Donald Trump foi o segundo a discursar na ONU nesta terça-feira, dia 22 de setembro

Donald Trump fez um discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira, 22 de setembro, logo após a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu pronunciamento, o presidente dos Estados Unidos mencionou países da América Latina e afirmou que Washington poderá utilizar seu poderio militar para defender os interesses e a segurança norte-americanos. A declaração ocorreu durante a abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.
Trump afirmou que as ações dos Estados Unidos na Venezuela demonstrariam que o país não permitiria que ameaças se estabelecessem no Hemisfério Ocidental. Segundo o presidente americano, se necessário, os EUA utilizariam seu poderio militar para garantir interesses considerados vitais para a segurança do país. A fala foi acompanhada por referências ao petróleo venezuelano e à atuação norte-americana na região.
O discurso ocorreu pouco depois de Lula defender, também na ONU, a soberania dos países latino-americanos e criticar o que chamou de ingerência externa em processos eleitorais. O presidente brasileiro afirmou que o Brasil não caberia no “quintal de ninguém” e defendeu maior integração entre os países da região. Embora Trump não tenha citado Lula diretamente nesse trecho, os dois discursos trataram de questões relacionadas à soberania e à atuação das grandes potências nas Américas.
Trump cita Venezuela, Cuba e combate aos cartéis
Durante sua fala, Trump também abordou a situação da Venezuela e dos cartéis de drogas que atuam na região. O presidente americano comparou os grupos criminosos ao Estado Islâmico e defendeu uma atuação mais dura contra organizações que, segundo ele, representam ameaças à segurança dos Estados Unidos. A declaração ocorreu em meio à política de Washington de ampliar as ações contra organizações criminosas classificadas pelo governo americano como terroristas.
Trump também falou sobre Cuba e afirmou que o regime do país estaria em processo de colapso. Segundo ele, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, estaria conduzindo negociações com Havana, embora o governo cubano não tenha confirmado publicamente os termos mencionados pelo presidente. Durante a fala de Trump sobre a situação cubana, a delegação de Cuba deixou o plenário da Assembleia Geral.
Ao tratar da América Latina, Trump também defendeu uma atuação coordenada dos países da região no combate ao crime organizado. A estratégia mencionada pelo presidente está relacionada à chamada Shield of the Americas, coalizão criada pelo governo americano para ampliar a cooperação contra os cartéis. Brasil e México estão entre os países que não integram o grupo citado por Washington.
Presidente americano também falou sobre o Irã
Outro ponto central do discurso de Trump foi a guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã. O presidente americano voltou a defender sua decisão de iniciar o conflito e afirmou que Teerã teria criado obstáculos para negociações relacionadas ao fim da guerra e à reabertura do Estreito de Ormuz. Trump também voltou a dizer que o Irã não poderá desenvolver uma arma nuclear.
Trump afirmou ainda que os Estados Unidos teriam encerrado ou ajudado a encerrar oito conflitos internacionais. Entre os episódios mencionados estavam confrontos envolvendo Armênia e Azerbaijão, Camboja e Tailândia, Israel e Irã, Ruanda e República Democrática do Congo, Índia e Paquistão, Egito e Etiópia e Sérvia e Kosovo. A situação de alguns desses conflitos, porém, continua envolvendo confrontos ou disputas, segundo informações reunidas pela cobertura internacional.
O presidente americano também voltou a defender a pressão econômica sobre o Irã e afirmou que o país deveria abandonar sua busca por capacidade nuclear militar. Ao mesmo tempo, Trump indicou que ainda considera possível uma solução negociada com Teerã. Antes do discurso, Marco Rubio havia afirmado que os Estados Unidos estavam abertos a uma reunião com representantes iranianos caso houvesse perspectiva de avanço nas negociações.
Discursos de Lula e Trump tiveram mensagens diferentes
A sequência dos pronunciamentos colocou Lula e Trump diante da mesma Assembleia Geral, com posições diferentes sobre temas relacionados à soberania, segurança internacional e atuação militar. Lula defendeu o multilateralismo, criticou interferências externas e afirmou que os países latino-americanos deveriam preservar sua autonomia. Trump, por sua vez, destacou o poder econômico, tecnológico e militar dos Estados Unidos e defendeu uma atuação mais firme de Washington contra ameaças externas.
Trump também afirmou que os Estados Unidos vivem uma fase de expansão de seu poder e apresentou sua política externa como parte de uma estratégia para proteger os interesses nacionais. No caso da América Latina, o presidente associou segurança regional ao combate aos cartéis e indicou disposição para utilizar recursos militares caso considere necessário. A declaração ocorre em um momento de aumento da presença militar americana e de pressão diplomática sobre governos da região.
As falas dos dois presidentes ocorreram no mesmo dia em que a Assembleia Geral da ONU reuniu líderes de diferentes países para discutir guerras, segurança, economia e relações internacionais. Enquanto Lula enfatizou a soberania e a necessidade de soluções diplomáticas, Trump apresentou uma defesa do uso do poder americano diante de ameaças que considera estratégicas. Os discursos, assim, expuseram diferentes posições sobre o papel dos Estados Unidos e das demais nações na ordem internacional.





