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Lula promete disponibilizar canetas emagrecedoras no SUS, apesar do alerta feito por um comitê de saúde do governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que pretende disponibilizar gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) as chamadas canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade. A declaração foi feita em 17 de setembro de 2026, durante uma agenda em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, onde Lula visitou o complexo industrial da Eurofarma ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O anúncio ocorreu mesmo depois de uma avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) apontar impacto financeiro de até R$ 6,8 bilhões em cinco anos para uma das alternativas analisadas.

A medida ainda depende da definição dos critérios que serão utilizados para determinar quais pacientes poderão receber os medicamentos pela rede pública. Segundo o Ministério da Saúde, a proposta será estruturada com base em estudos, acompanhamento médico e um protocolo clínico específico para o uso dos medicamentos contra a obesidade. Dessa forma, a distribuição não foi apresentada como uma oferta indiscriminada das chamadas canetas para toda a população.

Durante o evento, Lula afirmou que a medicação deverá ser utilizada por pessoas que tenham indicação médica e necessidade relacionada à saúde. O ministro Alexandre Padilha explicou que o governo avalia principalmente pacientes que estão na fila para cirurgia bariátrica, pessoas com obesidade associada a problemas cardíacos e outros grupos que possam obter benefícios clínicos com o tratamento. Enquanto isso, o governo também trabalha para ampliar a produção nacional e reduzir os custos dos medicamentos.

Lula libera canetinhas no SUS e define critérios para tratamento

A proposta do governo está relacionada aos medicamentos conhecidos como análogos de GLP-1, utilizados no tratamento da obesidade e que incluem substâncias como a semaglutida. O Ministério da Saúde informou que atualmente existem 14 produtos registrados no Brasil para o combate à obesidade e destacou que o aumento da concorrência já provocou redução dos preços encontrados nas farmácias. Segundo Padilha, produtos que anteriormente custavam entre R$ 1,7 mil e R$ 2 mil passaram a ser encontrados na faixa de R$ 300 a R$ 400 em determinados casos.

O governo também apresentou como parte da estratégia a fabricação nacional dos medicamentos, especialmente após o fim da patente da semaglutida no Brasil em 2026. De acordo com o Ministério da Saúde, empresas nacionais e internacionais foram chamadas para avaliar a capacidade de produção no país e a Eurofarma está entre as companhias envolvidas nesse processo. A intenção declarada pela pasta é combinar ampliação do acesso, desenvolvimento industrial e avaliação dos resultados clínicos para definir como os tratamentos serão incorporados ao SUS.

Ao mesmo tempo, a Conitec havia apresentado uma avaliação diferente para uma proposta de incorporação analisada anteriormente. Segundo o UOL, o estudo considerou dados fornecidos pela fabricante Novo Nordisk e apontou um impacto financeiro de até R$ 6,8 bilhões em cinco anos, além de incertezas relacionadas à duração do tratamento e à quantidade de pacientes que poderiam ser atendidos. A análise também indicava que a utilização deveria ser concentrada em pessoas com obesidade grave e determinadas doenças cardiovasculares.

Canetinhas no SUS entram em debate sobre custo e acesso

A avaliação econômica se tornou um dos principais pontos da discussão porque os medicamentos podem exigir uso prolongado e acompanhamento médico contínuo. A Conitec considerou, na análise mencionada pelo UOL, que o custo acumulado poderia alcançar R$ 6,8 bilhões em cinco anos, dependendo da estratégia de incorporação e do público atendido. Esse cálculo ajuda a explicar por que a definição de critérios clínicos e econômicos deverá ser considerada antes da implementação nacional da medida.

Apesar da estimativa, o governo federal afirma que pretende disponibilizar os medicamentos de forma responsável e dentro de protocolos médicos. Padilha declarou que a pasta está conduzindo estudos para avaliar quais pacientes poderão ser beneficiados e informou que o primeiro paciente de um estudo realizado pelo Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, já havia apresentado perda de seis quilos após iniciar o tratamento. O estudo Real-Bari deverá acompanhar 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças.

A proposta também foi apresentada no contexto de uma estratégia mais ampla de enfrentamento da obesidade no sistema público de saúde. Lula já havia defendido anteriormente que as canetas fossem destinadas a pessoas que realmente necessitassem do tratamento, associando o uso dos medicamentos à mudança de hábitos, alimentação e atividade física. Portanto, a iniciativa anunciada pelo governo combina tratamento medicamentoso, acompanhamento médico e definição de protocolos para estabelecer os grupos que terão acesso aos produtos.

Lula libera canetinhas no SUS e governo prepara protocolo

O governo ainda não informou uma data definitiva para que as canetas emagrecedoras comecem a ser distribuídas nacionalmente pelo SUS. O Ministério da Saúde informou que está conduzindo estudos e preparando um protocolo clínico que deverá estabelecer as condições para utilização dos medicamentos na rede pública. Assim, o anúncio presidencial representa uma diretriz política para ampliar o acesso, mas a operacionalização dependerá da conclusão das avaliações técnicas e da definição dos critérios de atendimento.

A medida foi anunciada no mesmo dia em que Lula comunicou o reajuste do Bolsa Família, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro. No caso das canetas, entretanto, o governo ainda precisa definir como será financiada a incorporação e qual será o público inicialmente atendido, diante das estimativas de impacto apresentadas nas avaliações técnicas. Com isso, o debate sobre as canetinhas no SUS passa a envolver simultaneamente acesso ao tratamento, critérios médicos, produção nacional e custo para os cofres públicos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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