Mendonça já solicitou uma manifestação da PGR para que em seguida decida se Moraes será incluído nas investigações

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, avalia a possibilidade de incluir o colega Alexandre de Moraes na investigação relacionada ao caso Master após a Polícia Federal identificar o destinatário de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro. O material analisado pelos investigadores indica que Vorcaro teria enviado a Moraes informações sobre uma possível ofensiva da Polícia Federal e do Banco Central contra ele e o Banco Master. A situação ganhou relevância porque o conteúdo agora está sendo analisado no âmbito de uma investigação conduzida por Mendonça, que pediu informações complementares à Procuradoria-Geral da República antes de decidir os próximos passos.
As mensagens foram encontradas pela Polícia Federal em dados extraídos do celular de Vorcaro e, inicialmente, não havia identificação segura sobre quem seria o interlocutor. Segundo os relatos divulgados, o banqueiro utilizava anotações no aparelho para escrever os textos e depois enviava capturas de tela pelo WhatsApp, inclusive com recursos destinados a dificultar a preservação das conversas. Após determinação de Mendonça, a PF produziu um relatório no qual apontou Alexandre de Moraes como o destinatário das mensagens analisadas.
O conteúdo atribuído a Vorcaro é especialmente sensível porque menciona autoridades responsáveis por instituições diretamente relacionadas às investigações sobre o Banco Master. Entre os nomes citados aparecem Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República, além de uma referência que os investigadores associaram a Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. A interpretação sobre o significado dessas mensagens ainda deverá ser submetida às autoridades competentes, e a existência dos diálogos, por si só, não comprova qualquer irregularidade por parte de Moraes ou dos demais citados.
André Mendonça pede esclarecimentos à PGR
Antes de decidir se Alexandre de Moraes será formalmente incluído na investigação, Mendonça solicitou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o conteúdo do material produzido pela Polícia Federal. O prazo concedido à PGR é de cinco dias, período em que deverão ser analisadas as informações relacionadas à mensagem atribuída a Vorcaro e às autoridades mencionadas no texto. A manifestação do órgão poderá ter peso importante para definir como o episódio será tratado dentro do inquérito que apura fatos relacionados ao Banco Master.
De acordo com as informações divulgadas, uma das mensagens teria sido enviada em 30 de outubro de 2025, quando Vorcaro relatou a Moraes que havia recebido informações sobre uma possível ação da Polícia Federal e do Banco Central contra ele e sua instituição financeira. O banqueiro teria mencionado movimentações de recursos e afirmado que o Fundo Garantidor de Créditos já começava a atuar de maneira gradual, enquanto integrantes do Banco Central estariam sob pressão de investigadores. Em seguida, Vorcaro teria pedido cautela para evitar o que classificou como uma possível “sacanagem”, expressão que passou a ser um dos pontos centrais da análise do conteúdo apreendido.
A identificação de Moraes como possível destinatário acrescentou uma nova dimensão ao caso porque envolve diretamente um ministro do Supremo Tribunal Federal em uma investigação que já apresentava ramificações institucionais relevantes. A situação, entretanto, precisa ser examinada com cautela, pois uma mensagem enviada por uma pessoa a uma autoridade não demonstra, por si só, que o destinatário tenha atendido a pedidos, participado de irregularidades ou interferido em investigações. Até o momento, a assessoria do STF informou que Moraes não comentou o assunto, enquanto a PGR foi chamada a apresentar sua avaliação sobre o material.
Caso Master aumenta tensão dentro do STF
O episódio ocorre em meio a uma fase particularmente delicada do caso Master, investigação que já provocou disputas sobre procedimentos, competências e limites de atuação entre diferentes órgãos públicos. O inquérito chegou a ser relatado pelo ministro Dias Toffoli, mas mudanças na condução do caso ocorreram depois de revelações envolvendo relações financeiras e contratos ligados a pessoas próximas ao ministro. Com a atuação de Mendonça, novos elementos passaram a ser examinados e o conteúdo encontrado no celular de Vorcaro ganhou importância para a investigação.
A própria atuação da Polícia Federal na identificação do interlocutor das mensagens também passou a ser questionada nos bastidores do Supremo e da corporação. Segundo relatos publicados sobre o caso, a PF já tinha acesso ao conteúdo encontrado no aparelho, mas inicialmente não havia produzido um relatório específico identificando quem teria recebido as mensagens atribuídas a Vorcaro. Mendonça insistiu na identificação do destinatário e, depois da elaboração do relatório, encaminhou o material para análise dentro do tribunal, ampliando a possibilidade de novos desdobramentos.
Outro elemento que aumenta a sensibilidade política do episódio é o histórico recente de relações entre o Banco Master e diferentes autoridades, empresários e grupos políticos que passaram a ser examinados pelos investigadores. Paralelamente às apurações financeiras sobre o banco, a Polícia Federal vem analisando mensagens, movimentações de recursos e possíveis relações de influência envolvendo Vorcaro e pessoas de diferentes setores. Por isso, a eventual inclusão de Moraes no inquérito deverá ser observada com atenção, especialmente porque qualquer decisão envolvendo um ministro do próprio STF poderá produzir efeitos institucionais relevantes.
O que pode acontecer com Alexandre de Moraes
A próxima etapa dependerá, principalmente, da manifestação da Procuradoria-Geral da República e da avaliação que será feita por André Mendonça sobre o conteúdo e a relevância jurídica das mensagens. Caso sejam identificados elementos que justifiquem uma apuração específica, o ministro poderá determinar novas diligências para esclarecer o contexto dos contatos e verificar se houve alguma conduta que precise ser investigada. Por outro lado, se o material não for considerado suficiente para sustentar uma suspeita concreta, a identificação de Moraes como destinatário poderá permanecer apenas como uma informação contextual dentro da investigação.
O caso Master, portanto, entrou em uma nova fase de elevada sensibilidade institucional após a Polícia Federal atribuir a Alexandre de Moraes a condição de destinatário de mensagens enviadas por Daniel Vorcaro. Neste momento, não há conclusão pública de que Moraes tenha cometido qualquer irregularidade, e a análise da PGR será importante para definir se o episódio terá novos desdobramentos dentro do Supremo. A eventual decisão de Mendonça deverá ser acompanhada de perto porque poderá esclarecer não apenas o conteúdo das conversas, mas também os limites e os procedimentos adotados para investigar autoridades da própria Corte.





