Advogado disse a Vorcaro que Lula toparia novo encontro: “chamará também o Jaques”

Conteúdo extraído do celular do banqueiro Daniel Vorcaro e revelado pelo jornal O Globo nesta terça-feira, 22, traz novos detalhes sobre a reunião realizada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sinaliza tentativas de marcar um segundo encontro. O Palácio do Planalto afirma que houve apenas uma conversa oficial, mas as mensagens levantam questionamentos sobre horários e interações que não constam nos registros públicos, além de apontar articulações para uma nova audiência.
O encontro conhecido ocorreu em 4 de dezembro de 2024, mediado pelo ex-ministro Guido Mantega, com a presença do ministro Rui Costa e de Gabriel Galípolo, então diretor do Banco Central e posteriormente nomeado presidente da instituição. O Planalto confirma a reunião e esclarece que Vorcaro relatou sentir-se alvo de perseguições, ao que o presidente respondeu que eventuais denúncias deveriam ser avaliadas tecnicamente pelo BC. Segundo mensagens enviadas por Vorcaro à sua então noiva, a conversa estava prevista para iniciar às 11h e se estendeu até às 13h52 — período em que a agenda pública de Lula não registra compromissos entre as 10h e as 14h40.
Às 13h32, o advogado Walfrido Warde enviou mensagem parabenizando o banqueiro: “Soube que foi muito bom”. Em seguida, mencionou que conversaria com “o amigo” para “resolver” uma situação sem detalhar o assunto, e acrescentou com tom descontraído: “Me dizem que vocês são muito extravagantes”. Três meses antes, em 4 de setembro de 2024, Warde já havia citado um encontro “longo” com o presidente — também sem registro na agenda oficial — e projetou para Vorcaro: “Você vai gostar”, antecipando a reunião que viria a acontecer em dezembro.
Um trecho de mensagem datada de 6 de março de 2025 sugere esforços para agendar um novo encontro. Warde comunica: “O presidente disse que aceita receber o Vorcaro, mas desta vez convidará também o Jaques para participar, por causa do outro sócio”. A referência é ao senador Jaques Wagner (PT-BA), que posteriormente tornou-se alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em junho de 2026. Investigações da Polícia Federal apontam indícios de recebimento de vantagens em troca de atuação favorável ao Banco Master no Congresso.
A existência de lacunas na agenda e a menção a encontros não registrados levantam debates sobre a transparência das interações entre representantes do poder público e pessoas sob investigação. O Palácio do Planalto reafirma que não houve outras reuniões além daquela já reconhecida, e que não tem conhecimento sobre supostas articulações intermediadas por terceiros. As mensagens, porém, alimentam questionamentos sobre a amplitude e o teor dos contatos entre o governo e o grupo ligado ao Banco Master.
Cabe às autoridades competentes avaliar os elementos apresentados e esclarecer os fatos com clareza. A confiança nas instituições depende de respostas precisas e de investigações conduzidas de forma isenta, sem influência de interesses eleitorais ou políticos. A sociedade acompanha os desdobramentos na expectativa de que cada detalhe seja devidamente elucidado, garantindo que a verdade prevaleça e que as regras de conduta sejam respeitadas por todos.





