Flávio Bolsonaro decidiu levar uma ‘cola’ para a sabatina da Globo

Flávio Bolsonaro anotou na mão algumas palavras antes de participar da entrevista realizada pela TV Globo na noite de sexta-feira, 28 de agosto de 2026, e o detalhe chamou atenção durante a sabatina presidencial. O senador e candidato do PL à Presidência da República apareceu com registros feitos na palma da mão esquerda, em uma estratégia que rapidamente foi percebida pelo público e associada a episódios protagonizados anteriormente por seu pai, Jair Bolsonaro. De acordo com o Estado de Minas, estavam escritos os termos “mudança”, “futuro” e “7/set”, referências que ajudaram a alimentar a repercussão política da participação do candidato.
A presença das anotações ganhou importância justamente porque a entrevista ocorreu em um momento decisivo da corrida eleitoral de 2026, quando os principais candidatos passaram a ser submetidos a questionamentos sobre propostas, trajetória política e temas controversos. Nesse contexto, a chamada “cola” poderia ser interpretada como um recurso de preparação para uma conversa de grande exposição nacional, especialmente diante da audiência da TV Globo. Além disso, a escolha das palavras chamou atenção porque elas estavam relacionadas tanto ao discurso eleitoral de Flávio quanto a uma mobilização prevista para setembro.
O episódio também despertou lembranças de situações semelhantes envolvendo Jair Bolsonaro, que havia utilizado anotações na mão durante entrevistas e debates em campanhas anteriores. Assim, o gesto de Flávio acabou sendo observado não apenas como um detalhe da entrevista, mas também como uma possível repetição de uma estratégia de comunicação já conhecida entre os apoiadores do bolsonarismo. Embora não seja possível afirmar que todas as palavras anotadas seriam necessariamente utilizadas durante a sabatina, o conteúdo registrado na mão do candidato passou a fazer parte da repercussão política da noite.
Flávio Bolsonaro anotou na mão referências para a campanha
As palavras escolhidas por Flávio Bolsonaro foram “mudança”, “futuro” e “7/set”, conforme registrado pelo Estado de Minas, e cada uma delas pode ser relacionada ao momento político vivido pelo candidato. “Mudança” e “futuro” são expressões frequentemente utilizadas em campanhas eleitorais para apresentar uma candidatura como alternativa ao governo em exercício e projetar uma expectativa de transformação. Já “7/set” provavelmente fazia referência à manifestação bolsonarista prevista para 7 de setembro na Avenida Paulista, em São Paulo.
A manifestação estava sendo tratada pelo campo bolsonarista como uma oportunidade para ampliar a mobilização política e demonstrar a capacidade de organização de seus apoiadores. Por isso, a anotação poderia funcionar como um lembrete de um evento considerado relevante para a campanha de Flávio Bolsonaro, sobretudo por ocorrer em uma fase de intensificação da disputa presidencial. Ao mesmo tempo, a associação entre o candidato e a manifestação reforçava a tentativa de manter uma conexão direta com o eleitorado que acompanha as mobilizações ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A escolha das palavras também pode ser analisada sob o ponto de vista da comunicação política, já que termos curtos e de forte apelo eleitoral costumam ser utilizados para facilitar a memorização de mensagens durante entrevistas. Nesse sentido, as anotações não representavam necessariamente respostas prontas, mas poderiam servir como lembretes de assuntos que o candidato pretendia mencionar ou enfatizar. A estratégia, portanto, foi percebida em meio a uma entrevista na qual Flávio precisou responder a questões envolvendo economia, meio ambiente, Banco Master, o filme sobre Jair Bolsonaro, o 8 de Janeiro e outros temas sensíveis.
Flávio Bolsonaro repetiu estratégia usada por Jair Bolsonaro
A atitude de Flávio Bolsonaro chamou ainda mais atenção porque seu pai, Jair Bolsonaro, já havia recorrido a anotações semelhantes durante a campanha presidencial. Em 2022, por exemplo, Jair Bolsonaro apareceu com palavras escritas na mão durante uma entrevista da TV Globo, e os registros incluíam referências como Nicarágua, Argentina, Colômbia e Dario Messer. Na ocasião, entretanto, os assuntos anotados não foram necessariamente desenvolvidos durante toda a conversa, o que demonstrou que a presença das palavras funcionava também como um recurso de preparação e comunicação.
Segundo informações publicadas pelo UOL, a estratégia também havia sido utilizada por Jair Bolsonaro em outros momentos da campanha eleitoral, inclusive em 2018. Dessa forma, a repetição do gesto por Flávio acabou estabelecendo uma ligação visual imediata entre pai e filho, algo especialmente relevante em uma candidatura que foi escolhida e apoiada politicamente pelo ex-presidente. A imagem do candidato com a mão anotada, portanto, ganhou um significado que ultrapassou o conteúdo literal das palavras registradas.
A comparação com Jair Bolsonaro também se tornou inevitável porque Flávio construiu sua candidatura dentro do campo político associado ao ex-presidente e apresentou-se como uma continuidade do projeto defendido pela família Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a entrevista serviu para que o senador apresentasse posições próprias sobre diferentes temas nacionais, tentando equilibrar a herança política do pai com a necessidade de se posicionar como candidato à Presidência. Nesse cenário, a “cola” acabou funcionando como um elemento simbólico da relação entre os dois, ainda que não seja possível concluir que a estratégia tenha sido planejada exatamente para produzir essa comparação.
O impacto das anotações na campanha presidencial
A repercussão das palavras escritas na mão mostrou como pequenos detalhes de uma entrevista presidencial podem ganhar grande alcance nas redes sociais e no debate político. Afinal, em uma campanha eleitoral cada gesto, frase ou imagem pode ser transformado em conteúdo compartilhável, especialmente quando envolve um candidato com forte presença digital e uma família política conhecida nacionalmente. Por isso, mesmo sendo um aspecto secundário da entrevista, a anotação de Flávio Bolsonaro passou a integrar a narrativa construída em torno de sua participação na Globo.
No conjunto, o episódio revelou uma campanha em que comunicação, símbolos políticos e memória familiar estavam profundamente conectados. Flávio Bolsonaro tentou apresentar mensagens associadas à mudança e ao futuro, enquanto a referência a 7 de setembro apontava para uma mobilização importante de seus apoiadores, e a própria utilização da “cola” remetia diretamente ao comportamento de Jair Bolsonaro em eleições anteriores. Assim, o detalhe observado na mão do candidato ganhou dimensão política e ajudou a ampliar a repercussão de uma das entrevistas mais importantes de sua campanha até aquele momento.





