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Após divulgação do vídeo de Moraes em jatinho de Vorcaro, alguns ex-ministros do STF decidiram pronunciar

A divulgação de um vídeo que mostra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, desembarcando de um jatinho ligado ao empresário Daniel Vorcaro voltou a provocar manifestações de ex-integrantes da Corte. O registro, divulgado neste domingo, mostra Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, chegando ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em agosto de 2025. O episódio reacendeu entre antigos ministros a defesa de que a relação entre o magistrado e o ex-banqueiro seja analisada pelas instituições competentes.

O caso ganhou novos elementos depois que o escritório de Viviane confirmou ter contratado serviços de táxi aéreo da Prime Aviation, empresa que teve Vorcaro entre seus sócios. A banca afirmou, porém, que as contratações seguiram critérios operacionais e negou que houvesse vínculo pessoal com os proprietários das aeronaves ou com os operadores. Também informou que Moraes acompanhou a esposa em algumas das viagens realizadas pelos profissionais do escritório.

A discussão ocorre em um momento em que o Supremo já analisa a possibilidade de investigação sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. O caso chegou ao plenário depois que mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro indicaram contatos com um número atribuído ao ministro. A apuração também envolve informações sobre a relação profissional entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane.

Vídeo amplia repercussão sobre viagens

O vídeo divulgado neste fim de semana mostra Moraes e Viviane desembarcando da aeronave em 22 de agosto de 2025. Naquele período, o ministro participou de um evento empresarial no Rio de Janeiro, enquanto o avião utilizado no deslocamento era operado pela Prime Aviation. A empresa havia tido Vorcaro como sócio, o que colocou o registro no centro da discussão sobre os contatos entre os envolvidos.

A divulgação das imagens também trouxe novamente à discussão uma declaração anterior de Moraes sobre o assunto. O ministro havia negado ter viajado em aeronaves de Vorcaro, enquanto o escritório de Viviane posteriormente reconheceu que contratou serviços de táxi aéreo da Prime Aviation. Segundo a banca, a escolha da aeronave utilizada em cada deslocamento cabia à empresa de aviação contratada.

Além das viagens, a Polícia Federal identificou mensagens trocadas entre Vorcaro e um número atribuído a Moraes antes da prisão do empresário. Segundo a Agência Brasil, foram identificadas cerca de 50 mensagens, e o conteúdo passou a integrar o caso analisado pelo Supremo. O ministro não é relator da investigação sobre o Banco Master e, desde o início da divulgação das conversas, não se pronunciou especificamente sobre o conteúdo das mensagens.

Relação com o Banco Master também é analisada

Outro ponto do caso envolve a relação profissional entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. A banca prestou serviços jurídicos à instituição financeira, e informações divulgadas anteriormente apontaram para um contrato de aproximadamente R$ 130 milhões. Os serviços foram suspensos após a liquidação do Banco Master.

A existência do contrato passou a ser considerada no contexto mais amplo das apurações sobre Vorcaro e suas relações com diferentes autoridades e empresários. As mensagens encontradas no telefone do ex-banqueiro foram encaminhadas ao Supremo depois que o ministro André Mendonça, antigo relator do caso Master, retirou o sigilo do material. A partir disso, o presidente da Corte, Edson Fachin, passou a conduzir a análise do procedimento.

No julgamento realizado em setembro, os ministros também discutiram questões relacionadas à própria forma como as mensagens foram obtidas e analisadas. Cristiano Zanin defendeu que não seria possível examinar a eventual investigação sobre Moraes sem analisar previamente a legalidade de medidas adotadas por Mendonça. A Procuradoria-Geral da República também apresentou manifestação questionando a forma como a apuração envolvendo o ministro foi conduzida.

Ex-ministros defendem análise institucional do caso

Com a divulgação das novas imagens, ex-ministros do Supremo voltaram a defender que os fatos sejam examinados dentro dos mecanismos institucionais disponíveis. A discussão envolve tanto os registros das viagens quanto as mensagens encontradas pela Polícia Federal e a relação profissional existente entre o Banco Master e o escritório de Viviane. O objetivo da análise, nesse contexto, é esclarecer as circunstâncias dos contatos e dos deslocamentos mencionados nos documentos e registros públicos.

O episódio permanece, portanto, relacionado a diferentes elementos que estão sendo examinados pelas autoridades, sem que a divulgação do vídeo, por si só, estabeleça uma conclusão sobre eventual irregularidade. O escritório de Viviane sustenta que contratou os serviços de táxi aéreo dentro de critérios operacionais e nega vínculo pessoal com Vorcaro. Já a discussão no Supremo envolve a possibilidade e os limites de uma investigação sobre a relação entre o ministro e o ex-banqueiro.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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