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Nunes nega irregularidades em contrato de Wi-Fi da prefeitura alvo da Civil

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), comentou nesta quinta-feira, 10, a operação deflagrada pela Polícia Federal que investiga Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse e ligada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade com a qual a prefeitura firmou convênio para instalação de pontos de acesso à internet. Em entrevista a jornalistas, o prefeito afirmou que o acordo não apresenta nenhuma falha e que o Tribunal de Contas do Estado acompanha o caso. Aproveitou ainda para criticar o ex-prefeito e candidato ao governo Fernando Haddad (PT), atribuindo à gestão petista práticas irregulares em contratações similares, o que foi prontamente refutado pela oposição.

“O nosso não tem nenhuma irregularidade. Obviamente, a gente faz o monitoramento contínuo, como temos feito em qualquer contrato nosso. Se aparecer alguma irregularidade, a prefeitura vai agir de forma muito enérgica”, declarou Nunes. O prefeito negou vínculo entre a produção do filme e o convênio de tecnologia, e ressaltou que a prefeitura cumprirá qualquer determinação judicial. Antes da ação da PF, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, havia solicitado dados da investigação em São Paulo, inserindo o tema no cenário de apurações que ganharam repercussão nacional.

Fernando Haddad respondeu às acusações por meio de sua assessoria. Na nota, classificou a fala de Nunes como tentativa de desviar o foco e enganar a opinião pública. Segundo o ex-prefeito, o contrato citado pelo atual gestor expirou em 2020 e foi renovado pelo próprio Nunes, sem qualquer relação com a pessoa agora investigada. “A operação de hoje tem como um dos alvos um contrato fechado por ele mesmo”, destacou a resposta, que reforça que a investigação atual recai sobre atos da administração em exercício.

A investigação, iniciada em junho sob a denominação Operação Wi-Fi Livre, apura indícios de que recursos públicos destinados à implantação de internet em comunidades periféricas tenham sido direcionados para o financiamento da produção cinematográfica. Entre os elementos levantados pelas autoridades estão a ausência de experiência técnica da entidade contratada, valores muito acima dos praticados no mercado, descumprimento de metas e aditivos firmados em curto intervalo de tempo, além de pagamentos antecipados sem a correspondente prestação de serviços.

Os números apresentados reforçam a dimensão dos valores envolvidos. Enquanto a empresa pública Prodam praticava cerca de R$ 306 por ponto de manutenção mensal, o acordo com o ICB previa R$ 1.800. Das 5 mil conexões prometidas, apenas 3.200 foram instaladas, e parte dos pagamentos foi feita de forma antecipada, totalizando R$ 26 milhões sem que os serviços tivessem sido efetivamente entregues. Ao todo, a gestão Nunes informou ter repassado R$ 114 milhões ao longo do contrato, divididos entre implantação e manutenção.

A sociedade acompanha com atenção os desdobramentos do caso, que coloca em confronto duas candidaturas e envolve recursos expressivos aplicados em serviços voltados à população mais vulnerável. A expectativa é de que as apurações esclareçam se houve desvio de finalidade na aplicação de verbas públicas e se os valores pagos correspondem aos serviços efetivamente prestados. A defesa de Karina da Gama e do deputado Mario Frias foi procurada e ainda não se manifestou. O desenrolar da investigação deverá trazer novos elementos nas próximas semanas, com impacto direto no debate político e na gestão da maior cidade do país.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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