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Lula vai ao Rio e revela estratégia para enfrentar avanço do crime organizado

No Rio, Lula reforça defesa da PEC da Segurança e atuação policial

No Rio, Lula reforça defesa da PEC da Segurança Pública e de uma atuação mais integrada das forças policiais no combate ao crime organizado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta sexta-feira (18), de uma agenda no Complexo da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro, onde representantes das forças federais, estaduais e municipais apresentaram medidas voltadas à segurança pública. Durante o discurso, Lula voltou a defender uma divisão mais clara das responsabilidades entre União, estados, Distrito Federal e municípios, além do compartilhamento de informações e da ampliação da inteligência policial. Nesse contexto, o presidente afirmou que o país precisa construir uma política capaz de atacar simultaneamente a estrutura financeira das organizações criminosas, sua capacidade logística e o domínio territorial exercido por facções em determinadas regiões. Além disso, foram destacadas ações específicas para o Rio de Janeiro, estado que enfrenta há décadas problemas relacionados à presença de grupos criminosos armados e à disputa por territórios.

No Rio, Lula reforça defesa da PEC da Segurança Pública

A PEC da Segurança Pública, formalmente identificada como PEC 18/2025, tornou-se um dos principais projetos defendidos pelo governo para reorganizar a cooperação federativa no setor. A proposta prevê, entre outros pontos, a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública na Constituição, maior integração entre os órgãos responsáveis pelo enfrentamento à criminalidade e mudanças relacionadas ao financiamento da área. O texto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados e avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado no início de setembro. Entretanto, a tramitação não foi concluída naquele momento, e a matéria ainda precisa cumprir as etapas legislativas necessárias antes de uma eventual promulgação. Portanto, quando Lula defende a PEC como instrumento para estabelecer com maior clareza o papel de cada ente federativo, ele apresenta a posição política de seu governo sobre a proposta. Ao mesmo tempo, senadores podem modificar o conteúdo durante a tramitação, e eventuais alterações relevantes podem exigir nova análise parlamentar.

Integração policial é apresentada como estratégia contra organizações criminosas

Durante a agenda, Lula também defendeu o trabalho das forças policiais e afirmou que uma nova política nacional de segurança precisa estabelecer mecanismos de coordenação que funcionem independentemente das divisões administrativas. Além disso, criticou decisões judiciais que, segundo ele, resultam na libertação de criminosos e afirmou que essa discussão precisa ser feita com o Judiciário. Essa crítica representa a posição manifestada pelo presidente e não significa que decisões de soltura sejam, por si só, inadequadas, já que prisões e medidas cautelares dependem da análise das circunstâncias de cada processo. Paralelamente, o governo federal vem defendendo uma estratégia de integração entre diferentes instituições. O programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em maio, prevê fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, ações de investigação financeira e recuperação de ativos, além de operações coordenadas. Dessa forma, a lógica apresentada pelo Executivo é atacar não somente integrantes das organizações, mas também suas fontes de financiamento e estruturas de comando.

Governo quer recuperar territórios dominados pelo crime organizado

Outro eixo destacado por Lula foi a recuperação de áreas nas quais organizações criminosas exercem forte influência. Segundo o presidente, a estratégia federal está baseada em sufocar a logística das facções, retomar o controle territorial e aumentar a capacidade dos municípios de participar da política de segurança. No Rio de Janeiro, essa abordagem ganhou medidas específicas por meio de acordos entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o governo estadual. Entre as prioridades estão a proteção de corredores estratégicos da região metropolitana, incluindo Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela, além das rotas de acesso aos aeroportos e ao porto. Nesse sentido, informações produzidas por diferentes instituições deverão ser compartilhadas para orientar operações e investigações. A iniciativa, portanto, procura ampliar a integração operacional e reduzir a fragmentação entre órgãos públicos. Contudo, seus resultados dependerão da execução prática das ações, dos recursos disponibilizados e da capacidade de cooperação contínua entre governos e instituições de segurança.

Projeto das 138 unidades prisionais já está em implementação

Lula também voltou a mencionar o projeto destinado a elevar o padrão de segurança de 138 unidades prisionais consideradas estratégicas no país. Diferentemente do que sugere o texto inicial da notícia, porém, a iniciativa não está condicionada exclusivamente a uma eventual reeleição presidencial. O projeto Padrão Segurança Máxima já integra o programa Brasil Contra o Crime Organizado e recebeu investimentos federais para modernização tecnológica, capacitação de policiais penais e instalação de equipamentos. As 138 unidades foram selecionadas a partir de critérios técnicos e informações de inteligência penitenciária. Além disso, segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais, ações de capacitação e modernização já começaram a ser realizadas em diferentes estados. O objetivo declarado pelo governo é dificultar a comunicação e a atuação de lideranças criminosas a partir do sistema prisional. Portanto, trata-se de uma política que já entrou em fase de implementação, embora sua conclusão dependa de várias etapas e da cooperação entre União e administrações estaduais.

Lula também diverge de Trump sobre classificação de facções

Durante o mesmo evento, Lula voltou a mencionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao rejeitar a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A divergência envolve principalmente a forma jurídica e política de enquadrar grupos como PCC e Comando Vermelho. Lula argumentou que o crime organizado deve ser enfrentado com rigor, porém rejeitou a equiparação defendida pelo governo americano. Além disso, ao comentar o conceito de terrorismo, o presidente brasileiro fez acusações políticas relacionadas à tentativa de ruptura institucional no Brasil e mencionou Jair Bolsonaro. Essas declarações devem ser entendidas como posições de Lula, e não como uma definição jurídica automaticamente aplicável a todos os fatos citados em seu discurso. Dessa forma, embora segurança pública tenha sido o tema principal da agenda no Rio, o evento também evidenciou divergências diplomáticas entre Brasília e Washington sobre os instrumentos considerados adequados para combater organizações criminosas.

No Rio, Lula reforça defesa de uma política nacional integrada

Por fim, No Rio, Lula reforça defesa de uma estratégia que procura colocar a integração institucional no centro da política de segurança pública. A PEC 18/2025 representa a dimensão constitucional dessa proposta, enquanto o programa Brasil Contra o Crime Organizado reúne medidas operacionais já anunciadas pelo Executivo. Ao mesmo tempo, projetos voltados à modernização das 138 unidades prisionais, ao compartilhamento de inteligência e à recuperação de territórios representam frentes complementares da estratégia governamental. Entretanto, a PEC ainda depende da continuidade da tramitação no Congresso, e os resultados das demais ações precisarão ser avaliados com base em indicadores concretos de segurança pública. Consequentemente, o encontro realizado em Irajá serviu tanto para apresentar iniciativas em andamento quanto para reforçar a defesa política do governo por mudanças estruturais no setor. No Rio de Janeiro, onde a atuação de organizações criminosas permanece como um dos principais desafios das autoridades, a capacidade de transformar coordenação institucional em resultados práticos será uma das medidas relevantes para avaliar a eficácia dessa estratégia.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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