Erika Hilton aciona MP contra Tarcísio após acusação de Vorcaro

Uma nova representação apresentada ao Ministério Público de São Paulo colocou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no centro de um questionamento envolvendo doações eleitorais e a operação de crédito consignado para servidores públicos estaduais. A iniciativa partiu da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) e da candidata a deputada estadual Sofia Favero (Psol-SP), que pedem a apuração de informações atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em uma proposta de delação premiada que acabou rejeitada. O documento menciona uma suposta doação de R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio nas eleições de 2022, valor que, segundo o relato apresentado, teria sido repassado por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
De acordo com as informações levadas ao Ministério Público, a quantia estaria relacionada a uma negociação envolvendo a permanência do Credcesta, serviço de crédito consignado destinado a servidores públicos de São Paulo. A representação solicita que sejam esclarecidas a origem dos recursos, as circunstâncias da doação e uma possível participação do então secretário de Governo, Gilberto Kassab, nas tratativas relacionadas ao serviço. As autoras também pedem que sejam preservadas mensagens, registros e comunicações eletrônicas que possam contribuir para a análise dos fatos. Até o momento, as acusações citadas na representação são objeto de questionamento e apuração, e Tarcísio nega as alegações apresentadas contra ele.
Outro ponto levantado no documento envolve a permanência da PKL One Participações no sistema de crédito consignado do Estado. Erika Hilton e Sofia Favero questionam os efeitos de um decreto publicado pelo governo paulista em 2024, que, segundo a representação, teria ampliado as possibilidades de atuação de sociedades de crédito e financiamento nesse segmento destinado aos servidores estaduais. Para as parlamentares, é necessário verificar se as mudanças nas regras tiveram alguma relação com a atuação da empresa e se houve tratamento diferenciado em sua operação. A solicitação agora depende da avaliação do Ministério Público, que poderá analisar os elementos apresentados e decidir quais medidas considera adequadas.
Em resposta às acusações, o governo de São Paulo negou qualquer irregularidade ou favorecimento relacionado ao credenciamento da PKL Credcesta. Em nota, a administração estadual afirmou que não existe respaldo nos fatos, na sequência dos acontecimentos ou nas normas que regulamentam o setor para sustentar a hipótese apresentada. O governo também rejeitou qualquer associação entre as doações mencionadas e o credenciamento da empresa, além de negar que relações atribuídas a Gilberto Kassab tenham influenciado o processo. A gestão estadual sustenta que as informações disponíveis precisam ser analisadas considerando a cronologia dos acontecimentos e as regras vigentes em cada período.
Segundo o governo paulista, a PKL foi credenciada em 27 de maio de 2022, antes mesmo de Tarcísio de Freitas assumir o comando do Estado. A administração ressalta ainda que não realizou a escolha ou contratação da empresa, não estabeleceu exclusividade para sua atuação e posteriormente suspendeu o credenciamento quando a instituição deixou de atender às condições necessárias para operar, após decisão do Banco Central. Esses pontos são apresentados pelo governo como elementos que, em sua avaliação, afastam a possibilidade de favorecimento durante a atual gestão. A controvérsia, porém, deverá ser analisada a partir dos documentos e informações que forem eventualmente examinados pelos órgãos competentes.
O caso agora ganha relevância política e institucional porque envolve, ao mesmo tempo, uma acusação relacionada ao financiamento eleitoral, a atuação de empresas no crédito consignado e decisões administrativas tomadas em diferentes momentos. A representação não significa, por si só, que as acusações estejam comprovadas, mas solicita uma investigação capaz de esclarecer a origem dos recursos citados e verificar se houve alguma conexão entre os episódios. Caberá ao Ministério Público avaliar os elementos apresentados, ouvir os envolvidos quando necessário e determinar os próximos passos. Enquanto isso, o governo de São Paulo mantém a posição de que não houve irregularidade, e Tarcísio de Freitas nega as acusações atribuídas a ele.





