Flávio Bolsonaro é investigado sobre financiamento do filme Dark Horse

Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito que apura a origem e a movimentação de recursos destinados à produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em julho, depois que a Polícia Federal apresentou pedido para aprofundar as apurações sobre os repasses associados ao longa-metragem. O caso ganhou novos contornos nesta semana, após a divulgação de informações sobre outras investigações relacionadas à produção e às pessoas envolvidas em sua realização.
O nome do senador aparece no procedimento por causa de contatos mantidos com Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, em torno da obtenção de recursos para o filme. Flávio confirmou que procurou o empresário em busca de patrocínio e sustenta que a negociação envolvia dinheiro privado destinado exclusivamente à produção cinematográfica. Entretanto, a origem, o caminho e a eventual destinação dos valores passaram a ser examinados pela Polícia Federal dentro do inquérito relatado por Mendonça.
A apuração ocorre paralelamente a outra frente investigativa envolvendo Dark Horse, que foi alvo de uma operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Flávio Dino. Nessa investigação, são examinadas suspeitas de uso irregular de emendas parlamentares, possíveis desvios de recursos públicos e movimentações financeiras relacionadas a entidades e empresas ligadas à produção do filme. Assim, embora os procedimentos tenham objetos distintos, diferentes linhas de investigação passaram a convergir sobre o mesmo projeto cinematográfico.
Flávio Bolsonaro e a investigação sobre Dark Horse
O inquérito conduzido por Mendonça foi aberto especificamente para esclarecer os repasses atribuídos a Vorcaro e sua eventual relação com o financiamento de Dark Horse. Segundo informações divulgadas durante a investigação, o filme teria recebido valores milionários associados ao ex-banqueiro, que teria atendido ao pedido de Flávio Bolsonaro para contribuir com a produção. A Polícia Federal passou a verificar, portanto, se as operações financeiras ocorreram de acordo com a finalidade declarada e se houve outras pessoas ou estruturas envolvidas na movimentação.
Um dos elementos que motivaram a investigação foi a existência de mensagens e gravações nas quais Flávio aparece conversando com Vorcaro sobre dinheiro para o longa. O senador reconheceu que fez o pedido, mas afirmou que se tratava de uma tentativa de conseguir patrocínio privado para um filme sobre a trajetória de seu pai. A versão apresentada por Flávio é confrontada, no entanto, com a necessidade de esclarecer a origem dos recursos, os caminhos utilizados para os repasses e a participação de eventuais intermediários.
A apuração também alcançou transferências internacionais relacionadas ao financiamento do filme. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, o doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, apontou em acordo de delação os repasses de dinheiro de Vorcaro para o Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos. O fundo é administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro, o que levou a Polícia Federal a analisar se parte desses recursos teve outras destinações além das despesas declaradas da produção.
Investigação de Dark Horse ganha novos desdobramentos
O caso ganhou força depois que outras irregularidades passaram a ser apuradas em torno das entidades relacionadas ao filme. Uma operação realizada pela Polícia Federal em setembro investiga suspeitas de desvio de emendas parlamentares, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e possíveis irregularidades em contratos públicos. Entre os investigados está o deputado Mário Frias, enquanto Karina Ferreira da Gama, ligada à produção, também passou a ser alvo das apurações.
Relatórios analisados pelas autoridades apontaram ainda movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo organizações que receberam recursos públicos e empresas ligadas à produção cinematográfica. Entre os casos examinados está o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama, que manteve contratos e recebeu recursos provenientes de emendas parlamentares. A Polícia Federal investiga se parte desse dinheiro foi desviada de sua finalidade original e posteriormente utilizada, direta ou indiretamente, para custear despesas relacionadas a Dark Horse.
Apesar da conexão temática entre as investigações, Flávio Bolsonaro não é apontado como alvo da operação conduzida por Dino sobre o suposto uso irregular de recursos públicos. O senador é investigado em procedimento separado, sob relatoria de André Mendonça, cujo foco está nos repasses associados ao Banco Master e na forma como o financiamento privado do filme foi estruturado. Flávio nega qualquer irregularidade e afirma que os recursos destinados ao longa foram privados e utilizados para a finalidade informada.
O que pode acontecer com Flávio Bolsonaro no caso Dark Horse
A investigação no STF ainda deverá esclarecer se houve alguma irregularidade nos recursos destinados ao filme e qual foi exatamente a participação de cada pessoa envolvida nas operações financeiras. Para isso, documentos, mensagens, transferências bancárias e informações obtidas no Brasil e no exterior deverão ser confrontados pela Polícia Federal, enquanto novas diligências poderão ser determinadas conforme o avanço do inquérito. Até o momento, a existência da investigação não significa que Flávio Bolsonaro tenha sido condenado ou que as suspeitas tenham sido comprovadas judicialmente.
O caso Dark Horse, portanto, passou a reunir diferentes investigações que examinam tanto recursos privados quanto possíveis verbas públicas relacionadas à produção. Enquanto Mendonça acompanha a apuração sobre os aportes atribuídos a Vorcaro, Dino conduz a frente relacionada às suspeitas envolvendo emendas e contratos públicos, criando duas linhas que poderão produzir novos desdobramentos judiciais. Com isso, o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro permanece sob análise das autoridades, e a situação de Flávio Bolsonaro dependerá das conclusões que forem alcançadas durante a investigação.





