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Dino proíbe Mario Frias de deixar o Brasil e falar com investigados

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (10.set.2026) que o deputado federal Mario Frias (PL-SP) não deixe o Brasil e não mantenha contato com outros investigados na operação Make Up. A decisão ocorre no âmbito de uma investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares.

A operação foi realizada pela Polícia Federal (PF) em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em endereços localizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos está também a produtora Karina Gama, ligada à produção do filme “Dark Horse”, que tem Mario Frias como produtor-executivo.

De acordo com as informações apresentadas pela PF, a apuração busca esclarecer a possível existência de um esquema envolvendo agentes públicos e empresas privadas. Os investigadores avaliam se valores provenientes de emendas foram direcionados a empresas subcontratadas sem a devida comprovação de que os serviços contratados foram efetivamente realizados. As autoridades também investigam movimentações que poderiam ter sido utilizadas para dificultar o rastreamento dos recursos.

O inquérito considera possíveis crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades relacionadas a processos de contratação pública. Neste momento, trata-se de uma investigação em andamento, e as suspeitas ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis e submetidas ao devido processo legal.

### Filme “Dark Horse” entrou no radar das autoridades

As suspeitas relacionadas ao filme “Dark Horse” surgiram como um desdobramento da operação Compliance Zero, que investiga negócios relacionados ao Banco Master e ao seu fundador, Daniel Vorcaro. O longa-metragem passou a integrar as apurações depois que informações encontradas em dispositivos eletrônicos apreendidos durante aquela investigação indicaram possíveis conversas sobre o financiamento da produção.

Em maio de 2026, reportagens divulgaram mensagens atribuídas a Vorcaro nas quais o financiamento do filme era mencionado. Também veio a público um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece solicitando recursos ao então banqueiro para ajudar a viabilizar a produção. O episódio ganhou relevância adicional por ocorrer em um ano eleitoral, no qual Flávio Bolsonaro figura entre os nomes de destaque na disputa pelo Palácio do Planalto.

A partir da divulgação dessas informações, pedidos para que o Supremo examinasse o caso foram apresentados. O cenário, porém, tornou-se juridicamente complexo porque existem atualmente dois inquéritos no STF relacionados a aspectos do mesmo episódio.

### Dois inquéritos analisam questões relacionadas

Uma das investigações está sob relatoria do ministro André Mendonça e integra o conjunto de apurações relacionadas ao Banco Master. Entre os pontos analisados está justamente a origem dos recursos destinados ao filme “Dark Horse”.

Paralelamente, Flávio Dino conduz outro inquérito, voltado a possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares. Esse procedimento também passou a examinar aspectos relacionados ao financiamento do longa-metragem.

A existência de duas investigações sobre pontos relacionados ao mesmo caso provocou questionamentos da defesa de Mario Frias. Em 28 de agosto de 2026, os advogados do deputado apresentaram uma petição ao presidente do STF, Edson Fachin, argumentando que o caso deveria ser analisado pelo ministro André Mendonça, responsável pelo inquérito relacionado ao Banco Master.

Até o momento, segundo as informações fornecidas, não houve decisão de Fachin sobre o pedido apresentado pela defesa.

### Deputados levaram suspeitas ao Supremo

A investigação conduzida por Dino também teve origem em pedidos apresentados pelos deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e Henrique Vieira (Psol-RJ). Os parlamentares solicitaram ao Supremo que fossem analisadas possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento de “Dark Horse” e ao eventual uso de emendas parlamentares na produção.

Com a autorização de Dino, a Polícia Federal e a CGU realizaram a operação desta quinta-feira. A decisão impôs a Mario Frias, além da restrição para deixar o país, a obrigação de não estabelecer contato com outros investigados no procedimento.

A defesa do deputado ainda poderá apresentar sua manifestação sobre as medidas determinadas pelo Supremo. Até a publicação desta reportagem, não havia sido registrada uma resposta de Frias sobre a operação. O posicionamento poderá ser incorporado ao caso posteriormente.

A produtora Karina Gama também foi procurada para comentar a investigação, mas, segundo as informações disponíveis, não foi localizado um canal de contato válido. A apuração permanece em andamento, e novas informações poderão esclarecer a origem dos recursos, os contratos analisados e a eventual participação de cada pessoa ou empresa citada no procedimento.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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