Ex-governador Aécio neves estará concorrendo ao Senado por Minas Gerais

Aécio Neves confirmou a candidatura ao Senado por Minas Gerais nas eleições de 2026, mudando uma decisão anunciada poucas semanas antes de que não disputaria nenhum cargo eletivo neste ano. O anúncio foi feito na sexta-feira, 28 de agosto, na sede do PSDB, em Belo Horizonte, depois de uma série de articulações envolvendo dirigentes partidários, prefeitos e aliados políticos. Com a mudança de posição, a corrida pelas duas vagas de senador no estado passou a contar com um dos nomes mais conhecidos da política mineira.
A decisão de Aécio ocorreu em meio a uma movimentação dentro da coligação formada por PSDB e PDT, que precisava reorganizar suas candidaturas ao Senado. Marcelo Heringer, do PDT, retirou sua candidatura, enquanto Gustavo Galassi, do PSDB, também deixou o caminho aberto para que o presidente nacional tucano assumisse a disputa. Dessa maneira, Aécio passou a integrar a chapa que apoia Alexandre Kalil na corrida pelo governo de Minas Gerais.
O retorno de Aécio Neves à disputa eleitoral ganhou peso porque sua trajetória política está diretamente ligada à história recente de Minas Gerais. Ex-governador do estado e ex-senador, ele também foi deputado federal por vários mandatos e chegou ao segundo turno da eleição presidencial de 2014, quando perdeu para Dilma Rousseff. Agora, sua candidatura ao Senado representa uma tentativa de retornar ao cargo que ocupou entre 2011 e 2019 e de recuperar espaço em uma disputa considerada bastante concorrida.
Aécio Neves mudou de decisão após pressão política
Inicialmente, Aécio havia afirmado que não pretendia disputar as eleições de 2026 e que concentraria sua atuação na presidência nacional do PSDB. Entretanto, a possibilidade de uma candidatura começou a ganhar força depois que prefeitos, empresários e integrantes de partidos aliados passaram a defender publicamente sua entrada na corrida pelo Senado. Segundo relatos divulgados após o anúncio, a pressão política foi acompanhada por uma avaliação de que sua presença poderia fortalecer a chapa em Minas.
O próprio Aécio apresentou a mudança como uma resposta à situação política e econômica enfrentada pelo estado. Entre os argumentos utilizados pelo tucano esteve a necessidade de ampliar a articulação de Minas Gerais em Brasília, principalmente em discussões relacionadas à dívida estadual com a União. Nesse contexto, o Senado foi apontado como um espaço estratégico para defender os interesses mineiros durante as negociações envolvendo o equilíbrio das contas públicas.
A entrada do ex-governador também alterou o cálculo eleitoral de partidos que já estavam mobilizados pela disputa das duas cadeiras disponíveis. Como apenas dois senadores serão eleitos em Minas Gerais, uma quantidade elevada de candidaturas aumenta a competição e torna cada grupo político obrigado a disputar espaços semelhantes do eleitorado. Por isso, a candidatura de Aécio passou a ser analisada como um movimento capaz de mexer principalmente com os nomes posicionados no centro e na centro-direita.
Aécio Neves entrou em uma disputa acirrada em Minas
O cenário encontrado por Aécio não era simples, pois pesquisas divulgadas antes de sua confirmação mostravam uma disputa bastante fragmentada. Levantamento do Real Time Big Data divulgado em 28 de agosto apontou Marília Campos, do PT, na liderança com 24%, seguida por Carlos Viana e Domingos Sávio, ambos com 13%, enquanto Marcelo Aro apareceu com 12%. A pesquisa ouviu 2 mil pessoas entre 22 e 26 de agosto e teve margem de erro de dois pontos percentuais.
Outra pesquisa, realizada pelo instituto Quaest, também indicou Marília Campos na primeira posição, mas apresentou percentuais diferentes para os demais concorrentes. Nesse levantamento, a petista registrou 15%, enquanto Carlos Viana e Domingos Sávio apareceram com 8% cada, e Marcelo Aro ficou com 6%, em um cenário que ainda apresentava 31% de eleitores indecisos. Assim, a entrada de Aécio ocorreu em uma corrida na qual uma parcela expressiva do eleitorado ainda não havia definido seus votos.
A trajetória anterior de Aécio ajuda a explicar o impacto de sua candidatura no cenário mineiro. Ele foi governador de Minas Gerais entre 2003 e 2010, senador entre 2011 e 2019 e candidato à Presidência da República em 2014, quando chegou ao segundo turno contra Dilma Rousseff. Desde então, sua carreira passou por um período de desgaste político, mas ele permaneceu como uma liderança importante do PSDB e continuou exercendo mandato de deputado federal.
O que a candidatura de Aécio pode provocar
A candidatura de Aécio Neves ao Senado acrescentou um componente de peso à eleição mineira porque o tucano possui conhecimento amplo entre os eleitores e uma trajetória construída durante décadas. Ao mesmo tempo, sua entrada poderá provocar uma redistribuição de votos entre candidatos que disputam o mesmo espaço político, principalmente aqueles que dependem do eleitorado de centro e centro-direita. O efeito concreto dessa mudança, contudo, somente poderá ser medido com novas pesquisas realizadas após a confirmação da candidatura.
A decisão também recolocou Aécio no centro da política eleitoral de Minas Gerais em um momento de forte disputa pelo Senado. Depois de inicialmente optar por permanecer nos bastidores, o tucano voltou ao jogo eleitoral com o argumento de que poderia exercer um papel relevante na defesa dos interesses do estado em Brasília. Agora, sua candidatura deverá ser testada nas urnas em outubro, em uma corrida na qual duas vagas estarão em disputa e diversos nomes ainda buscam conquistar a preferência dos mineiros.





