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Filho de Nunes Marques tem 25 anos e seus investimentos ultrapassam R$ 27 milhões

O caso Banco Master ganhou um novo capítulo após o nome do advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, aparecer em mensagens apreendidas pela Polícia Federal durante as investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Aos 25 anos, Kevin passou a ser citado em meio a questionamentos sobre pagamentos, relações profissionais e um processo relacionado à investigação que permanece no gabinete do ministro. A situação também levou um grupo de senadores a pedir que Nunes Marques deixe a relatoria de uma ação ligada ao caso, que está sem decisão desde março de 2026.

Kevin Marques é advogado e foi aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil em fevereiro de 2024, abrindo seu escritório em Brasília seis meses depois. Apesar do pouco tempo de carreira, documentos mencionados pelo Estado de Minas apontam que ele possui R$ 27,7 milhões aplicados em fundos de investimento, informação que passou a chamar atenção no contexto das apurações sobre o Banco Master. Paralelamente, o advogado afirma que não prestou serviços diretamente para o banco e nega ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro.

A polêmica aumentou depois que mensagens extraídas do celular de Vorcaro mencionaram um possível pagamento mensal de R$ 500 mil associado ao nome de Kevin. Os registros, entretanto, não comprovam isoladamente que esse valor tenha sido efetivamente pago ao advogado, e sua defesa nega que ele tenha recebido recursos do ex-controlador do Banco Master. Ao mesmo tempo, Kevin confirmou ter recebido R$ 281,6 mil da empresa Consult Inteligência Tributária por serviços jurídicos, afirmando que esse trabalho não tinha relação com o Supremo Tribunal Federal.

Caso Banco Master envolve pagamentos e empresa de consultoria

A ligação profissional que aparece nas investigações envolve a Consult Inteligência Tributária, empresa sediada em Teresina, no Piauí, que manteve relações comerciais com o Banco Master. Segundo dados de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, a Consult recebeu R$ 6,6 milhões do banco entre agosto de 2024 e julho de 2025, enquanto os pagamentos feitos ao escritório de Kevin Marques somaram R$ 281,6 mil em 11 operações. O Coaf classificou as movimentações da consultoria como incompatíveis com a capacidade financeira declarada pela empresa, que havia informado faturamento de R$ 25,5 mil.

As mensagens analisadas pela Polícia Federal acrescentaram outra dimensão ao episódio porque o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, teria encaminhado a Vorcaro uma planilha na qual apareciam o nome e o telefone de Kevin. Em julho de 2025, segundo os registros divulgados, Rennó perguntou se deveria ser mantido um pagamento de R$ 500 mil por mês relacionado ao advogado, enquanto outras mensagens mencionaram a expressão “consult”, aparentemente em referência à empresa de consultoria. Embora os diálogos estejam sendo utilizados nas apurações, a defesa de Kevin sustenta que ele não recebeu valores do Banco Master nem de Vorcaro.

A Consult, por sua vez, afirmou anteriormente que contratou Kevin para serviços de assessoria jurídica e informou que os pagamentos feitos ao advogado correspondiam a R$ 25 mil mensais durante aproximadamente 11 meses. A empresa também declarou ter prestado serviços de auditoria e consultoria tributária para grupos empresariais, enquanto os dados do Coaf apontaram que suas movimentações financeiras incluíram recursos provenientes do Banco Master e da JBS. Dessa forma, a investigação passou a analisar não apenas os valores recebidos por Kevin, mas também a estrutura de pagamentos existente entre o banco, a consultoria e os profissionais contratados.

Nunes Marques é questionado sobre relatoria ligada ao Master

A presença do nome de Kevin nas apurações também trouxe consequências para o ministro Kassio Nunes Marques, que já havia se declarado impedido em um processo relacionado ao caso. De acordo com o Estado de Minas, porém, o magistrado permaneceu como relator de outro mandado de segurança relacionado ao mesmo tema, que está parado em seu gabinete desde março deste ano. Diante desse cenário, os senadores Alessandro Vieira, Damares Alves, Eduardo Girão, Magno Malta e Marcos Pontes pediram, em 17 de setembro, que Nunes Marques também deixe essa segunda relatoria.

O pedido dos parlamentares ocorreu depois da divulgação das mensagens que associam o nome de Kevin a um possível pagamento mensal de R$ 500 mil. Nunes Marques já negou ter votado a favor do Banco Master e afirmou que seu filho nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro, enquanto Kevin também rejeita ter mantido relação profissional direta com o banco. Portanto, as informações disponíveis até agora apresentam acusações e questionamentos em investigação, mas não estabelecem, por si só, que o advogado tenha recebido os valores mencionados nas conversas.

O caso se tornou ainda mais amplo porque outros ministros do STF e seus familiares também passaram a ser mencionados em documentos e mensagens relacionados ao Banco Master. As investigações e reportagens recentes citaram, em contextos diferentes, os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, além de familiares de integrantes da Corte, embora as circunstâncias e as respostas apresentadas em cada episódio sejam distintas. Por isso, as informações precisam ser analisadas individualmente, já que a simples menção de um nome em mensagens ou documentos não constitui comprovação de irregularidade.

O que acontece agora no caso Banco Master

As novas informações deverão ser consideradas no andamento das investigações sobre o Banco Master, especialmente porque documentos apreendidos pela Polícia Federal estão sendo analisados para esclarecer a origem e o destino de diferentes pagamentos. No caso específico de Kevin Marques, a principal questão envolve a diferença entre os valores mencionados nas mensagens de Vorcaro e Rennó e os R$ 281,6 mil que o advogado reconhece ter recebido da Consult por serviços jurídicos. A apuração deverá determinar se existe alguma relação entre essas movimentações ou se elas correspondem a operações profissionais distintas, como sustenta a defesa.

Enquanto isso, o pedido para afastar Nunes Marques da relatoria permanece como uma questão relacionada à condução judicial de processos derivados da investigação. A situação também deverá ser acompanhada à medida que novas informações forem incorporadas ao inquérito e que os envolvidos apresentem suas explicações sobre as mensagens, contratos e transferências identificados. Até que essas apurações sejam concluídas, as suspeitas e os questionamentos envolvendo Kevin Marques, o Banco Master e o ministro devem ser tratados como parte de uma investigação em andamento, sem que alegações sejam apresentadas como fatos definitivamente comprovados.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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