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Eduardo Bolsonaro usou as redes sociais para celebrar a pressão que deputados europeus estão fazendo contra Moraes

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro reagiu à iniciativa de três parlamentares do Parlamento Europeu que pediram à União Europeia uma análise sobre possíveis medidas contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A movimentação ocorreu na segunda-feira, 21 de setembro de 2026, quando os eurodeputados Adam Bielan e Mariusz Kamiński, da Polônia, e Carlo Fidanza, da Itália, encaminharam uma carta à alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas. O documento também solicitou atenção especial ao processo eleitoral brasileiro previsto para outubro.

Eduardo Bolsonaro celebrou a iniciativa em suas redes sociais e voltou a fazer críticas contundentes ao ministro Alexandre de Moraes e ao Supremo Tribunal Federal. Na publicação, o ex-deputado utilizou as expressões “gangue de Moraes” e “tirania cleptocrática” para caracterizar, segundo sua própria avaliação política, o grupo de autoridades que ele associa à atuação do ministro. Essas expressões fazem parte da manifestação de Eduardo e não constituem uma conclusão oficial da União Europeia sobre Moraes ou sobre o STF.

A iniciativa europeia ocorre em um momento de forte repercussão internacional das disputas envolvendo o Supremo Tribunal Federal, Jair Bolsonaro, seus aliados e o processo eleitoral brasileiro. Além disso, o caso ganhou novos elementos depois que os parlamentares europeus incluíram na carta referências ao Banco Master, a Daniel Vorcaro e a um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O escritório informou que prestou consultoria jurídica ao Banco Master e que não atuou em processos da instituição perante o Supremo.

Gangue de Moraes: eurodeputados pedem análise da União Europeia

Na carta encaminhada a Kaja Kallas, os três parlamentares solicitaram que o Serviço Europeu para a Ação Externa faça uma avaliação das alegações relacionadas a Alexandre de Moraes e também examine a atuação do Supremo em processos que os signatários consideram politicamente sensíveis. Entre os temas mencionados estão liberdade de expressão, garantias do devido processo legal, pluralismo político e outros direitos fundamentais. Além disso, foi solicitado que eventual aplicação de medidas europeias seja considerada somente caso sejam identificadas evidências consideradas críveis pelas instituições responsáveis.

O documento também citou as medidas que haviam sido adotadas anteriormente pelos Estados Unidos contra Moraes, utilizando o regime de sanções conhecido como Global Magnitsky. Os parlamentares europeus defenderam que a União Europeia avalie se as condutas atribuídas ao ministro poderiam eventualmente se enquadrar no regime europeu de sanções relacionado a violações de direitos humanos. Entretanto, até o momento, a carta representa a posição dos três eurodeputados que a assinaram, e não uma decisão institucional da União Europeia.

Outro ponto destacado pelos parlamentares foi a eleição brasileira de 2026, cujo primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Os eurodeputados pediram um acompanhamento considerado por eles próximo e independente do processo eleitoral, incluindo votação, apuração, acesso à imprensa, tratamento concedido aos candidatos, remoção de conteúdos políticos e decisões judiciais capazes de afetar campanhas. Dessa maneira, a solicitação europeia não ficou restrita à situação de Alexandre de Moraes, mas também foi relacionada às condições em que a disputa eleitoral brasileira será realizada.

Eduardo Bolsonaro amplia pressão internacional contra Moraes

A manifestação de Eduardo Bolsonaro ocorre depois de o ex-deputado já ter buscado apoio internacional para medidas contra integrantes do Supremo. Em setembro, ele voltou a atuar em Washington em defesa da retomada de sanções americanas contra Moraes e declarou à Reuters que pretendia apresentar novamente essa reivindicação durante contatos nos Estados Unidos. A movimentação demonstra que a atuação internacional contra decisões e integrantes do STF continua sendo utilizada por Eduardo como uma das principais frentes de sua atividade política.

A pressão internacional também ganhou força depois das medidas anteriormente adotadas pelo governo dos Estados Unidos contra Alexandre de Moraes. Segundo informações divulgadas pela Reuters, Eduardo pretendia defender novamente a aplicação do regime Global Magnitsky contra o ministro, enquanto disputas relacionadas às decisões do Supremo continuavam sendo debatidas no cenário político brasileiro. Paralelamente, o caso envolvendo o Banco Master passou a ser mencionado em discussões internacionais relacionadas às acusações e questionamentos apresentados contra Moraes.

No Brasil, a situação de Eduardo Bolsonaro também sofreu mudanças importantes desde o início dessa atuação internacional. O ex-deputado teve o mandato perdido em dezembro de 2025 por excesso de faltas às sessões deliberativas e, posteriormente, foi condenado pelo Supremo a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, segundo informações divulgadas em setembro. Além disso, ele permaneceu nos Estados Unidos enquanto continuava participando de articulações políticas relacionadas ao governo americano e às eleições brasileiras.

Pressão europeia ocorre antes das eleições de 2026

A carta dos parlamentares europeus também ganhou relevância pelo momento em que foi apresentada, já que o primeiro turno das eleições brasileiras ocorrerá em pouco menos de duas semanas. Os signatários defenderam que o processo seja acompanhado de maneira independente e citaram diferentes etapas da eleição, desde a votação e a apuração até a divulgação dos resultados e as condições de participação dos candidatos. Assim, a iniciativa passou a envolver não apenas questionamentos sobre Alexandre de Moraes, mas também uma discussão mais ampla sobre o funcionamento das instituições brasileiras durante o período eleitoral.

Apesar da repercussão política, a iniciativa dos três eurodeputados ainda não representa uma decisão da União Europeia contra Alexandre de Moraes. O pedido precisará ser analisado pelas estruturas competentes do bloco, enquanto eventuais medidas dependeriam dos procedimentos e dos critérios previstos pelas instituições europeias. Portanto, qualquer consequência concreta para o ministro ou para autoridades brasileiras dependerá de decisões posteriores e não pode ser considerada definida a partir da carta apresentada em 21 de setembro.

A reação de Eduardo Bolsonaro, por sua vez, recolocou a expressão “gangue de Moraes” no centro do debate político nas redes sociais e associou a movimentação europeia à estratégia internacional que vem sendo defendida pelo ex-deputado. Ao mesmo tempo, os parlamentares europeus apresentaram seus próprios argumentos e pedidos, incluindo a análise de alegações sobre direitos fundamentais, atuação do Judiciário e acompanhamento das eleições brasileiras. O episódio, portanto, acrescentou mais um capítulo à disputa política e institucional que envolve o STF e setores ligados ao bolsonarismo.

Nos próximos dias, a atenção deverá se concentrar na eventual resposta da diplomacia europeia à solicitação apresentada pelos três parlamentares. Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro deverá continuar utilizando seus canais políticos e internacionais para defender suas posições contra Alexandre de Moraes, em uma atuação que já havia alcançado autoridades dos Estados Unidos. O desenrolar da iniciativa europeia dependerá, contudo, das avaliações formais das instituições da União Europeia e de eventuais decisões que venham a ser tomadas posteriormente.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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