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Em Belo Horizonte, petistas criticaram decisão da Executiva Nacional do partido durante evento com Lula

O evento com Lula em BH realizado neste sábado (29) acabou sendo marcado por uma manifestação de integrantes do próprio PT contra a distribuição dos recursos do fundo eleitoral para as candidaturas de Minas Gerais. O protesto ocorreu durante o ato Mulheres com Lula, organizado para aproximar o presidente do eleitorado feminino e reforçar sua presença na disputa eleitoral de 2026. Entretanto, em meio aos discursos e à mobilização política, uma faixa levada por petistas chamou atenção ao expor uma insatisfação interna que ameaça ganhar novos desdobramentos.

A reclamação partiu de candidatos a deputado estadual e federal que contestaram os critérios utilizados pela Executiva Nacional do PT para definir os repasses destinados às campanhas. Segundo o grupo, 25 candidatos mineiros, sendo 11 concorrentes à Assembleia Legislativa e 14 à Câmara dos Deputados, ficaram enquadrados em uma faixa que não prevê recursos do fundo eleitoral. Dessa maneira, os candidatos passaram a pressionar a direção partidária por uma revisão da distribuição antes que a campanha avance para uma etapa em que a falta de dinheiro possa comprometer a presença eleitoral dessas candidaturas.

A principal reivindicação apresentada pelos petistas foi a criação de um piso de R$ 80 mil para cada candidatura, independentemente de a disputa ser para deputado estadual ou federal. O grupo argumenta que existe uma diferença considerada excessiva entre candidatos que podem receber valores elevados e aqueles que ficaram com repasses muito baixos ou até mesmo sem qualquer recurso. Conforme os dados apresentados pelos próprios manifestantes, candidaturas a deputado federal poderiam alcançar até R$ 2,4 milhões, enquanto outras teriam sido contempladas com apenas R$ 10 mil ou nada.

Evento com Lula em BH expôs disputa interna no PT

A manifestação aconteceu pouco depois do início do evento Mulheres com Lula, que reuniu integrantes do governo, ministras, candidatas ao Senado e prefeitas petistas em Belo Horizonte. O momento escolhido para o protesto teve peso político porque Lula estava na capital mineira justamente para fortalecer sua campanha e dialogar com um segmento considerado estratégico para a eleição presidencial. Por isso, a cobrança feita por integrantes da própria legenda ganhou uma dimensão maior, já que foi exposta publicamente diante de dirigentes e militantes durante uma agenda eleitoral de grande visibilidade.

Uma das faixas levadas ao local dizia que as mulheres da base do PT de Minas Gerais não aceitavam ser tratadas como “laranjas”, expressão utilizada pelos manifestantes para questionar o tratamento recebido pelas candidaturas consideradas menos favorecidas na divisão dos recursos. A crítica, portanto, não ficou limitada a uma discussão financeira, pois envolveu também a percepção de que determinadas candidaturas estariam sendo utilizadas apenas para cumprir formalidades eleitorais. Nesse cenário, os candidatos defendem que uma distribuição mínima de recursos permitiria que mais nomes da legenda tivessem condições reais de apresentar propostas, realizar campanha e disputar votos.

A mobilização havia sido preparada antes do evento e também incluiu a elaboração de um manifesto destinado a Lula, ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, e aos integrantes da direção nacional. Caso uma solução interna não seja encontrada, os candidatos afirmaram que poderão recorrer à Justiça para questionar os critérios utilizados na distribuição do fundo eleitoral. Assim, uma disputa que começou dentro do partido poderá ser transformada em uma batalha jurídica, inclusive com a possibilidade de pedido de liminar para tentar modificar os repasses durante o período eleitoral.

Recursos de campanha viraram foco da pressão sobre Lula

O movimento ganhou força depois que os candidatos passaram a comparar os valores destinados a diferentes faixas de concorrentes dentro do próprio PT. Segundo reportagem publicada anteriormente, o grupo dos 25 considera que a classificação adotada pela direção nacional criou uma diferença muito grande entre candidatos que já ocupam mandatos e aqueles que tentam conquistar espaço pela primeira vez. O argumento apresentado é que a concentração de recursos em candidaturas consideradas mais competitivas pode reduzir as possibilidades de renovação política dentro da legenda.

Para tentar corrigir essa diferença, os petistas mineiros propuseram que aproximadamente 7% dos valores destinados às candidaturas que estão nas faixas superiores sejam redistribuídos para quem recebeu pouco ou nenhum dinheiro. A proposta foi apresentada como uma forma de criar um piso de R$ 80 mil sem necessariamente aumentar o volume total de recursos destinado às candidaturas proporcionais. Dessa maneira, a mudança defendida seria feita por meio de uma redistribuição interna, preservando o montante geral disponível e reduzindo parcialmente a distância entre os diferentes grupos de candidatos.

A discussão também ganhou relevância porque o PT dispõe de uma estrutura nacional de financiamento eleitoral que precisa ser distribuída entre diferentes candidaturas e regiões do país. O diretório municipal do partido em Belo Horizonte, segundo informações divulgadas sobre a mobilização, já havia adotado em eleição anterior uma lógica de divisão mais igualitária dos recursos entre seus candidatos. Agora, esse modelo está sendo apresentado pelos críticos da distribuição nacional como uma referência para defender uma mudança nos critérios utilizados em 2026.

Lula em Minas Gerais enfrenta pressão em meio à campanha

A presença de Lula em Belo Horizonte ocorreu apenas oito dias depois de outro grande ato realizado na capital mineira, na Praça da Estação, em 21 de agosto. Na ocasião, o presidente participou do lançamento da campanha petista em Minas Gerais e dividiu o palanque com Patrus Ananias, candidato do PT ao governo estadual, em um evento que reuniu milhares de apoiadores. A nova passagem pela cidade reforçou a importância estratégica de Minas Gerais para a campanha presidencial, mas também colocou em evidência as dificuldades internas que precisam ser administradas pela direção partidária.

O protesto, portanto, não representou apenas uma reclamação pontual sobre dinheiro, mas revelou uma disputa mais ampla sobre prioridades, competitividade eleitoral e distribuição de poder dentro do PT em Minas Gerais. Enquanto a direção nacional precisa organizar os recursos disponíveis entre diferentes candidaturas, os grupos prejudicados defendem que uma parcela mínima seja assegurada para evitar que concorrentes fiquem praticamente sem condições de disputar a eleição. Agora, caberá ao partido avaliar se haverá espaço para uma negociação política ou se a divergência será levada aos tribunais, justamente em um momento decisivo da campanha de 2026.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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