciona avanços diplomáticos a mudanças na pressão militar e econômica exercida pelos Estados Unidos. Portanto, a descrição otimista feita por Trump sobre a reunião não significa que um acordo esteja concluído. Ela indica, sobretudo, que as duas partes voltaram a testar diretamente as possibilidades de negociação.

Negociação entre EUA e Irã pode afetar petróleo e segurança internacional

Além das consequências militares, uma eventual redução das tensões pode produzir efeitos importantes sobre a economia mundial. O conflito alterou a circulação de petróleo pelo Estreito de Ormuz, por onde passava aproximadamente um quinto da oferta global antes da guerra iniciada no fim de fevereiro. Nesta terça-feira, os preços internacionais do petróleo reagiram tanto às expectativas diplomáticas quanto à retomada de fluxos sauditas por rotas alternativas. O Brent encerrou a sessão a US$ 99,25 por barril, enquanto o petróleo americano WTI terminou próximo de US$ 95. Dessa maneira, qualquer avanço ou fracasso das negociações entre Washington e Teerã pode atingir não apenas os países diretamente envolvidos, mas também preços de combustíveis, inflação e cadeias de transporte em diversas regiões. Por isso, os contatos realizados durante a Assembleia da ONU estão sendo acompanhados também pelos mercados financeiros e pelos governos que dependem do comércio energético através do Oriente Médio.

EUA tiveram reunião “muito boa”, mas resultado ainda permanece em aberto

Por fim, o anúncio de que os EUA tiveram reunião “muito boa” com representantes iranianos mostra que, mesmo depois de meses de confrontos e de uma ameaça extremamente dura feita por Trump diante da ONU, os canais diplomáticos não foram encerrados. O presidente americano demonstrou otimismo e afirmou acreditar que algum tipo de entendimento poderá ser alcançado, enquanto representantes iranianos também sinalizaram disposição para negociar sob determinadas condições. Entretanto, até agora não foi divulgado um acordo formal, um cessar-fogo abrangente ou um cronograma detalhado para encerrar o conflito. O que existe é a perspectiva de novas conversas em breve. Assim, a Assembleia Geral produz um cenário aparentemente contraditório: no mesmo dia em que Trump ameaçou intensificar drasticamente a pressão contra o Irã, integrantes de seu governo passaram horas negociando com a delegação de Teerã. Se essa combinação de pressão e diálogo resultará em um acordo dependerá das próximas rodadas e das concessões que ambos os lados estiverem dispostos a fazer.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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