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Flávio esnoba operação da PF sobre filme de Bolsonaro: “Não tem nada de errado”

A Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) nesta quinta-feira (10), colocou novamente no centro do debate o financiamento do filme *Dark Horse*, produção que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em endereços localizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Ao todo, 22 pessoas estão entre os alvos, incluindo o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama.

A investigação apura suspeitas relacionadas ao direcionamento de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Segundo a Polícia Federal, os valores teriam sido repassados a uma organização da sociedade civil e posteriormente destinados a empresas subcontratadas de maneira considerada irregular pelos investigadores. A apuração busca esclarecer se os serviços contratados foram efetivamente prestados e qual teria sido o destino final dos recursos.

Em meio à repercussão da operação, Flávio Bolsonaro se manifestou durante um evento no Rio Grande do Norte. O candidato do PL à Presidência da República afirmou que não acredita que sejam encontradas irregularidades relacionadas ao financiamento do longa-metragem. Segundo ele, os recursos destinados à produção são privados e não possuem relação com dinheiro público.

“Não tem absolutamente nada de errado com esse filme. Não tem 1 centavo de dinheiro público”, declarou o parlamentar. Flávio Bolsonaro também questionou a decisão de Flávio Dino e afirmou que a operação teria motivação política. Na avaliação do candidato, a investigação poderia representar uma tentativa de influenciar o cenário eleitoral.

A Polícia Federal, porém, apresenta outro foco para a operação. Conforme nota divulgada pela corporação, os investigadores identificaram movimentações financeiras de grande volume entre empresas relacionadas ao caso. A apuração considera suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações. As autoridades também afirmam que as movimentações investigadas teriam continuado até julho deste ano.

Um dos pontos que chama atenção é que o financiamento de *Dark Horse* aparece em duas investigações distintas no Supremo Tribunal Federal. A primeira é conduzida sob a relatoria de Flávio Dino e está relacionada principalmente à possível utilização irregular de emendas parlamentares e recursos públicos que chegaram a entidades e empresas ligadas à produção.

A segunda frente está sob responsabilidade do ministro André Mendonça e segue uma linha diferente. Nesse caso, os investigadores analisam repasses atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além do caminho percorrido pelos valores destinados ao projeto cinematográfico. As duas apurações são juridicamente independentes, mas podem ajudar a esclarecer diferentes fontes de recursos relacionadas ao filme.

Na quarta-feira (9), um novo elemento entrou no caso. André Mendonça homologou o acordo de colaboração de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, proprietário da Entre Investimentos. Segundo informações apresentadas no acordo, ele teria realizado sete repasses classificados como “subscrições de cotas” para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. Os valores mencionados chegam a US$ 12,333 milhões, quantia equivalente a aproximadamente R$ 62,8 milhões pela cotação indicada em setembro de 2025.

De acordo com o relato apresentado na colaboração, os repasses teriam ocorrido por determinação de Daniel Vorcaro após um pedido atribuído a Flávio Bolsonaro para financiar o filme. A informação agora faz parte dos elementos analisados na investigação conduzida por André Mendonça. O parlamentar, por sua vez, sustenta publicamente que os recursos destinados à produção são privados e contesta a interpretação de que a operação tenha fundamento relacionado a irregularidades no filme.

O caso também ganhou repercussão após a divulgação, meses atrás, de mensagens e um áudio atribuídos a uma conversa envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Na ocasião, foram levantadas informações sobre pedidos de recursos para a produção. Com a homologação da colaboração de Antonio Carlos Freixo Junior, os investigadores passaram a contar com um novo relato sobre a possível movimentação financeira.

A Operação Make Up, portanto, amplia o escrutínio sobre as diferentes fontes de recursos relacionadas a *Dark Horse* e coloca personagens ligados ao entorno político do ex-presidente Jair Bolsonaro no foco das investigações. Apesar das suspeitas apuradas pelas autoridades, a operação ainda não representa uma conclusão sobre a responsabilidade dos investigados. Caberá ao avanço das apurações determinar a origem, o destino e a eventual regularidade dos valores analisados.

Enquanto a Polícia Federal e o STF aprofundam a análise dos documentos e das movimentações financeiras, Flávio Bolsonaro mantém sua defesa de que não há irregularidades no financiamento privado do filme. A disputa de versões deve continuar acompanhando o caso, especialmente diante do contexto eleitoral e da relevância política que a produção sobre Jair Bolsonaro adquiriu nos últimos meses.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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