Bolsonaristas se reuniram em Brasília para protesto contra Lula e o ministro Alexandre de Moraes

Apoiadores de Jair Bolsonaro se reuniram em Brasília nesta segunda-feira, 7 de setembro, para manifestações marcadas por críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Os atos ocorreram paralelamente ao desfile oficial da Independência e tiveram como um dos principais destaques a defesa do ministro André Mendonça. A mobilização, porém, aconteceu sem a presença de Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, que estavam fora da capital federal durante o 7 de Setembro.
A ausência de Flávio foi especialmente relevante porque o candidato do PL à Presidência havia concentrado sua estratégia para a data em São Paulo, onde um grande ato foi marcado para a Avenida Paulista. A manifestação paulista estava prevista para as 15h e deveria reunir nomes importantes da direita, com ataques direcionados principalmente a Moraes e ao governo Lula. Dessa forma, os apoiadores que foram às ruas em Brasília mantiveram a mobilização bolsonarista na capital, enquanto o principal evento político do grupo ficou concentrado em São Paulo.
Michelle Bolsonaro também ficou fora do ato de Flávio, mas por uma razão diferente. A ex-primeira-dama, candidata ao Senado pelo Distrito Federal, informou a interlocutores que precisava permanecer próxima de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. A ausência ocorreu em meio à espera por uma decisão sobre o pedido para que familiares possam acompanhar o ex-presidente em situações como a desta segunda-feira.
Manifestantes criticam Lula e Alexandre de Moraes
Em Brasília, os apoiadores de Bolsonaro levaram às ruas as principais bandeiras defendidas pela oposição neste 7 de Setembro. As críticas a Lula e Moraes apareceram em palavras de ordem, cartazes e manifestações políticas realizadas durante a manhã. O movimento ocorreu em diferentes pontos da capital e funcionou como uma demonstração de que a pauta contra o governo e o STF continuava mobilizando setores do eleitorado de direita.
A atuação de Moraes esteve no centro das manifestações devido à crise que envolve o Supremo Tribunal Federal e os desdobramentos do caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro Edson Fachin determinou que Moraes, André Mendonça, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentassem explicações sobre os acontecimentos relacionados ao caso. O episódio aumentou a tensão dentro do STF e passou a ser explorado politicamente pela oposição durante a campanha presidencial.
Nesse cenário, André Mendonça ganhou espaço entre os manifestantes que participaram das mobilizações em Brasília. O ministro recebeu manifestações de apoio justamente quando passou a ocupar uma posição central no conflito político envolvendo integrantes da Corte. Michelle Bolsonaro também havia publicado uma mensagem de apoio a Mendonça no fim de semana, classificando-o como uma pessoa escolhida para cumprir uma missão e relembrando sua indicação ao STF durante o governo Jair Bolsonaro.
Ausência de Flávio e Michelle chama atenção
A ausência simultânea de Flávio e Michelle deu um significado particular à mobilização em Brasília. Flávio escolheu São Paulo como palco principal de sua agenda no 7 de Setembro, buscando transformar o ato da Avenida Paulista em uma demonstração de apoio à sua candidatura e em uma manifestação contra Moraes. A estratégia ocorre em um momento no qual aliados avaliam que o candidato precisa ampliar a mobilização de seu eleitorado e dar novo impulso à campanha.
Michelle, por sua vez, não acompanhou Flávio na Paulista porque decidiu permanecer ligada aos cuidados de Jair Bolsonaro. A situação também ocorre em um momento delicado da relação política entre os dois, apesar dos sinais recentes de reaproximação e das gravações conjuntas realizadas para a campanha presidencial. A ex-primeira-dama havia demonstrado disposição para apoiar a candidatura de Flávio, mas sua presença nas atividades eleitorais continuava condicionada à situação do marido.
Com os dois fora de Brasília, coube aos apoiadores e lideranças locais sustentar a mobilização na capital federal. A cena reforçou a divisão geográfica da estratégia bolsonarista neste 7 de Setembro, com Brasília concentrando manifestações contra Lula e Moraes e São Paulo recebendo o principal ato político de Flávio. A diferença de agendas também mostrou como a campanha tenta aproveitar a data para fortalecer a oposição ao governo e manter o STF no centro do debate eleitoral.
Defesa de Mendonça ganha espaço entre bolsonaristas
A defesa de André Mendonça se tornou um dos elementos mais simbólicos das manifestações realizadas em Brasília. O ministro foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro em 2021 e passou a receber apoio público de setores ligados ao ex-presidente durante a atual crise envolvendo Moraes. A manifestação favorável a Mendonça ganhou ainda mais repercussão depois dos recentes acontecimentos relacionados ao relatório da Polícia Federal e às decisões tomadas dentro do Supremo.
O 7 de Setembro, portanto, foi utilizado pelos apoiadores de Bolsonaro para transformar a insatisfação com Lula e Moraes em mobilização política nas ruas. Mesmo sem Flávio e Michelle em Brasília, os manifestantes mantiveram os símbolos do bolsonarismo e defenderam suas principais pautas durante as comemorações da Independência. Enquanto isso, a atenção política se voltou para a Avenida Paulista, onde Flávio deveria comandar o principal ato da direita no feriado.





