Vieira pede que Zanin reavalie instalação da CPI sobre Moraes, Toffoli e Vorcaro

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) manteve encontro nesta segunda-feira (28) com o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de pedir a reconsideração da decisão que negou a instalação imediata da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) voltada a apurar os desdobramentos do caso do Banco Master. Conforme informou a assessoria parlamentar, o magistrado sinalizou que pretende reexaminar o assunto em breve, trazendo nova perspectiva para um dos debates mais acompanhados no cenário político nacional.
A solicitação de criação da comissão tem como foco investigar as relações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o ex-proprietário do banco, Daniel Vorcaro. Vieira recorreu ao Supremo no dia 15 deste mês, após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não dar andamento ao processo de instalação. Na avaliação do parlamentar, estando todos os requisitos formais cumpridos, não caberia à presidência da Casa reter a decisão sobre a criação do colegiado.
O senador ressalta que a jurisprudência consolidada do STF reconhece o direito da minoria parlamentar ver instalada a comissão quando atendidas as condições previstas em lei. “A expectativa é de concessão da liminar e criação imediata da CPI”, afirmou em seus argumentos. O pedido foi protocolado em 9 de março de 2026 e contou com a assinatura de 41 senadores — número superior ao mínimo constitucional de um terço da composição da Casa, que corresponde a 27 assinaturas.
No dia 22 deste mês, o ministro Cristiano Zanin havia rejeitado o pedido de medida liminar, entendendo que é necessário analisar o conjunto da tramitação, incluindo outros requerimentos relacionados ao tema, antes de concluir pela existência de omissão por parte do presidente do Senado. Segundo o magistrado, os documentos apresentados não demonstraram de maneira inequívoca que Alcolumbre esteja descumprindo um dever legal ao não dar prosseguimento ao pedido.
Zanin determinou, contudo, a solicitação de informações ao Senado Federal e a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o caso. O relator deverá reavaliar o mandado de segurança apresentado por Alessandro Vieira após receber e analisar esses elementos. A decisão atual não encerra o processo, sendo considerada etapa intermediária que possibilita novo exame assim que forem reunidos os subsídios necessários.
A iniciativa de Vieira em relação ao caso do Banco Master remonta a meses anteriores. Em abril deste ano, no âmbito da CPI do Crime Organizado, o parlamentar apresentou relatório no qual propunha a apreciação de condutas envolvendo também os ministros Gilmar Mendes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O documento, no entanto, foi rejeitado pela própria comissão, o que levou o senador a buscar caminhos alternativos de investigação.
A movimentação política e jurídica em torno da CPI reflete a relevância que o tema ganhou junto à opinião pública. Defensores da criação da comissão destacam a necessidade de transparência e de esclarecimento pleno diante de informações que circularam sobre vínculos e encontros entre autoridades e o ex-banqueiro. Já aqueles que ponderam sobre a conveniência da instalação apontam a importância de observar ritos e competências institucionais.
Com a sinalização de que o caso será reavaliado pelo STF, a atenção volta-se agora aos próximos passos processuais e à manifestação dos órgãos consultados. O desfecho deverá indicar se a CPI será instalada e qual será o escopo de suas investigações, podendo influenciar a agenda política nas semanas que antecedem o primeiro turno das eleições. Alessandro Vieira segue confiante no acolhimento de seu pleito, enquanto a sociedade acompanha os desdobramentos em busca de respostas claras e fundamentadas.





