Senador avisou que irá apresentar um novo pedido de impeachment contra Moraes

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou que pretende apresentar um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração ocorreu em meio à crise envolvendo Moraes, o ministro André Mendonça e informações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Em entrevista à Itatiaia, Vieira classificou Moraes como um “cadáver político” e afirmou que os novos elementos revelados aumentaram a gravidade do caso.
Segundo o senador, os acontecimentos recentes transformaram o episódio em uma crise institucional que precisa ser apurada pelos órgãos competentes. Vieira também defendeu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as relações envolvendo o Banco Master e integrantes do Supremo. A proposta foi apresentada por ele como uma forma de esclarecer os fatos e reunir informações sobre as circunstâncias que cercam o caso.
A nova iniciativa de Alessandro Vieira ocorre poucos dias depois de outros parlamentares anunciarem medidas semelhantes contra Moraes. Desde a divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro, novos pedidos de impeachment foram anunciados no Senado, enquanto a atuação do ministro passou a ser alvo de manifestações de diferentes grupos políticos. O senador já havia apresentado, em outro contexto, pedidos de responsabilização de integrantes do STF durante sua atuação na CPI do Crime Organizado.
Alessandro Vieira anuncia novo pedido contra Moraes
Ao comentar o cenário, Alessandro Vieira afirmou que pretende formalizar uma nova representação contra Alexandre de Moraes. O senador relacionou a iniciativa aos elementos que vieram a público nas investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. Segundo ele, a análise desses dados deve ser feita dentro dos instrumentos previstos pelo ordenamento jurídico.
O parlamentar também voltou a defender a criação de uma CPI para examinar a relação entre o banco e ministros do Supremo Tribunal Federal. A comissão, caso seja instalada, teria como objetivo reunir documentos, ouvir envolvidos e esclarecer fatos que estão sendo discutidos publicamente. A proposta ocorre paralelamente aos procedimentos que já tramitam no Judiciário e no Senado.
A ofensiva de Vieira ocorre em um momento de sucessivos pedidos de impeachment contra Moraes. O senador Carlos Viana, por exemplo, protocolou em 1º de setembro o 54º pedido contra o ministro, enquanto o candidato à Presidência Renan Santos anunciou que apresentaria outra representação, o que elevaria o número para 55. Esses pedidos, contudo, dependem da análise do Senado e não significam, por si só, abertura de processo de impeachment.
Crise no STF envolve Moraes e Mendonça
A crise ganhou intensidade depois que o ministro André Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que continha informações sobre mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O material passou a integrar uma disputa institucional entre os dois ministros, com questionamentos sobre a origem das informações e sobre os procedimentos adotados na condução das apurações. Moraes, por sua vez, pediu investigação contra Mendonça, alegando possíveis irregularidades na atuação do colega.
O presidente do STF, Edson Fachin, passou a conduzir os procedimentos relacionados ao conflito entre os ministros. Fachin determinou que Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentassem manifestações sobre as acusações feitas por Moraes, enquanto retirou o pedido de investigação contra Mendonça do inquérito das fake news. A medida colocou a Presidência do Supremo no centro da condução institucional da crise.
Enquanto isso, o Senado passou a receber novas iniciativas relacionadas ao episódio. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, afirmou que existem 109 representações contra integrantes do STF e indicou que aguardaria os desdobramentos no Supremo antes de decidir sobre novas solicitações. Dessa forma, o pedido anunciado por Alessandro Vieira deverá ser submetido aos procedimentos próprios do Senado caso seja efetivamente protocolado.
Alessandro Vieira já havia criticado ministros do STF
A posição adotada agora por Alessandro Vieira não representa sua primeira iniciativa de responsabilização de integrantes do Supremo. Em abril, como relator da CPI do Crime Organizado, o senador apresentou relatório que pediu o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Na ocasião, as medidas foram apresentadas no contexto das conclusões daquela comissão parlamentar.
O novo episódio, portanto, amplia a atuação do senador em torno das discussões sobre o funcionamento e a responsabilização de autoridades do Judiciário. A expressão “cadáver político”, usada por Vieira para se referir a Moraes, foi apresentada no contexto de sua avaliação sobre a situação política do ministro e não corresponde a uma decisão ou conclusão formal do Senado ou do Supremo. A eventual abertura de um processo de impeachment dependerá das regras constitucionais e regimentais aplicáveis.
A crise também passou a ocorrer paralelamente às discussões eleitorais de 2026, mas os fatos envolvendo Moraes, Mendonça e Vorcaro continuam sujeitos a diferentes procedimentos de investigação e análise. Até o momento, as acusações e suspeitas mencionadas no debate político não equivalem automaticamente a conclusões definitivas sobre responsabilidade criminal ou administrativa. O novo pedido anunciado por Alessandro Vieira deverá acrescentar mais um capítulo à discussão no Senado sobre a responsabilização de ministros do STF.





