Flávio Bolsonaro acusa Dino de defender interesses de Lula no STF

Em agenda simbólica em Juiz de Fora, cidade onde seu pai foi alvo de ataque durante a campanha de 2018, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, fez nesta quarta-feira, 9, fortes críticas ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A declaração ocorreu horas depois de Dino determinar o retorno do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, aos cargos — decisão que suspendeu o afastamento aplicado na véspera pelo ministro André Mendonça. Para o candidato, a medida não tem caráter técnico, mas responde a interesses políticos e busca influenciar o processo eleitoral em curso.
Antes de liderar uma motociata pelo centro da cidade, Flávio Bolsonaro falou à imprensa e classificou a atuação do magistrado como parcial. “Está todo mundo vendo que o ex-ministro do Lula, que é o Flávio Dino, não tem processo para julgar: tem causa para defender, que é a causa do Lula”, afirmou. O candidato questionou a motivação por trás da reintegração dos dirigentes e pediu que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, intervenha de forma imediata. “Espero, sinceramente, que o presidente do Supremo, Edson Fachin, ainda hoje tome alguma decisão, começando por suspender essa liminar e convoque uma sessão plenária para decidir de forma pública, aberta e transparente”, disse.
A decisão de Flávio Dino foi divulgada na manhã desta quarta-feira e devolveu os dois dirigentes ao cargo com efeito imediato. O ato respondeu a recurso apresentado pelo próprio Andrei Rodrigues, que alegou prejuízos a investigações em andamento. Dino argumentou que não seria possível interromper a atividade de inteligência da corporação como se houvesse um único julgador no tribunal, especialmente quando há apurações supervisionadas por outros ministros. Entre os casos citados estão a investigação relacionada ao filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, e as diligências referentes ao caso da vereadora Marielle Franco. O processo foi encaminhado ao Plenário do STF e à Procuradoria-Geral da República.
O afastamento anterior havia sido determinado por André Mendonça com base em pedido do Partido Novo. Alegou-se que integrantes da cúpula da PF teriam realizado acompanhamento inadequado sobre o próprio ministro e sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias. A medida também previa a suspensão de determinados relatórios de inteligência. Com a decisão de Dino, porém, esses efeitos ficaram sem vigor, restabelecendo a situação anterior e gerando um cenário de decisões conflitantes que levou o presidente da Corte a intervir. O impasse levanta questionamentos sobre os limites de atuação individual de cada ministro em assuntos administrativos e institucionais.
A agenda em Juiz de Fora carregou um tom de memória e continuidade. Foi nesta cidade, em setembro de 2018, que Jair Bolsonaro foi atingido durante ato de campanha e precisou interromper a caminhada entre os eleitores. “Para mim, é sempre um momento de reflexão. Pretendo agora completar o trajeto que meu pai não conseguiu completar”, declarou Flávio. O candidato também voltou a afirmar que o país atravessa um momento sem direção e posicionou sua candidatura como alternativa para reestruturar as instituições. “O Brasil está sem comando, o Brasil está sem presidente e o Brasil precisa de um presidente para organizar as instituições”, declarou.
A passagem por Minas Gerais também insere a disputa institucional no centro da estratégia eleitoral. O estado é o segundo maior colégio eleitoral do país e, segundo pesquisa recente, apresenta empate técnico entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Tradicionalmente, quem ganha em Minas ganha no Brasil”, destacou o candidato. A combinação de críticas institucionais com a lembrança simbólica da cidade busca mobilizar eleitores em um dos cenários mais disputados do pleito. O desdobramento da crise no STF e a decisão do Plenário sobre as medidas envolvendo a Polícia Federal devem dar o tom dos debates nas semanas que antecedem a votação.





