Últimas Notícias

Deputado Nikolas Ferreira criticou a decisão de Alexandre de Moraes, de mandar apreender o passaporte de Flávio Bolsonaro

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu à derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial com uma mensagem direcionada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Lula ganhou, Moraes voltou”, escreveu o parlamentar em um story publicado no Instagram na terça-feira, 27 de outubro, relacionando o resultado eleitoral à atuação do magistrado. A manifestação ocorreu após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer o segundo turno e depois que Moraes determinou a apreensão dos passaportes de Flávio.

A publicação de Nikolas ganhou repercussão em meio à movimentação política provocada pela derrota do senador, que disputou a Presidência contra Lula. O deputado também havia publicado uma mensagem na rede social X na noite de segunda-feira, 26 de outubro, afirmando: “São tão previsíveis: pregam democracia, mas não toleram oposição”. As declarações expressaram críticas de Nikolas à atuação do Judiciário e à decisão judicial que impôs restrições à saída de Flávio do território brasileiro.

A manifestação foi noticiada pelo Estado de Minas, que contextualizou a reação do deputado com a derrota eleitoral e a decisão do ministro do STF. O caso passou a reunir dois acontecimentos de grande repercussão política: a vitória de Lula nas urnas e a viagem de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, apesar da determinação judicial envolvendo seus documentos de viagem. A situação também provocou manifestações de outros integrantes do PL, com questionamentos sobre a medida adotada pelo magistrado e sobre os fundamentos apresentados pela Polícia Federal.

Nikolas Ferreira critica Alexandre de Moraes após resultado eleitoral

A frase publicada por Nikolas associou diretamente a vitória de Lula à atuação de Alexandre de Moraes, ministro que conduz diferentes investigações envolvendo integrantes do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado não apresentou, na mensagem reproduzida pela reportagem, uma explicação detalhada sobre a relação que estabeleceu entre o resultado eleitoral e a atuação do magistrado. A publicação, no entanto, ocorreu no mesmo período em que a decisão sobre os passaportes de Flávio provocava críticas entre aliados do senador.

Na mensagem divulgada na segunda-feira, Nikolas afirmou que adversários políticos seriam contraditórios ao defenderem a democracia e, ao mesmo tempo, não aceitarem a oposição. A declaração foi publicada antes da manifestação do dia seguinte, na qual o parlamentar resumiu sua reação à derrota de Flávio com a frase sobre Lula e Moraes. As duas publicações foram feitas em meio à reorganização do campo bolsonarista depois do segundo turno e às discussões sobre a atuação da oposição nos próximos anos.

A decisão judicial que provocou a reação dos aliados de Flávio foi tomada na noite de domingo, 25 de outubro, após um pedido da Polícia Federal (PF). Segundo a reportagem do Estado de Minas, a representação policial foi assinada digitalmente às 21h16, sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral confirmar a derrota do senador, às 21h09. A proximidade entre os horários foi questionada por aliados de Flávio, enquanto a Polícia Federal apresentou fundamentos relacionados a investigações em andamento e ao risco de saída do país.

Polícia Federal apresentou fundamentos para apreensão dos passaportes

Entre os elementos mencionados pela Polícia Federal estavam informações sobre a relação de Flávio Bolsonaro com o advogado Willer Tomaz e uma declaração feita por Eduardo Bolsonaro em um podcast no dia 23 de outubro. Na ocasião, Eduardo afirmou que seria favorável a que o irmão deixasse o país caso não vencesse a eleição presidencial. A PF também apontou a ligação de Flávio com uma conta da empresa Alcazar Holding, mantida por Tomaz em Portugal, como parte dos elementos apresentados para justificar o pedido.

De acordo com a reportagem, Willer Tomaz é investigado em dois inquéritos relacionados a suspeitas de irregularidades financeiras, incluindo apurações derivadas da operação Sem Desconto e uma investigação sobre possíveis operações envolvendo recursos da Loterj. A matéria informou que Flávio figurou como usuário master da conta da Alcazar Holding até maio de 2025 e que a investigação envolvendo o senador ainda estava em fase inicial. Esses elementos foram citados no contexto dos fundamentos apresentados pela Polícia Federal, sem representar, por si só, comprovação de culpa dos investigados.

Moraes acolheu o pedido e determinou que Flávio entregasse os passaportes, além de proibi-lo de deixar o Brasil. O senador contestou a medida em um vídeo publicado na segunda-feira e questionou a relação entre a decisão e a derrota eleitoral, afirmando que nunca havia declarado que sairia do país caso perdesse a disputa. A reportagem também informou que, até a chegada de Flávio aos Estados Unidos, não havia sido expedido mandado de prisão contra ele.

Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos após derrota para Lula

Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na terça-feira, 27 de outubro, segundo informações divulgadas pela imprensa com base em relatos de fontes ouvidas pelo Correio Braziliense. A viagem ocorreu depois da decisão judicial que determinou a apreensão dos passaportes e a proibição de deixar o país, situação que ampliou a repercussão política do caso. A Polícia Federal comunicou a Moraes sobre a saída do senador, e a movimentação poderá ser considerada pelo ministro na avaliação dos próximos passos do processo.

Integrantes da campanha do PL criticaram a decisão judicial e apontaram possível motivação política, enquanto a Polícia Federal sustentou o pedido com elementos ligados a investigações e ao risco de saída do país. Flávio, por sua vez, negou ter afirmado que deixaria o Brasil caso perdesse a eleição e questionou a medida adotada pelo ministro. Nesse cenário, a frase de Nikolas Ferreira, “Lula ganhou, Moraes voltou”, tornou-se uma das manifestações públicas de aliados do senador após o resultado eleitoral e a viagem aos Estados Unidos.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *