O que diz inquérito sobre relação de Jaques Wagner com Banco Master e Vorcaro

Um relatório da Polícia Federal teve o sigilo levantado nesta sexta-feira, 11, e traz elementos que apontam fortes indícios de envolvimento do senador Jaques Wagner (PT-BA) com esquemas ligados ao Banco Master. O documento foi liberado pelo Supremo Tribunal Federal em meio à abertura de investigações sobre a instituição financeira. As apurações sugerem práticas que podem configurar corrupção e lavagem de ativos, envolvendo troca de vantagens e atuação política em favor de interesses do banco. O caso levou o parlamentar, aliado histórico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a deixar a liderança do governo no Senado.
A investigação identifica como principal elo entre o senador e a instituição o banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Entre novembro de 2023 e maio de 2025, foram registradas 74 ligações telefônicas atendidas entre os dois, somando mais de cinco horas de conversa. “Para além de uma eventual amizade, o relacionamento entre ambos parece ser uma via de mão única: em regra, o senador recebe ou solicita vantagens ou favores, e o empresário os concede”, assinala o relatório. Mensagens revelam que Wagner demonstrava interesse direto nos negócios do banco, como quando escreveu: “Vamos marcar, que eu precisava conversar com você pra saber como estão as coisas do banco”.
Entre os benefícios que teriam sido disponibilizados ao parlamentar estão ingressos para evento artístico e ao menos quatro viagens em aeronaves particulares. O documento não registra contato direto entre Wagner e Vorcaro, mas indica que houve interlocução entre eles por meio de intermediários. A PF destaca a atuação de Guilherme Sodré, descrito como pessoa historicamente próxima ao senador, que teria funcionado como ponte nas tratativas. Em uma das mensagens, enviada seis dias antes da apresentação de uma proposta legislativa, Sodré informa a Vorcaro que um encontro seria organizado e repassa contato do gabinete do senador, encerrando com a frase: “Boa sorte”.
A medida que mobilizou os envolvidos ficou conhecida como “Emenda Master”, a número 11 da PEC 65/2023. O texto buscava elevar o valor dos depósitos protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos, alteração de interesse direto para instituições de médio porte com perfil de risco como o do Banco Master. Conforme a apuração, Wagner teria trabalhado pela aprovação da proposta no Senado, de forma semelhante ao que também é atribuído ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). A comunicação entre os intermediários mostra articulação prévia à inclusão da emenda, com detalhes sobre reuniões e contatos diretos com a chefia de gabinete do parlamentar.
O caso ganha relevância também pela posição que o senador ocupava até recentemente. Como líder do governo na Casa, Jaques Wagner era um dos principais articuladores políticos do Planalto no Legislativo. A saída do cargo ocorreu assim que as investigações passaram a envolvê-lo, num movimento que demonstra o impacto institucional do desdobramento. Até o momento, a assessoria de imprensa e o gabinete do senador foram procurados para que se manifestem sobre as acusações, mas ainda não apresentaram resposta oficial.
A divulgação do relatório traz novos elementos para o debate sobre a relação entre atividades políticas e interesses do setor financeiro. O material será um dos pontos analisados na sessão plenária do Supremo marcada para a próxima terça-feira, 15, quando os ministros avaliarão a abertura integral dos autos e a validade dos documentos reunidos. A expectativa é de que as próximas etapas tragham esclarecimentos sobre cada um dos envolvidos e definam os rumos das apurações que já alcançam diferentes esferas de poder.





