Ministério Público de São Paulo disse que pode haver ligação do PCC com campanhas eleitorais

O Ministério Público de São Paulo aponta que o Primeiro Comando da Capital, o PCC, teria atuado no financiamento de campanhas eleitorais e na articulação de apoio político no estado. As informações foram obtidas durante a investigação que resultou na Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17). Segundo o MP, diálogos encontrados em celulares apreendidos mencionam campanhas eleitorais e possíveis aportes financeiros ligados à organização criminosa.
Entre os nomes citados na investigação está Danilo Morgado, candidato a deputado estadual pelo PL e que disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2020. Também aparece José Ronaldo Alves de Sales, ex-funcionário da Assembleia Legislativa de São Paulo, apontado pelos investigadores como um possível mediador das relações mencionadas nas conversas. Os dois foram presos durante a operação realizada nesta quinta-feira.
De acordo com o Ministério Público, as mensagens analisadas indicariam a participação de integrantes do PCC na definição e na interrupção de aportes financeiros destinados a campanhas. Os diálogos também fariam referência à busca por apoio político e a contatos com advogados e empresários. As informações integram uma investigação em andamento e representam suspeitas apresentadas pelas autoridades, que ainda deverão ser analisadas no decorrer do processo.
Investigação aponta financiamento político pelo PCC
A apuração indica que a atuação investigada não estaria limitada ao transporte coletivo, mas também alcançaria campanhas para cargos municipais. Segundo o MP, foram identificados elementos relacionados às eleições para prefeitos e vereadores de 2024, além de referências à campanha de Danilo Morgado. A investigação procura esclarecer a origem dos recursos e a eventual participação de integrantes da organização criminosa nas movimentações.
Os investigadores também analisam possíveis articulações para obtenção de apoio político em diferentes municípios paulistas. Conforme a CNN Brasil, as mensagens extraídas dos aparelhos apreendidos mencionam interlocuções com empresários e advogados, além de integrantes do Poder Legislativo. A partir desses dados, o Ministério Público passou a investigar uma possível estrutura de influência política associada ao grupo criminoso.
A Operação Vectura Corrupta cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes cidades de São Paulo. A ação tem como um dos focos a suspeita de infiltração do PCC em empresas de transporte coletivo e suas possíveis conexões com estruturas políticas. Ao todo, foram expedidos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão, segundo as informações divulgadas pelo Ministério Público e pela CNN.
Danilo Morgado aparece entre os investigados
Danilo Morgado está entre os alvos da operação e foi preso nesta quinta-feira, enquanto disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo pelo PL. A investigação cita a campanha dele à Prefeitura de Praia Grande e analisa possíveis recursos que teriam sido destinados à disputa eleitoral. A eventual responsabilidade criminal do candidato ainda dependerá do avanço das investigações e das decisões judiciais.
José Ronaldo Alves de Sales também foi preso durante a operação e é citado nas apurações como possível intermediador das relações envolvendo o financiamento político. Segundo o Ministério Público, os diálogos encontrados nos celulares apreendidos fazem referência a ele e à campanha de Morgado. Os investigadores também analisam possíveis contatos entre os envolvidos e outras pessoas ligadas ao setor empresarial e político.
Outro alvo da operação é Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo e integrante do União Brasil. Ele foi alvo de mandado de prisão, mas não havia sido localizado no momento inicial da ação e afirmou que estava viajando, negando as acusações e dizendo que pretendia se apresentar às autoridades. A investigação relacionada a Leite também envolve suspeitas sobre sua eventual relação com empresas de transporte e com interesses atribuídos ao PCC.
Operação também investiga empresas de ônibus
A investigação sobre o financiamento eleitoral está relacionada a uma apuração mais ampla envolvendo o setor de transporte coletivo de São Paulo. Segundo o Ministério Público, o PCC teria utilizado intermediários ou pessoas apontadas como laranjas para exercer controle sobre 12 das 22 empresas de ônibus da capital. As autoridades também investigam possíveis movimentações financeiras e negociações envolvendo veículos utilizados no transporte público.
Conforme as informações divulgadas sobre a operação, as empresas teriam sido utilizadas em uma estrutura investigada por lavagem de dinheiro e outras atividades atribuídas ao crime organizado. A apuração também busca esclarecer como os recursos teriam circulado entre empresas, pessoas físicas e campanhas eleitorais. Até o momento, essas informações são apresentadas como hipóteses investigativas e ainda não representam uma conclusão judicial definitiva sobre os envolvidos.





