O ‘terceiro turno’ entre Lula e Flávio Bolsonaro no TSE

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno não encerrou a disputa eleitoral de 2026. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 18 ações de investigação judicial eleitoral seguem em tramitação, analisando possíveis irregularidades cometidas durante a campanha. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, o repórter Daniel Gullino classificou o cenário como uma espécie de “terceiro turno”, que pode se estender por meses ou até anos após a votação.
Judicialização atinge nível inédito na eleição
Conforme explicou Gullino, a quantidade de ações apresentadas pelos candidatos um contra o outro é a maior já registrada em uma eleição presidencial brasileira. Do total de processos, 12 foram abertos contra a campanha de Lula e seis contra a de Flávio Bolsonaro. Parte das solicitações iniciais pedia apenas a remoção de conteúdos nas redes sociais, mas as investigações agora em andamento tratam de acusações mais amplas, que exigem análise mais detalhada da Justiça Eleitoral.
O que está sendo investigado pelo TSE?
As ações cobrem diferentes frentes da campanha, incluindo estratégias de comunicação digital, eventos públicos e a atuação nas redes sociais. Entre os casos citados estão o grupo de WhatsApp conhecido como “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones, e a iniciativa correlata “Tropa do Flávio”, ambos alvos de questionamentos das campanhas adversárias. Também fazem parte dos processos episódios como o desfile de Carnaval que homenageou Lula e a participação de Flávio Bolsonaro na Festa do Peão de Barretos. Há ainda disputas sobre o comportamento de plataformas digitais: o PT alega favorecimento ao adversário por parte da Meta e do X, enquanto a campanha de Flávio questiona práticas de divulgação adotadas pelo grupo ligado a Lula. É importante destacar que todas essas acusações ainda serão analisadas e não representam fatos comprovados.
Como funcionam as investigações e quais são os possíveis desfechos?
O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva é o relator responsável pelas ações. Primeiro, ele verifica se cada pedido cumpre os requisitos legais para ser admitido. Uma vez aberta a investigação, podem ser realizadas diligências, coleta de documentos e até oitiva de testemunhas. As consequências mais graves previstas incluem a cassação de registro de candidatura ou da chapa eleita e a declaração de inelegibilidade. Gullino lembrou, porém, que decisões desse porte são excepcionais. Citou como precedentes as ações que resultaram na inelegibilidade de Jair Bolsonaro e também o caso da chapa Dilma-Temer, julgada em 2016 e absolvida por um único voto. O jornalista alertou ainda que os processos podem levar anos para ser concluídos — como exemplo, mencionou uma ação das eleições de 2022 que ainda não havia sido encerrada. Mesmo arquivadas, as investigações prolongam o desgaste político ao manter acusações em circulação por longo período.
Podem surgir novas ações antes da diplomação?
As 18 ações atuais não representam necessariamente o total definitivo. Os candidatos ainda têm prazo até a diplomação para ingressar com novos pedidos. Flávio Bolsonaro chegou a anunciar que apresentaria uma ação por suposto abuso de poder econômico e uso da máquina pública, mas até o momento da entrevista o processo não havia sido protocolado. Gullino observou que a saída do senador para os Estados Unidos pode influenciar a continuidade dessa iniciativa, sem que seja possível prever se ela será mantida ou desistida.
Processos prolongam clima de disputa pós-eleitoral
Independentemente de cada ação ser julgada procedente ou não, a existência de um volume tão expressivo de processos demonstra que a disputa eleitoral de 2026 permanecerá em pauta muito além do dia da votação. A sociedade acompanha com atenção, na expectativa de que cada caso seja analisado com isenção, dentro dos prazos possíveis e com transparência nas conclusões, sempre no intuito de fortalecer a confiança nas instituições eleitorais do país.





