Um imóvel que já foi do cunhado de Daniel Vorcaro teria sido usado por Flávio em sua campanha

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) utilizou, durante a campanha eleitoral em São Paulo, um apartamento que havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O imóvel está localizado no edifício l’Adresse, na Vila Nova Conceição, bairro nobre da zona sul paulistana, e foi adquirido posteriormente por uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, que mantém relação próxima com o senador. A informação foi revelada pela revista piauí em reportagem publicada em 16 de setembro de 2026, a partir de registros imobiliários e relatos obtidos pela equipe de reportagem.
Segundo a apuração, Flávio passou alguns dias no apartamento durante a primeira quinzena de agosto, período em que realizou atividades relacionadas à campanha presidencial na capital paulista. No endereço, teriam sido realizadas reuniões com integrantes da equipe, gravações para o horário eleitoral e compromissos ligados à divulgação da candidatura, enquanto podcasts e outras atividades também foram realizados na região da Faria Lima. O comitê eleitoral do candidato ficava a poucos minutos do edifício, o que tornou o imóvel uma localização estratégica para sua agenda na cidade.
A propriedade tem 158,87 metros quadrados, três vagas de garagem e varanda, conforme informações da documentação imobiliária citada nas reportagens. Antes de chegar à empresa de Willer Tomaz, o apartamento havia sido comprado por Fabiano Zettel em abril de 2025 por R$ 5,5 milhões e vendido em fevereiro de 2026 por R$ 3,5 milhões. Dessa forma, a transação representou uma diferença nominal de R$ 2 milhões entre os valores de aquisição e venda, enquanto a relação entre os envolvidos passou a ser observada no contexto das investigações sobre o Banco Master.
Flávio Bolsonaro e o imóvel na Vila Nova Conceição
A trajetória do apartamento passou a chamar atenção porque Fabiano Zettel aparece nas investigações relacionadas a Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Segundo informações atribuídas à Polícia Federal, empresas ligadas a Zettel teriam sido utilizadas em operações relacionadas ao grupo empresarial de Vorcaro, fazendo com que seus negócios fossem incluídos no conjunto de informações analisadas pelas autoridades. O imóvel, entretanto, foi vendido antes de Flávio Bolsonaro utilizá-lo durante sua campanha, e a documentação da transação aponta a empresa WT Administração de Imóveis e Bens, de Willer Tomaz, como compradora.
Willer Tomaz é advogado e mantém uma relação de proximidade com Flávio Bolsonaro há vários anos, segundo informações reunidas pela imprensa. A empresa do advogado adquiriu o apartamento de Zettel em fevereiro de 2026, poucos meses antes da passagem do candidato pelo endereço durante a campanha presidencial. Tomaz, por sua vez, negou ter relação com Zettel ou Vorcaro e afirmou que a negociação imobiliária foi realizada de maneira regular, enquanto a assessoria de Flávio apresentou outra versão sobre a hospedagem do candidato.
A presença de Flávio no apartamento também teria sido percebida por moradores do edifício e por uma funcionária de uma escola próxima ao local. Conforme a reportagem, agentes da Polícia Legislativa realizaram varreduras nas áreas comuns durante a permanência do candidato, e moradores chegaram a solicitar acesso às imagens das câmeras de segurança. As gravações, porém, teriam sido apagadas acidentalmente, segundo informação repassada aos moradores pelo síndico, circunstância que também foi incluída na apuração jornalística.
Venda do apartamento e conexões investigadas
A venda do imóvel ocorreu em 10 de fevereiro de 2026, quando a WT Administração de Imóveis e Bens adquiriu a unidade por R$ 3,5 milhões. O registro da transferência ocorreu posteriormente, em 4 de março, período que coincidiu com uma nova etapa das investigações envolvendo Zettel e com a prisão do empresário, segundo as informações divulgadas pelas reportagens. A diferença de R$ 2 milhões em relação ao preço pago por Zettel na compra anterior representa uma redução nominal de aproximadamente 36% no valor da operação.
Além da negociação imobiliária, o nome de Willer Tomaz aparece em outros episódios que passaram a ser examinados pela imprensa por causa de sua relação com Flávio Bolsonaro. O advogado já foi alvo de busca e apreensão em uma investigação da Polícia Federal relacionada a fraudes em descontos de benefícios do INSS, embora as reportagens ressaltem que ele não é investigado no chamado Caso Master. Tomaz também possui negócios e propriedades em diferentes locais, incluindo empreendimentos e imóveis em Angra dos Reis, onde Flávio Bolsonaro mantém atuação política relacionada a questões de desenvolvimento imobiliário e turístico.
No caso específico do apartamento paulistano, as versões apresentadas pelos envolvidos não são totalmente coincidentes. A reportagem afirma que Tomaz inicialmente negou que Flávio tivesse utilizado seu imóvel, enquanto posteriormente apresentou uma nota na qual negou conhecer Zettel ou Vorcaro e afirmou não ter mantido relações pessoais, comerciais ou societárias com eles, sem responder diretamente à pergunta sobre a utilização do apartamento pelo candidato. A assessoria de Flávio, por outro lado, afirmou que o senador se hospedou apenas em hotéis da região, embora a apuração da piauí tenha reunido relatos que apontam sua presença no edifício.
O que a investigação sobre Flávio Bolsonaro e Vorcaro apura
O episódio ganhou relevância dentro de um conjunto mais amplo de informações sobre as relações financeiras e empresariais que estão sendo examinadas nas investigações envolvendo Daniel Vorcaro. Fabiano Zettel é apontado pela Polícia Federal como pessoa utilizada em operações ligadas ao ex-banqueiro, enquanto Willer Tomaz aparece em outras apurações e possui uma relação conhecida com Flávio Bolsonaro. A utilização do apartamento durante a campanha, portanto, passou a ser mais um elemento documentado pela imprensa sobre a proximidade entre diferentes personagens que aparecem nesse cenário.
Até o momento, a utilização do imóvel durante a campanha não constitui, por si só, uma conclusão de irregularidade por parte de Flávio Bolsonaro. As circunstâncias da hospedagem, a negociação realizada entre Zettel e a empresa de Tomaz e as relações entre os personagens são fatos que estão sendo apresentados separadamente, enquanto eventuais responsabilidades deverão depender de provas e das conclusões das autoridades competentes. A apuração jornalística também registra as negativas apresentadas pelos envolvidos, deixando em aberto questões sobre a finalidade do uso do apartamento e sobre as circunstâncias que levaram o imóvel a ser utilizado durante a campanha.
O caso acrescenta uma nova dimensão às informações que vêm sendo divulgadas sobre a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e sua relação com pessoas que aparecem nas investigações sobre o Banco Master. Agora, a atenção está concentrada não apenas na movimentação financeira envolvendo Vorcaro e seus antigos aliados empresariais, mas também em imóveis, empresas e relações pessoais que conectam diferentes personagens. Conforme novas informações sejam incorporadas às investigações, a origem das transações e a finalidade das relações deverão ser esclarecidas pelos documentos oficiais e pelas autoridades responsáveis pelos procedimentos.





