Presidente Lula disse que o Brasil não voltará a ser colônia e que irá até os EUA conversar com Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende se encontrar pessoalmente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante sua viagem a Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas. A declaração foi feita na quinta-feira, 17 de setembro de 2026, durante uma passagem por Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, onde o presidente participou de compromissos e discursos públicos. Segundo Lula, caso encontre o presidente norte-americano, ele pretende pedir diretamente que os Estados Unidos não interfiram nas eleições brasileiras.
Lula afirmou que deverá embarcar para os Estados Unidos no fim de semana e que aproveitará a viagem para tratar pessoalmente do assunto com Trump. Em sua declaração, o presidente brasileiro relacionou a defesa da soberania nacional à realização das eleições e afirmou que pretende deixar clara sua posição diante do chefe do governo norte-americano. O encontro entre os dois presidentes, entretanto, ainda dependia da confirmação da agenda bilateral durante a passagem de Lula por Nova York.
A manifestação ocorreu em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos, especialmente por causa das tarifas aplicadas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros. Ao mesmo tempo, os dois países mantiveram canais de negociação e Lula e Trump haviam conversado por telefone em agosto, quando trataram da retomada das discussões comerciais. Na ocasião, segundo o governo brasileiro, a conversa durou cerca de uma hora e vinte minutos e ocorreu em tom considerado cordial pelo Palácio do Planalto.
Lula sobe o tom antes da viagem aos Estados Unidos
Durante o discurso em Montes Claros, Lula também utilizou referências históricas para reforçar a defesa da soberania brasileira. O presidente citou Tiradentes, personagem associado à Inconfidência Mineira, e afirmou que o Brasil aprendeu com ele o significado da independência. Na mesma fala, Lula declarou que o país não voltaria a ser uma colônia e relacionou essa posição ao debate sobre possíveis interferências externas na política nacional.
A declaração ocorreu às vésperas da participação de Lula na Assembleia Geral da ONU, evento no qual o presidente brasileiro tradicionalmente realiza o primeiro discurso entre os chefes de Estado. Em entrevista concedida no dia anterior, Lula havia afirmado que abordaria temas como economia mundial, guerras e a necessidade de mudanças na composição do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O presidente também disse que, apesar das divergências políticas e comerciais, mantém uma relação pessoal positiva com Trump.
A relação entre os dois governos passou por diferentes momentos ao longo de 2026, incluindo medidas comerciais e tentativas de reabertura do diálogo. Em agosto, Lula telefonou para Trump para discutir as tarifas impostas às exportações brasileiras e defendeu a retomada das negociações entre as equipes dos dois países. Posteriormente, representantes brasileiros e norte-americanos voltaram a programar reuniões para tratar das questões comerciais e dos efeitos das tarifas sobre as relações econômicas entre as duas nações.
Tarifas e eleições entram no centro da relação Brasil-EUA
As tarifas impostas pelo governo Trump constituem um dos principais pontos de tensão entre Brasília e Washington em 2026. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, representantes dos dois países mantiveram tratativas para discutir as medidas e seus efeitos, enquanto novas reuniões presenciais foram programadas para o fim de setembro e o início de outubro. Paralelamente, o governo brasileiro adotou medidas de apoio a empresas afetadas pelas tarifas norte-americanas.
O tema eleitoral passou a integrar de maneira mais direta os discursos de Lula durante sua agenda em Minas Gerais. No discurso em Montes Claros, o presidente afirmou que pediria a Trump para não interferir na eleição brasileira, em uma referência direta ao processo eleitoral que ocorrerá no país em 2026. A declaração foi feita em um contexto no qual Lula busca a reeleição e o cenário político brasileiro já conta com disputas entre diferentes grupos e candidaturas.
Além da questão eleitoral, Lula também tem utilizado a defesa da soberania brasileira em manifestações sobre a política externa. Em entrevista à Rádio Itatiaia, o presidente afirmou que o Brasil não se curvaria a pressões externas e declarou que a soberania e a democracia brasileiras não seriam objeto de intervenção estrangeira. Na mesma ocasião, Lula afirmou que mantém uma relação pessoal positiva com Trump, embora tenha atribuído parte das divergências recentes a integrantes do governo norte-americano, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio.
Lula e Trump podem se encontrar durante a Assembleia da ONU
A viagem de Lula aos Estados Unidos ocorrerá para sua participação na Assembleia Geral das Nações Unidas, marcada para 22 de setembro, em Nova York. O presidente brasileiro deverá cumprir uma agenda internacional durante a passagem pela cidade, enquanto a possibilidade de uma conversa com Trump passou a ganhar destaque após a declaração feita em Montes Claros. Até o momento, a confirmação de um encontro bilateral depende da programação oficial dos dois governos.
Caso a reunião aconteça, os dois presidentes terão uma oportunidade de tratar diretamente de temas que já foram discutidos por telefone e por equipes diplomáticas e comerciais. Entre os assuntos presentes na relação bilateral estão as tarifas norte-americanas, as negociações comerciais, a soberania brasileira e a posição dos governos diante das eleições de 2026. A declaração de Lula indica que a questão eleitoral deverá ser apresentada pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos, caso o encontro seja realizado.





