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Zema, candidato à Presidência, marcou uma manifestação na Praça dos Três Poderes, em Brasília

O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) convocou apoiadores para uma manifestação em Brasília no dia 15 de setembro, data em que o Supremo Tribunal Federal deverá analisar um pedido para autorizar uma investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes. A mobilização foi anunciada pelo ex-governador de Minas Gerais nas redes sociais, com orientação para que os participantes estejam na capital federal a partir das 9h. Segundo a divulgação feita por Zema, o julgamento representa um momento considerado decisivo diante da crise que envolve integrantes da Corte.

A convocação ocorreu depois de uma série de decisões tomadas pelo presidente do STF, Edson Fachin, em meio ao conflito entre ministros do tribunal. Na quarta-feira, 9 de setembro, Fachin retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, suspendeu decisões divergentes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal e marcou para o dia 15 a análise do caso envolvendo o ministro. Dessa forma, a data escolhida para o ato passou a coincidir com uma sessão extraordinária do Supremo.

Zema afirmou que a manifestação deverá servir para pressionar os ministros durante o julgamento e classificou a ocasião como um dos momentos mais importantes da história recente do país. Em sua convocação, o candidato declarou que a mobilização não deveria ser entendida como uma disputa tradicional entre esquerda e direita, mas como uma reação de brasileiros contra aquilo que chamou de “intocáveis”. A expressão vem sendo utilizada pelo político em publicações nas redes sociais nas quais são feitas críticas a integrantes do STF e a personagens relacionados às investigações do Banco Master.

Zema convoca manifestação no dia da sessão do STF

A escolha do dia 15 de setembro está diretamente relacionada à pauta definida por Fachin após a escalada da crise interna do Supremo. Naquela data, o plenário deverá decidir se autoriza a Polícia Federal a investigar Moraes a partir de informações encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O pedido está sob relatoria de André Mendonça e foi incluído em uma sessão extraordinária marcada para as 10h.

A convocação de Zema ocorreu, portanto, em um momento no qual o caso deixou de ser tratado apenas no âmbito de decisões individuais e passou a ser encaminhado ao plenário do tribunal. Fachin afirmou que a Presidência do STF tem o dever de preservar a integridade da Corte e determinou que os fatos relacionados ao episódio sejam submetidos à apreciação dos demais ministros. Com isso, a eventual autorização para abertura da investigação contra Moraes deverá ser decidida de forma colegiada.

Enquanto isso, outras medidas adotadas por Fachin também modificaram o cenário da crise no Judiciário. Moraes deixou o comando do inquérito das fake news, mas os atos praticados durante o período em que esteve à frente da investigação foram preservados, enquanto ações penais já instauradas com denúncia recebida continuam sob sua responsabilidade. No caso da Polícia Federal, a disputa entre Mendonça e Dino sobre o diretor-geral Andrei Rodrigues também foi suspensa, deixando a definição final para a Presidência do Supremo e posteriormente para o plenário.

Zema critica Moraes e fala em “intocáveis”

Ao anunciar o ato, Zema retomou uma linha de discurso que vem sendo utilizada por ele durante a campanha presidencial. O candidato tem publicado nas redes sociais uma série chamada “Os Intocáveis”, produzida com recursos de inteligência artificial e direcionada a críticas contra ministros do STF, políticos e empresários mencionados em investigações relacionadas ao Banco Master. A nova manifestação amplia essa estratégia para uma mobilização presencial justamente no dia em que o Supremo deverá analisar o caso envolvendo Moraes.

O candidato também afirmou que o movimento não deveria ser limitado à divisão política tradicional entre direita e esquerda. Segundo a convocação, a intenção é apresentar a mobilização como uma defesa da população diante de pessoas que, na avaliação de Zema, estariam acima dos mecanismos comuns de responsabilização. A fala ocorre em meio a uma sequência de episódios que colocou decisões de ministros do Supremo no centro do debate político e eleitoral.

A referência de Zema à expressão “quem não deve, não teme” também se conecta a manifestações anteriores do governador sobre investigações envolvendo Jair Bolsonaro. Em 2024, ao comentar as apurações relacionadas ao ex-presidente, Zema havia declarado ser favorável às investigações e utilizado a mesma expressão, embora tenha manifestado preocupação com uma possível parcialidade do Judiciário. Agora, a frase reaparece em um contexto diferente, associado diretamente à convocação de um ato contra Moraes e à sessão extraordinária do STF.

Manifestação de Zema ocorre em meio à crise no STF

A manifestação anunciada por Zema deverá ocorrer em Brasília enquanto o Supremo enfrenta uma das mais intensas disputas internas dos últimos dias. A crise envolveu decisões de Mendonça e Dino sobre a direção da Polícia Federal, o afastamento de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e a inclusão de um pedido de investigação contra o ministro na pauta do plenário. Nesse cenário, o ato convocado pelo candidato coloca a disputa institucional também no ambiente da campanha presidencial.

Até o momento do anúncio, o local exato da manifestação ainda não havia sido definido pela assessoria de Zema. O candidato pediu que os apoiadores estejam na capital às 9h do dia 15 e classificou a data como o “início do fim dos intocáveis”. Assim, a mobilização deverá coincidir com o julgamento que poderá definir se uma investigação formal sobre Moraes será autorizada pelo Supremo.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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