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Voto útil ganha força e coloca Lula e Flávio no centro da reta final

Disputa concentrada em Lula e Flávio acirra guerra pelo voto útil

Disputa concentrada em Lula e Flávio entra na reta final

A dez dias do primeiro turno das eleições de 2026, a disputa concentrada em Lula e Flávio passou a produzir um novo movimento nas campanhas presidenciais: a tentativa de convencer eleitores de candidaturas menores a reconsiderarem sua escolha. O chamado voto útil costuma ganhar espaço quando a votação se aproxima e parte do eleitorado passa a considerar não apenas sua preferência inicial, mas também quais candidatos apresentam maior presença nas pesquisas. Neste ano, essa discussão ganhou força depois que levantamentos recentes mostraram uma concentração significativa das intenções de voto nos dois principais nomes da corrida. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Assim, com o tempo cada vez mais curto, a capacidade de manter ou ampliar bases eleitorais tornou-se um dos principais focos das campanhas.

O que significa o voto útil na eleição presidencial

Na prática, o voto útil ocorre quando um eleitor decide apoiar um candidato diferente daquele que inicialmente preferia porque acredita que sua escolha pode ter maior impacto no resultado. Isso pode acontecer, por exemplo, quando uma pessoa abandona uma candidatura com pouca intenção de voto para apoiar uma alternativa que considera mais competitiva. Entretanto, é importante fazer uma distinção: uma concentração de votos nas pesquisas não comprova, por si só, que houve migração efetiva de eleitores. No levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado em 23 de setembro, Lula passou de 44,1% para 45,8%, enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 41,7% para 43,4%. Com isso, os dois passaram a somar 89,2% das intenções de voto. Ao mesmo tempo, candidatos como Renan Santos, Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema registraram oscilações menores. A interpretação de que esse cenário representa voto útil é feita pelas campanhas e analistas; a pesquisa, isoladamente, mede intenção de voto, não o motivo individual de cada eleitor.

Flávio amplia pressão sobre eleitores de outras candidaturas

A disputa concentrada em Lula e Flávio aparece de maneira especialmente explícita na estratégia adotada pelo candidato do PL. Em 23 de setembro, Flávio Bolsonaro participou de uma transmissão no YouTube ao lado de aliados e pediu que eleitores de outras candidaturas optassem por sua candidatura já no primeiro turno. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também defendeu a concentração de votos e apelou ao que chamou de “pragmatismo”. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) reforçou a mensagem durante a transmissão. Além disso, o senador Rogério Marinho (PL-RN) fez defesa semelhante nas redes sociais, enquanto Daniella Marques, responsável pelo programa econômico da campanha de Flávio e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, também pediu mobilização em torno do candidato. Portanto, o voto útil deixou de ser apenas uma discussão abstrata sobre pesquisas e passou a ser uma mensagem pública de campanha.

Datafolha mostra onde está o potencial de transferência

Outro elemento que passou a ser observado pelas campanhas está no comportamento dos eleitores de candidaturas alternativas. Segundo análise do Datafolha divulgada em 23 de setembro, entre os eleitores que declararam preferência por Romeu Zema, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury no primeiro turno, 43% afirmaram que votariam em Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra Lula. O petista apareceu com 30%, enquanto 26% escolheriam branco, nulo ou nenhum dos dois. Esse recorte, contudo, não deve ser confundido com uma previsão de migração automática no primeiro turno. Ele mostra como esses grupos se distribuiriam em uma eventual segunda etapa. Além disso, as margens de erro variam de acordo com cada segmento. Entre os eleitores de Zema, por exemplo, Flávio registrou 48%, contra 25% de Lula; entre os apoiadores de Renan Santos, foram 43% contra 22%. Já nos grupos de Caiado e Cury, as diferenças ficaram dentro das respectivas margens de erro.

PT reage com mobilização e preservação da base de Lula

Do outro lado da corrida, o PT passou a concentrar esforços na manutenção dos eleitores que já demonstram preferência por Lula. Segundo informações atribuídas a integrantes da campanha, levantamentos internos passaram a indicar uma possível concentração da disputa entre o petista e Flávio. Essa leitura também foi relacionada a pesquisas públicas recentes, embora as oscilações de alguns candidatos estejam dentro das margens de erro. Paralelamente, a campanha de Lula ampliou a presença do presidente em atos de rua e em diferentes estados na reta final. Agendas foram programadas no Rio de Janeiro, em Alagoas e em Pernambuco, enquanto uma estrutura para recrutamento de voluntários foi aberta em São Paulo. A estratégia, portanto, não se limita a conquistar votos de outros candidatos: também busca garantir que os eleitores já identificados com Lula efetivamente compareçam às urnas.

Abstenção também entra no cálculo eleitoral

Nesse cenário, a participação do eleitorado tornou-se outro ponto relevante para as duas campanhas. No caso de Lula, a atenção tem sido direcionada especialmente aos eleitores de menor renda, segmento que a campanha considera mais vulnerável à abstenção. A lógica é simples: uma intenção de voto registrada em pesquisa só se transforma em voto efetivo se o eleitor comparecer para votar. Por isso, enquanto Flávio busca ampliar sua base por meio do voto útil, o PT trabalha para preservar seus grupos de apoio e estimular o comparecimento. Entretanto, pesquisas de intenção de voto não conseguem determinar com precisão quem estará presente no dia da eleição. Dessa maneira, a reta final combina duas disputas simultâneas: a tentativa de atrair eleitores que ainda consideram outras candidaturas e o esforço para transformar intenções já declaradas em votos efetivamente depositados na urna.

Concentração entre Lula e Flávio muda o cenário da reta final

A disputa concentrada em Lula e Flávio, portanto, não significa que a eleição esteja matematicamente decidida ou que todos os eleitores de candidaturas menores estejam migrando para os dois nomes. O que os levantamentos mostram é uma fotografia do momento, na qual Lula e Flávio aparecem com parcelas muito expressivas das intenções de voto. Na AtlasIntel/Bloomberg, Lula registrou 45,8% e Flávio, 43,4%, enquanto uma simulação de segundo turno apresentou 47,7% para o petista e 47,4% para o senador, dentro da margem de erro. No Datafolha, o cenário geral de segundo turno também apontou equilíbrio, com 46% para Lula e 44% para Flávio. Por isso, a concentração observada explica a intensificação das estratégias de ambos os grupos, mas não permite afirmar qual será o comportamento definitivo do eleitorado. Com a votação marcada para 4 de outubro, os últimos dias deverão ser marcados por novas pesquisas, atos, debates, propaganda e apelos para que eleitores mantenham ou reconsiderem suas escolhas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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