Campanha de Flávio busca novas pontes com o STF e com isso evita críticas a Fachin

A campanha de Flávio Bolsonaro adotou uma estratégia mais seletiva em relação às críticas dirigidas ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente diante do agravamento das divergências internas na Corte. O senador e candidato do PL à Presidência continua utilizando a crise envolvendo Alexandre de Moraes como um dos principais temas de sua campanha, mas passou a preservar determinados ministros considerados importantes para futuras interlocuções. Nesse cenário, Edson Fachin e Gilmar Mendes foram mantidos fora da linha direta de ataques, enquanto a ofensiva política permanece concentrada em Moraes e nos ministros indicados por Luiz Inácio Lula da Silva.
A mudança ocorre depois da sessão realizada pelo STF em 15 de setembro, quando os ministros discutiram questões relacionadas a um relatório da Polícia Federal que menciona diálogos atribuídos a Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. O julgamento não chegou ao exame do mérito sobre uma eventual investigação contra Moraes, porque Flávio Dino pediu vista e suspendeu a análise do processo, que poderá retornar ao plenário dentro do prazo regimental. Segundo informações divulgadas sobre a estratégia da campanha, a avaliação interna passou a ser a de que o confronto com o Supremo precisa ser administrado de maneira mais específica, sem romper todos os canais de diálogo.
A postura também aparece em um momento no qual Flávio Bolsonaro tenta transformar a crise institucional em tema central de sua campanha eleitoral de 2026. Durante agenda em Juazeiro do Norte, no Ceará, nesta quarta-feira (16), o candidato voltou a associar Lula aos ministros indicados pelo presidente e afirmou que, sem esses integrantes no Supremo, “a democracia vive”. A declaração foi feita um dia depois de uma sessão marcada por divergências entre ministros, interrupções e discussões sobre a condução dos processos relacionados ao caso Master.
Campanha de Flávio deve poupar Fachin enquanto mantém pressão sobre Moraes
A decisão de preservar Fachin ocorre justamente porque o ministro ocupa uma posição estratégica dentro do Supremo como presidente da Corte. Na sessão de 15 de setembro, Fachin conduziu os trabalhos enquanto era discutida uma questão de ordem relacionada à possibilidade de reunir os procedimentos envolvendo Moraes e André Mendonça, sendo que o colegiado acabou tendo a análise suspensa pelo pedido de vista de Dino. Segundo o próprio STF, a Petição 16.662, relacionada ao relatório da Polícia Federal sobre Moraes, tem origem em informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, enquanto outro processo trata de alegações envolvendo Mendonça.
Além de Fachin, Gilmar Mendes também passou a ser tratado com cautela pela campanha de Flávio, apesar de o ministro ter participado ativamente das discussões que antecederam a suspensão do julgamento. Gilmar defendeu que os procedimentos relacionados a Moraes e Mendonça fossem analisados conjuntamente e apresentou argumentos sobre a necessidade de uma avaliação mais abrangente das autoridades mencionadas nos documentos. Dessa forma, a posição do ministro dentro do debate do STF não significa alinhamento automático com Flávio Bolsonaro, mas explica por que sua atuação passou a ser acompanhada com atenção pela campanha.
Paralelamente, auxiliares de Flávio começaram a buscar novas audiências com ministros do Supremo para a próxima semana, embora as datas ainda não estejam confirmadas. A movimentação demonstra que, apesar do discurso duro adotado publicamente, também está sendo considerada uma estratégia de preservação de canais institucionais com integrantes da Corte. Assim, a campanha tenta combinar a exploração eleitoral da crise com a manutenção de contatos que poderão ser utilizados em futuras discussões entre um eventual governo e o Judiciário.
Campanha de Flávio amplia críticas, mas mantém canais de diálogo no STF
O contraste entre discurso público e articulação institucional ficou evidente nesta quarta-feira, quando Flávio voltou a criticar os ministros indicados por Lula durante sua passagem pelo Ceará. O candidato afirmou que “quem está votando em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, reforçando uma estratégia de campanha que procura aproximar o presidente da República das decisões e controvérsias envolvendo o Supremo. A associação entre Lula e Moraes vem sendo utilizada pelo candidato como argumento político para discutir a composição futura da Corte e apresentar sua candidatura como alternativa ao atual cenário institucional.
Enquanto o discurso eleitoral permanece direcionado principalmente a Lula e Moraes, a articulação com outros ministros ocorre de maneira mais reservada. Na segunda-feira, véspera da sessão extraordinária, os advogados criminalistas Matteus Macedo e Tracy Reinaldet estiveram no Supremo e, segundo interlocutores, foram ao gabinete de Fachin, embora a assessoria da Corte tenha informado que o presidente do STF não os recebeu naquele dia. O episódio passou a ser observado dentro da movimentação política e jurídica que antecedeu o julgamento, ainda que não exista confirmação pública de que a visita tenha resultado em uma audiência com o ministro.
A crise no Supremo ganhou novas dimensões durante a sessão de terça-feira, que foi marcada por divergências sobre a condução dos processos e pela discussão sobre a separação ou reunião dos casos envolvendo Moraes e Mendonça. O STF informou que o mérito da Petição 16.662 não chegou a ser analisado, porque o plenário ainda discutia uma questão de ordem quando Dino pediu vista. Com isso, uma eventual decisão sobre a abertura de investigação contra Moraes permanece pendente, enquanto as divergências internas da Corte continuam sendo acompanhadas pelo meio político e jurídico.
Crise no STF coloca estratégia eleitoral de Flávio sob atenção
A situação coloca a campanha de Flávio diante de uma circunstância em que o discurso político e a relação institucional precisam ser administrados simultaneamente. De um lado, a crise envolvendo Moraes oferece ao candidato um tema de forte presença em seus discursos e permite que sejam retomadas críticas à atuação do Supremo e às indicações feitas por Lula. De outro, a busca por audiências com ministros indica que a campanha também pretende preservar possibilidades de interlocução com a Corte, especialmente em um período de intensa disputa política e institucional.
O cenário ainda poderá mudar conforme o julgamento seja retomado e novas informações relacionadas ao caso Master sejam apresentadas ao Supremo. Por enquanto, o processo permanece suspenso pelo pedido de vista de Flávio Dino, enquanto Fachin continua na presidência da Corte e diferentes posições seguem sendo apresentadas pelos ministros sobre a tramitação dos procedimentos. Nesse contexto, a estratégia adotada pela campanha de Flávio combina críticas públicas direcionadas a determinados integrantes do STF com uma tentativa de manter abertas as portas de diálogo com outros ministros, deixando os próximos movimentos condicionados aos novos desdobramentos da crise.





