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Marinho diz que Moraes usa inquérito das fake news para constranger Mendonça

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), elevou o tom das críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao questionar a condução do chamado inquérito das fake news. Em nota divulgada nesta quinta-feira, 3, o senador afirmou que a investigação estaria sendo utilizada como um “instrumento de poder pessoal” para pressionar o ministro André Mendonça, também integrante da Corte. A declaração coloca novamente em evidência o embate político em torno da atuação do Supremo e promete ampliar a discussão sobre os limites dos poderes atribuídos aos ministros da instituição.

Segundo Marinho, a situação ganha maior relevância porque Mendonça estaria à frente de apurações relacionadas a fatos que, conforme a avaliação do parlamentar, envolvem Moraes. Para o líder oposicionista, haveria uma contradição no uso de mecanismos investigativos contra um integrante da própria Corte responsável por acompanhar determinadas apurações. “Quem deveria prestar esclarecimentos às instituições e ao povo brasileiro utiliza poderes investigativos excepcionais sob seu comando para constranger quem supervisiona uma investigação séria”, afirmou o senador no documento divulgado nesta quinta-feira.

A principal crítica apresentada por Marinho está relacionada à duração do inquérito das fake news, instaurado pelo STF há cerca de sete anos. Na avaliação do senador, a permanência prolongada da investigação contribui para uma situação que ele classifica como de deterioração institucional. O parlamentar sustenta que a continuidade do procedimento, diante de sua longa duração, pode afetar a percepção pública sobre a atuação do Supremo e questiona a forma como poderes excepcionais vêm sendo utilizados ao longo dos últimos anos. As declarações, no entanto, representam a avaliação política de Marinho sobre o caso e não uma conclusão judicial sobre eventuais irregularidades.

O posicionamento também ocorre em um momento de forte disputa política entre setores da oposição e o governo federal. Além de exercer a liderança da oposição no Senado, Marinho atua como coordenador-geral da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Nesse contexto, suas declarações sobre Moraes e sobre o funcionamento do STF ganham dimensão política e passam a integrar um debate mais amplo envolvendo instituições, decisões judiciais e os diferentes campos que disputam espaço no cenário nacional. A manifestação do senador reforça, assim, uma estratégia de oposição que busca transformar questões institucionais em um dos principais temas de mobilização de seus apoiadores.

No comunicado, Marinho também fez referência às manifestações previstas para o feriado de 7 de Setembro. O senador convocou seus apoiadores para atos que, segundo ele, terão entre suas pautas críticas à atuação de Alexandre de Moraes e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mobilização deverá colocar novamente no centro do debate público temas como liberdade de expressão, funcionamento das instituições e os limites da atuação dos Poderes. A expectativa é de que os atos tenham forte repercussão política, especialmente em um período de preparação para a disputa eleitoral e de crescente atenção às movimentações da oposição.

Ao encerrar a nota, Rogério Marinho reforçou sua defesa por mudanças na condução do que chamou de “práticas de exceção” e classificou a atuação questionada como abuso de poder. A mensagem termina com críticas diretas a Lula e Moraes, sintetizadas nas expressões “Fora Lula!” e “Fora Moraes!”. As declarações acrescentam um novo capítulo à disputa política em torno do STF e mostram como o inquérito das fake news continua sendo um dos assuntos mais sensíveis do debate institucional brasileiro. Para os próximos dias, a atenção deverá se concentrar tanto na repercussão das declarações quanto nas manifestações de 7 de Setembro e em seus possíveis efeitos no cenário político nacional.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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