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Durante comício em Curitiba, Lula não poupou críticas ao ministro André Mendonça

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou diretamente o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, durante um comício realizado em Curitiba no sábado, 12 de setembro. Ao falar sobre a crise envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Lula acusou o relator de divulgar informações de maneira seletiva e afirmou ter levado essa reclamação ao presidente do STF, Edson Fachin. O discurso também foi marcado por declarações sobre supostas festas promovidas por Vorcaro com a participação de pessoas ligadas à política.

Lula afirmou que havia pedido a Fachin a liberação integral dos processos relacionados ao caso, para que fosse possível identificar todas as pessoas envolvidas nas investigações. Segundo o presidente, a divulgação completa das informações permitiria verificar quem teria cometido irregularidades, e ele declarou que a família Bolsonaro também seria alcançada pelas revelações. A manifestação ocorreu em meio à disputa entre ministros do Supremo sobre o acesso a documentos e sobre a condução das investigações relacionadas ao Banco Master.

Foi nesse contexto que Lula fez a declaração mais contundente do discurso ao mencionar as festas atribuídas a Vorcaro. “Vão começar a aparecer as orgias que ele fazia”, afirmou o presidente, acrescentando que mulheres da Suíça e da Suécia teriam sido levadas para encontros com pessoas da política e dizendo que quem tivesse participado de irregularidades seria desmascarado. A fala repercutiu porque relacionou diretamente as possíveis novas revelações do caso a políticos e integrantes de diferentes setores do poder.

Lula cita festas de Vorcaro e menciona políticos

As declarações sobre as festas ocorreram depois de uma reportagem da revista Piauí, publicada na sexta-feira, 11 de setembro, sobre uma conversa envolvendo Vorcaro e o ex-ministro Fábio Faria. Segundo o relato citado por O Globo, em outubro de 2023 Faria informou ao banqueiro que os senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco, além do ministro Dias Toffoli, compareceriam a uma festa que seria realizada em São Paulo. Na conversa, Faria perguntou sobre a presença de mulheres estrangeiras, e Vorcaro respondeu que elas estariam no evento.

A referência feita por Lula às chamadas “orgias de Vorcaro” ocorreu, portanto, depois da divulgação desse conteúdo jornalístico sobre as festas. O presidente utilizou o episódio para afirmar que a abertura dos processos poderia trazer à tona novas informações sobre relações entre o empresário e pessoas da política. As declarações de Lula, porém, foram feitas em discurso político e não apresentaram, naquele momento, documentos que comprovassem especificamente as acusações sobre a participação de cada pessoa em eventuais irregularidades.

O presidente também aproveitou o comício para voltar a associar o caso do Banco Master ao grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula afirmou que Vorcaro teria sido transformado em banqueiro durante o governo anterior e disse que o empresário teria corrompido pessoas da República. A fala integrou uma estratégia mais ampla do presidente de relacionar as investigações sobre o banco aos seus adversários na disputa eleitoral.

Mendonça é criticado por divulgação de informações

Ao criticar André Mendonça, Lula afirmou que não considerava adequado que o ministro, na condição de relator de investigações, divulgasse apenas informações que fossem de seu interesse. O presidente disse que apresentou essa reclamação a Edson Fachin e defendeu que os processos fossem liberados de maneira ampla para permitir uma análise completa dos fatos. A crítica ocorreu justamente quando Fachin havia assumido para si a condução da discussão sobre a suposta relação entre Alexandre de Moraes e Vorcaro.

A crise entre os ministros também envolve o conteúdo do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal e considerado peça relevante para as investigações. Fachin determinou que a PF prestasse informações sobre o aparelho, enquanto ministros como Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes passaram a cobrar acesso ao material. A discussão sobre o conteúdo do celular se tornou mais um ponto de tensão entre os integrantes da Corte antes da sessão prevista para analisar o caso.

No discurso, Lula defendeu ainda que os ministros do Supremo mantenham um padrão de comportamento acima da média da sociedade. O presidente afirmou que ninguém deveria ocupar uma cadeira na Suprema Corte para ficar rico e comparou a função de ministro a um sacerdócio. A declaração foi feita enquanto o próprio tribunal atravessa uma crise interna provocada pelas divergências sobre os processos ligados ao Banco Master e sobre a relação entre integrantes da Corte e Vorcaro.

Lula também fala sobre INSS, Flávio Bolsonaro e Lulinha

Durante o mesmo comício, Lula voltou a abordar as investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. O presidente afirmou que a Controladoria-Geral da União e a Polícia Federal identificaram durante seu governo uma quadrilha relacionada ao esquema e citou uma informação sobre uma empresa ligada a Flávio Bolsonaro que teria endereço compartilhado com empresas associadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Lula utilizou a informação para voltar a relacionar seu principal adversário na eleição presidencial às investigações sobre o caso.

O presidente também declarou que seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, não seria protegido caso as investigações apontassem alguma irregularidade. A Polícia Federal apura a relação de Lulinha com o chamado “Careca do INSS”, e Lula afirmou que acredita na inocência do filho, mas que ele deveria responder caso tivesse cometido algum erro. Ao tratar do assunto, o presidente estendeu a mesma cobrança aos ministros do Supremo e defendeu que qualquer pessoa investigada deve responder pelos próprios atos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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