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Presidente Lula deve mandar recado para os Estados Unidos durante discurso na ONU, mas sem citar Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo, 20 de setembro, para Nova York, onde participará da abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. A viagem ocorre a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras e será realizada em meio a um cenário de tensão nas relações entre o Brasil e os Estados Unidos. Segundo a colunista Mariana Sanches, do UOL, a participação de Lula na ONU deverá combinar a agenda diplomática internacional com mensagens que também poderão repercutir entre os eleitores brasileiros.

O discurso de Lula está previsto para terça-feira, 22 de setembro, seguindo a tradição de o Brasil ser o primeiro país a falar na abertura do debate geral da Assembleia. Entre os assuntos que deverão aparecer estão a defesa do multilateralismo, a soberania nacional, a cooperação internacional contra o crime organizado e críticas à aplicação de tarifas comerciais. Além disso, a expectativa é de que o presidente defenda o respeito às eleições brasileiras e rejeite interferências externas no processo eleitoral.

A viagem também acontece em um momento delicado da relação entre Brasília e Washington, após medidas comerciais e sanções adotadas pelo governo Donald Trump contra interesses brasileiros e integrantes do Judiciário. Lula já afirmou publicamente que pretende dizer a Trump para não interferir nas eleições brasileiras, embora não exista, até o momento, uma reunião bilateral formal entre os dois presidentes confirmada. Dessa maneira, a passagem por Nova York deverá ser acompanhada não apenas pela comunidade internacional, mas também pelo ambiente político brasileiro.

Lula parte para NY mirando soberania e relação com os EUA

Um dos principais pontos previstos para o discurso de Lula é a defesa da soberania dos países e da não interferência externa em assuntos internos. O tema ganhou importância diante da possibilidade de novas manifestações do governo americano sobre a política brasileira e da proximidade entre a eleição presidencial e a viagem do presidente. Assim, uma mensagem dirigida à comunidade internacional também poderá ser interpretada politicamente dentro do Brasil, especialmente pelos eleitores que acompanham a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Outro assunto que deverá receber atenção é a política comercial dos Estados Unidos, principalmente depois da imposição de tarifas sobre produtos brasileiros. Lula tem associado essas medidas a questões políticas envolvendo o Brasil, enquanto o governo americano apresentou suas próprias justificativas para as decisões adotadas por Washington. Nesse contexto, o presidente brasileiro deverá defender o diálogo entre os países e criticar medidas comerciais que considera incompatíveis com uma relação equilibrada entre as duas nações.

A relação entre Lula e Trump também poderá ganhar destaque caso os dois presidentes se encontrem durante a programação da ONU. Não há uma reunião bilateral confirmada, mas os discursos estão previstos em sequência, o que poderá proporcionar um contato informal entre os dois líderes nos corredores ou nas áreas reservadas do plenário. A mesma situação ocorreu em 2025, quando uma conversa rápida entre os presidentes abriu espaço para novos contatos diplomáticos posteriormente.

Viagem de Lula a Nova York ocorre em meio à campanha eleitoral

A proximidade das eleições de outubro transforma a viagem internacional em um compromisso que terá repercussões também na política brasileira. Lula deverá utilizar sua participação na ONU para defender posições tradicionais de sua política externa, como o fortalecimento das instituições multilaterais, a reforma do Conselho de Segurança e a busca por soluções diplomáticas para conflitos internacionais. Ao mesmo tempo, temas relacionados à soberania e às eleições brasileiras poderão ser acompanhados de perto pelos eleitores durante a reta final da campanha.

A agenda internacional também inclui questões como as guerras em Gaza, Ucrânia e Sudão, além de mudanças climáticas, conservação ambiental e governança global. Segundo informações divulgadas sobre a preparação do discurso, Lula deverá reforçar a necessidade de cooperação entre os países diante de conflitos e problemas que ultrapassam as fronteiras nacionais. Portanto, embora a eleição brasileira esteja presente no contexto político da viagem, a fala presidencial também será inserida em uma agenda internacional ampla.

Fora da programação da ONU, Lula deverá cumprir reuniões bilaterais e outros compromissos diplomáticos durante uma permanência inferior a dois dias completos em Nova York. Uma das agendas consideradas é um encontro com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, que mantém posições críticas em relação ao presidente Donald Trump. Mais de 30 autoridades demonstraram interesse em reuniões bilaterais, embora parte desses encontros ainda não estivesse confirmada no momento da preparação da viagem.

Lula e Trump podem voltar a se encontrar durante a Assembleia da ONU

A possibilidade de um novo contato entre Lula e Trump é acompanhada com atenção porque a relação entre os dois governos passou por diferentes momentos de tensão desde 2025. Além das disputas comerciais, o governo brasileiro vem manifestando preocupação com possíveis interferências externas na eleição de 2026 e com manifestações de integrantes da política americana sobre assuntos internos do país. Por isso, qualquer encontro entre os presidentes durante a Assembleia Geral poderá receber grande repercussão no Brasil e no exterior.

A viagem ocorre ainda depois de Lula ter afirmado que pretende abordar diretamente a questão eleitoral durante sua passagem pela ONU. Segundo declarações do presidente, a mensagem será de que os Estados Unidos não devem interferir na escolha dos brasileiros nas urnas, enquanto o discurso oficial deverá apresentar essa questão dentro de uma defesa mais ampla da soberania nacional. Dessa forma, a presença de Lula em Nova York reunirá diplomacia, relações comerciais e temas diretamente relacionados à política brasileira.

A Assembleia Geral de 2026 também reunirá dezenas de chefes de Estado e de governo em um momento de discussões sobre guerras, economia, mudanças climáticas, inteligência artificial e o futuro das instituições multilaterais. Lula será o primeiro chefe de Estado a discursar no debate geral, enquanto Trump deverá falar logo depois, mantendo uma sequência que tradicionalmente coloca os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos no início da programação. Com isso, a passagem do presidente brasileiro por Nova York deverá concentrar atenção internacional e, simultaneamente, ser acompanhada como parte da reta final das eleições brasileiras de 2026.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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