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Contratos milionários estariam entre as vantagens que Vorcaro teria oferecido ao ministro Alexandre de Moraes

A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master revelou uma série de benefícios que Daniel Vorcaro teria oferecido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e a pessoas de sua família. Entre os episódios descritos no relatório estão contratos milionários com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, propostas envolvendo aeronaves, experiências de luxo e despesas relacionadas a uma viagem a Londres. As informações foram obtidas a partir da análise de mensagens, documentos e arquivos encontrados durante a investigação que apura as relações do banqueiro com autoridades.

Segundo a PF, um dos principais pontos envolve um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados. O acordo previa o pagamento de 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos, valor que chegava a aproximadamente R$ 3,65 milhões por mês quando considerados os tributos previstos no documento. Ao longo da investigação, os policiais também encontraram registros de pagamentos efetivamente realizados ao escritório, que somaram cerca de R$ 13,6 milhões em quatro transferências identificadas entre fevereiro de 2024 e outubro de 2025.

O relatório chamou atenção ainda para a existência de uma segunda proposta contratual, que poderia alcançar R$ 50 milhões em 36 meses. Parte desse valor poderia ser quitada por meio da transferência de bens e serviços, incluindo cotas de um jatinho e de um helicóptero, segundo os documentos analisados pelos investigadores. A PF também descreveu situações envolvendo hospedagem de luxo em Campos do Jordão e uma viagem internacional para Londres, indicando que a relação entre Vorcaro e pessoas próximas a Moraes envolvia diferentes tipos de benefícios e contatos.

Vorcaro ofereceu contratos milionários ao escritório

O primeiro contrato identificado pela PF foi assinado em janeiro de 2024 e estabeleceu uma remuneração milionária para o escritório de Viviane Barci de Moraes. A primeira minuta teria sido enviada a Vorcaro em 11 de janeiro daquele ano, enquanto uma versão posterior foi encaminhada em 17 de janeiro, e os metadados dos dois arquivos indicaram alterações feitas pelo usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. Segundo a investigação, o contrato foi assinado em 23 de janeiro de 2024 por Daniel Vorcaro e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva.

A análise dos pagamentos mostrou que quatro transferências foram localizadas entre fevereiro de 2024 e outubro de 2025, com parcelas líquidas de R$ 3.422.268,14. As mensagens encontradas no celular de Vorcaro também indicaram que os repasses ao escritório eram tratados pelo banqueiro como uma prioridade. Em uma conversa de março de 2024, ele teria afirmado que aquele era o pagamento mais importante e que não poderia sofrer atraso.

Paralelamente, a PF encontrou uma segunda minuta de contrato, com limite máximo de R$ 50 milhões durante os 36 meses previstos para a prestação de serviços. O documento permitia que a remuneração fosse quitada por transferências financeiras ou por meio da entrega de imóveis, bens móveis ou serviços. Em maio de 2025, uma proposta previa que R$ 40 milhões fossem pagos com cotas de um jatinho Legacy 650 e de um helicóptero EC 155 B1, enquanto outros R$ 10 milhões seriam relacionados ao reembolso de despesas decorrentes do uso das aeronaves.

Experiências de luxo envolveram a família

A investigação também apontou que Vorcaro teria proporcionado uma experiência considerada de luxo em Campos do Jordão, no interior de São Paulo. De acordo com o relatório, uma recepção teria sido organizada no Six Senses Botanique para um grupo de nove convidados e quatro seguranças, com almoço preparado por chef particular, passeios a cavalo e atendimento de funcionários ligados ao banqueiro. Em uma mensagem, Vorcaro teria determinado que a programação fosse uma “experiência completa” para convidados classificados como ultra VIPs.

Outro episódio mencionado pela PF envolve o uso de cotas de aeronaves que estavam relacionadas à proposta de pagamento do segundo contrato. Em uma conversa, um sócio de Vorcaro perguntou a Viviane Barci de Moraes se a família estava gostando de utilizar as cotas, e a advogada respondeu positivamente. O diálogo foi incorporado à investigação porque os policiais analisam se a oferta de benefícios, serviços e bens fazia parte de uma relação mais ampla entre o grupo empresarial de Vorcaro e pessoas ligadas ao ministro.

A viagem a Londres aparece em outro conjunto de mensagens analisadas pela Polícia Federal. Moraes teria participado do I Fórum Jurídico Londres Brasil de Ideias, realizado entre 24 e 27 de abril de 2024, evento organizado pelo Consultor Jurídico, Correio Braziliense e Banco Master, segundo os documentos. A investigação apontou que despesas relacionadas à viagem eram custeadas e que veículos Mercedes-Benz S-Class com motoristas foram disponibilizados para participantes considerados VIPs, entre eles Moraes e o ministro Dias Toffoli.

Viagem a Londres e pressão sobre autoridades

As mensagens analisadas pela PF também indicaram que Moraes participava de discussões relacionadas à organização do evento em Londres. Em 28 de março de 2024, o ministro teria enviado mensagem a Gilmar Mendes convidando o colega para participar do fórum, enquanto outras conversas tratavam de convidados, programação e logística. Para os investigadores, esse material ajuda a dimensionar a proximidade existente entre Vorcaro e autoridades que participaram ou foram consideradas para participar das iniciativas patrocinadas pelo Banco Master.

Além dos benefícios relacionados a Moraes e sua família, a investigação encontrou mensagens sobre contatos de Vorcaro com outras autoridades e pessoas próximas ao poder público. O celular do banqueiro reuniu conversas nas quais aparecem pedidos de ajuda, tentativas de influência e articulações envolvendo integrantes do STF, da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal. Entretanto, a existência dessas mensagens e propostas não significa, por si só, que os pedidos feitos pelo banqueiro tenham sido atendidos ou que tenha ocorrido crime por parte das autoridades mencionadas.

O escritório Barci de Moraes afirmou que foi contratado pelo Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 para prestar serviços de consultoria e atuação jurídica, com uma equipe formada por 15 advogados e outros escritórios especializados sob sua coordenação. A banca também declarou que nunca conduziu causa do Banco Master no STF e destacou sua trajetória de quase duas décadas na prestação de serviços jurídicos. Até a publicação das informações consultadas, Moraes não havia apresentado manifestação específica sobre as novas revelações, enquanto a defesa de Vorcaro informou que não comentaria o caso.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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