Candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, disse se há negociações com o governo norte-americano sobre as eleições

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, do PL, negou nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, que esteja recebendo ajuda do governo dos Estados Unidos para disputar as eleições brasileiras. A declaração foi dada após a divulgação de informações sobre uma comunicação do governo de Donald Trump envolvendo o processo eleitoral no Brasil. Flávio afirmou que não existem negociações entre sua campanha e autoridades norte-americanas para interferência ou apoio direto no pleito.
A manifestação ocorreu em meio às discussões sobre a relação entre os governos brasileiro e norte-americano e sobre a eleição presidencial de 2026. Um documento enviado pelos Estados Unidos às autoridades brasileiras em 2025 havia condicionado negociações comerciais à participação de chamados “dissidentes políticos” nas eleições, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. O governo brasileiro considerou a exigência inaceitável e recusou negociar nesses termos.
Flávio também comentou a atuação de integrantes de seu grupo político nos Estados Unidos e negou que esse contato represente uma operação de apoio eleitoral organizada pelo governo de Trump. O senador afirmou que mantém relações políticas com autoridades norte-americanas, mas diferenciou esses contatos de uma eventual ajuda oficial à sua candidatura. A declaração foi dada em um momento de novas discussões sobre a influência norte-americana na política brasileira.
Flávio Bolsonaro nega apoio oficial dos Estados Unidos
A negativa de Flávio Bolsonaro ocorreu depois que documentos e declarações públicas voltaram a colocar a relação entre a política brasileira e o governo Trump no centro do debate. Segundo a Folha, o documento americano enviado em 2025 fazia referência à participação de opositores políticos nas eleições brasileiras. A informação foi associada às negociações comerciais entre os dois países, que também envolveram as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
O candidato também afirmou que não há negociação com o governo norte-americano para interferir no processo eleitoral brasileiro. A declaração contrasta com manifestações de integrantes de seu grupo político que buscaram apoio ou interlocução com autoridades dos Estados Unidos durante a crise entre os dois países. Entre essas iniciativas está a atuação de Eduardo Bolsonaro, que declarou ter levado a autoridades americanas argumentos sobre o processo eleitoral brasileiro.
As relações entre os dois países passaram por novos episódios de tensão ao longo de 2026, especialmente em razão das tarifas comerciais e de manifestações de integrantes do governo Trump sobre assuntos internos brasileiros. Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro tem defendido uma aproximação com os Estados Unidos e criticado a política externa adotada pelo governo brasileiro. As posições foram apresentadas pelo candidato em diferentes manifestações públicas durante a campanha.
Governo dos EUA e eleição brasileira entram no debate
A discussão sobre eventual interferência estrangeira ganhou novos elementos após a divulgação de informações sobre anúncios políticos direcionados ao público brasileiro e financiados a partir dos Estados Unidos. Um estudo da organização Eko apontou que anúncios políticos falsos produzidos com inteligência artificial foram submetidos à Meta e teriam violado regras eleitorais brasileiras, embora a empresa tenha afirmado que eles não chegaram a ser exibidos aos usuários. O episódio foi analisado separadamente das declarações de Flávio sobre eventual apoio oficial do governo americano.
Também houve manifestações de integrantes do governo brasileiro sobre declarações recentes de autoridades norte-americanas relacionadas ao combate ao crime organizado no Brasil. Segundo a Folha, integrantes do Ministério da Justiça e da Polícia Federal avaliaram que algumas críticas feitas pelo governo Trump poderiam ter caráter político-eleitoral. Essa interpretação foi atribuída aos integrantes ouvidos pela reportagem e não representa uma conclusão oficial sobre a motivação das autoridades americanas.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem defendido que o Brasil mantenha relações próximas com os Estados Unidos e criticado decisões do governo Lula relacionadas à política externa. Em declaração recente, o candidato afirmou que considera importante o alinhamento com grandes democracias e contestou a condução diplomática adotada pelo atual governo. Essas posições fazem parte de suas manifestações públicas sobre política internacional durante a campanha presidencial.
Eleições de 2026 têm participação internacional no debate
A eleição presidencial brasileira está marcada para 4 de outubro de 2026, e a relação com os Estados Unidos passou a ocupar espaço nas discussões sobre política externa dos candidatos. Levantamentos recentes mostram que diferentes campanhas apresentam propostas distintas sobre a relação do Brasil com Estados Unidos, China, Brics e outras organizações internacionais. A Folha ouviu candidatos e representantes de cinco das principais campanhas sobre essas questões.
No caso de Flávio Bolsonaro, a campanha tem defendido uma política externa mais próxima dos Estados Unidos e criticado medidas adotadas pelo governo Lula. A negativa sobre eventual ajuda oficial norte-americana foi apresentada especificamente em resposta às informações recentes sobre a atuação do governo Trump e sua relação com as eleições brasileiras. Até o momento, a declaração de Flávio é de que não existe esse tipo de apoio ou negociação com o governo dos Estados Unidos.





