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Mendonça determinou em julho a abertura de inquérito para investigar o senador Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro passou a ser formalmente investigado pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito que apura a origem e a movimentação de recursos relacionados ao filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça após pedido da Polícia Federal e envolve suspeitas de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. O procedimento também alcança o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (11).

Apesar da inclusão de Flávio Bolsonaro entre os investigados, Mendonça decidiu manter sob sigilo o inquérito principal relacionado ao caso. Parte dos documentos ligados às apurações já foi disponibilizada após determinação do ministro, mas o núcleo considerado mais sensível permanece restrito. A justificativa é preservar diligências que ainda estão em andamento e evitar que a divulgação antecipada de informações prejudique novas medidas da investigação.

O caso envolve a tentativa de obtenção de recursos para financiar a produção do longa-metragem e também apresenta conexões com a investigação sobre o Banco Master. Segundo os elementos divulgados, Flávio teria procurado o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em busca de recursos para o filme, enquanto operações financeiras envolvendo empresas e fundos no exterior passaram a ser analisadas pelas autoridades. Flávio nega irregularidades e sustenta que o financiamento da produção ocorreu de maneira privada e dentro da legalidade.

Investigação também envolve recursos destinados ao filme

A apuração sobre “Dark Horse” ganhou novas dimensões depois que a Polícia Federal passou a examinar possíveis conexões entre o financiamento do filme e recursos cuja origem é investigada. Entre os elementos analisados estão repasses que teriam passado por empresas e estruturas financeiras antes de chegar a destinatários relacionados ao projeto. A PF também apura se houve utilização irregular de recursos públicos e outras movimentações que possam ter ligação com o caso.

De acordo com informações divulgadas sobre o inquérito, Vorcaro teria realizado pagamentos relacionados ao projeto depois de ser procurado por Flávio Bolsonaro. O senador teria solicitado US$ 24 milhões para financiar o filme, enquanto registros citados nas investigações apontam para um repasse de aproximadamente US$ 12,3 milhões. A produtora, entretanto, nega ter recebido dinheiro diretamente do ex-banqueiro, enquanto os investigadores procuram esclarecer o caminho percorrido pelos valores.

A investigação também alcança Mario Frias, apontado como idealizador do longa, e Karina Gama, ligada à produtora responsável pelo projeto. Em 10 de setembro, uma operação autorizada pelo ministro Flávio Dino levou a Polícia Federal a cumprir mandados contra pessoas e empresas relacionadas à produção. A operação apura suspeitas envolvendo emendas parlamentares e possíveis repasses destinados à estrutura ligada ao filme.

Sigilo permanece sobre parte central do inquérito

A decisão de preservar o sigilo do núcleo principal ocorre depois de uma sequência de medidas relacionadas à divulgação de documentos do caso Banco Master. Mendonça tornou públicos determinados materiais após solicitação do presidente do STF, Edson Fachin, mas manteve restrições sobre informações consideradas capazes de comprometer diligências futuras. Dessa maneira, o conteúdo disponível publicamente não corresponde à totalidade dos elementos reunidos no inquérito.

A manutenção do sigilo também acontece enquanto diferentes setores políticos e parlamentares pressionam pela divulgação integral das investigações relacionadas ao Banco Master e ao “Dark Horse”. O PT apresentou pedidos ao STF para que os sigilos sejam retirados de investigações relacionadas aos casos, alegando preocupação com a divulgação parcial de informações durante o período eleitoral. Mendonça e Dino receberam pedidos distintos relacionados à abertura dos dados dos procedimentos sob suas relatorias.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro contesta a condução das investigações e afirma não ter cometido irregularidades. Após a operação realizada em 10 de setembro, o senador classificou a ação como uma tentativa de interferência política e afirmou que pretende levar questionamentos sobre a atuação de Dino ao presidente do STF. As acusações feitas pelo senador fazem parte do debate político em torno do caso e não alteram, por si só, o andamento formal das investigações.

Caso Dark Horse amplia crise envolvendo STF e Banco Master

O inquérito sobre o filme está inserido em uma investigação mais ampla que reúne diferentes linhas de apuração relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Além das questões financeiras envolvendo o financiamento de “Dark Horse”, autoridades também investigam possíveis conexões com milícias digitais e campanhas de desinformação favoráveis à instituição financeira. As diferentes frentes fizeram com que informações sobre o caso passassem a circular em meio à crise interna envolvendo ministros do Supremo.

A situação ocorre paralelamente ao conflito entre Mendonça e outros integrantes da Corte sobre decisões relacionadas às investigações e ao comando da Polícia Federal. Fachin determinou medidas para evitar sobreposição de decisões e marcou uma sessão do plenário para analisar outro relatório da PF relacionado a Alexandre de Moraes. Nesse ambiente, o caso “Dark Horse” permanece sob acompanhamento do STF enquanto novas diligências podem ser realizadas sob sigilo.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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