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Vorcaro não será ouvido pela PF agora; defesa exige acesso a provas

Defesa de Vorcaro aguarda íntegra do processo antes de novo depoimento

A defesa de Daniel Vorcaro aguarda o acesso completo aos documentos reunidos pela Polícia Federal antes que o ex-banqueiro seja novamente ouvido no caso Master. A oitiva que estava prevista para esta quinta-feira (24), em Brasília, foi desmarcada depois que os advogados alegaram não ter recebido a íntegra dos elementos utilizados na investigação. Agora, a expectativa é que relatórios, depoimentos, dados extraídos de aparelhos celulares e outros materiais sejam disponibilizados antes da definição de uma nova data. Dessa forma, o impasse passou a envolver não apenas o calendário dos investigadores, mas também a preparação técnica da defesa para responder às suspeitas apuradas pela PF.

Defesa de Vorcaro aguarda provas antes de novo depoimento

Segundo os advogados, a decisão de retirar a oitiva de 24 de setembro do calendário foi tomada pela própria Polícia Federal, depois de a delegada responsável pela investigação concordar com a necessidade de disponibilização do material. Inicialmente, a defesa havia recorrido ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, para pedir o adiamento. Entretanto, conforme relatado pelos representantes de Vorcaro, não foi necessário um despacho do ministro para suspender a audiência. Assim, a nova etapa dependerá do momento em que os documentos forem efetivamente entregues e do prazo considerado suficiente para que a equipe jurídica possa examiná-los.

A defesa sustenta que Vorcaro tem interesse em prestar esclarecimentos aos investigadores. No entanto, os advogados argumentam que o depoimento precisa ser precedido de uma análise detalhada das provas que já foram reunidas. Por isso, foi solicitado um período mínimo de dez dias úteis, contado a partir da disponibilização integral dos autos. Nesse intervalo, segundo a equipe jurídica, será necessário estudar relatórios, depoimentos e informações obtidas durante as diligências, além de discutir o conteúdo diretamente com o ex-banqueiro, que permanece preso. O pedido, portanto, é apresentado como uma medida de preparação para o interrogatório, e não como uma recusa em colaborar com a investigação.

Por que a íntegra do processo é importante para a defesa?

O argumento jurídico apresentado pelos advogados está relacionado à Súmula Vinculante 14 do STF. O entendimento estabelece que a defesa deve ter acesso amplo aos elementos de prova que já estejam documentados em uma investigação e que tenham relação com o exercício do direito de defesa. Isso não significa, porém, que todas as diligências ainda em andamento tenham de ser reveladas antecipadamente. A própria jurisprudência do Supremo diferencia provas já documentadas de medidas investigativas que ainda estejam sendo realizadas. Nesse contexto, a discussão sobre o acesso aos autos envolve justamente quais materiais já podem ser consultados e de que forma eles devem ser disponibilizados para que a defesa tenha condições de atuar.

O adiamento ocorre enquanto diferentes frentes do caso Master continuam sendo investigadas. Uma delas envolve suspeitas relacionadas a operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), enquanto outra apura a atuação do grupo conhecido como “A Turma”. De acordo com a Polícia Federal, o grupo teria sido financiado por Vorcaro para monitorar pessoas, obter informações sigilosas e pressionar adversários. Essas são suspeitas investigadas pelas autoridades e, portanto, não representam uma conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal. Além disso, os elementos reunidos pela PF ainda precisam ser analisados no curso da investigação e, quando for o caso, submetidos às instâncias judiciais competentes.

Defesa de Vorcaro também questiona segunda oitiva

Além da audiência que estava marcada para 24 de setembro, os advogados também pediram o adiamento de uma segunda oitiva prevista para o dia 30. Até o momento, a manutenção dessa data não havia sido confirmada. O segundo depoimento está relacionado justamente à investigação sobre “A Turma”, aumentando a importância do acesso prévio aos documentos para a estratégia jurídica. Consequentemente, caso o mesmo critério adotado para a primeira audiência seja aplicado, uma nova data poderá depender da disponibilização dos autos e da contagem do prazo solicitado pela defesa. O cronograma da Polícia Federal, por sua vez, pode ser afetado pelos sucessivos adiamentos de depoimentos de investigados.

Histórico mostra que Vorcaro já foi ouvido pela PF

O novo adiamento não significa que Daniel Vorcaro ainda não tenha prestado depoimento durante as investigações. Em 28 de agosto, o ex-banqueiro foi ouvido por videoconferência durante aproximadamente quatro horas, a partir da unidade conhecida como Papudinha, no Distrito Federal, onde está preso. Na ocasião, o interrogatório estava relacionado a outro inquérito, que apura a atuação de dois ex-servidores do Banco Central suspeitos de favorecer o Banco Master em troca de vantagens financeiras. Vorcaro negou ter recebido informações privilegiadas e, segundo sua defesa, respondeu aos questionamentos feitos pelos investigadores. O episódio demonstra que diferentes depoimentos podem tratar de frentes distintas dentro de uma investigação mais ampla sobre o antigo banco.

O caso Master, portanto, continua avançando em meio a uma disputa jurídica sobre acesso a provas, preparação da defesa e calendário das oitivas. De um lado, a Polícia Federal busca reunir e analisar elementos relacionados às diversas suspeitas envolvendo o banco e pessoas próximas a Vorcaro. De outro, a defesa afirma que precisa conhecer integralmente o material já documentado antes de permitir que o ex-banqueiro seja novamente interrogado. Por enquanto, a principal definição é que o depoimento de 24 de setembro foi retirado da agenda e que a defesa aguarda a disponibilização dos documentos para estabelecer os próximos passos. Assim, a eventual nova data deverá ser definida depois que os advogados tiverem acesso ao conteúdo e ao prazo necessário para examiná-lo.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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