EUA negam interferência nas eleições do Brasil, mas querem disputa “livre e transparente”

O governo dos Estados Unidos reafirmou nesta quarta-feira, 23, que não busca influenciar o resultado da eleição presidencial brasileira e que manterá relação institucional com qualquer governo escolhido pela população. A posição foi apresentada pela porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, em entrevista à jornalista Priscila Yazbek, da CNN Brasil, em resposta a declarações que apontam suposta interferência externa no processo eleitoral do país. Washington diz desejar apenas uma disputa livre e transparente.
“Estamos acompanhando os acontecimentos, sim, mas entendemos que o Brasil é um país soberano e independente. A escolha cabe exclusivamente aos brasileiros”, afirmou Roberson. Segundo ela, o foco da administração norte-americana está em suas próprias prioridades internas, como segurança, prosperidade e paz. Atuar de forma a intervir em processos eleitorais de outras nações, acrescentou, não faz parte da estratégia do governo. A fala vem um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordar o tema em discurso na Assembleia Geral da ONU.
Sem citar nomes, Lula declarou que o Brasil realizará eleições competitivas e transparentes e que não permitirá que agentes, internos ou externos, se posicionem contra a vontade dos eleitores. A preocupação com interferência externa tem sido mencionada pelo petista em diferentes ocasiões. Em maio deste ano, a própria porta-voz já havia dito que a decisão sobre quem comandará o Brasil pertence unicamente ao povo brasileiro. A reafirmação agora reforça a postura oficial de neutralidade.
Questionada sobre encontros recentes realizados em Washington pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro e pelo advogado Paulo Figueiredo com funcionários do Departamento de Estado, Roberson não negou que as conversas tenham ocorrido, mas se recusou a informar quais autoridades participaram. Os dois defenderam, nas reuniões, a aplicação de medidas contra ministros do Supremo Tribunal Federal, entre eles Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino, e apresentaram preocupação com possíveis interferências da Corte no processo eleitoral.
Eduardo Bolsonaro comentou posteriormente que levou às autoridades americanas a visão de que instituições brasileiras poderiam agir de forma a influenciar o pleito. A missão não teve divulgação oficial dos nomes dos interlocutores nem de detalhes sobre o teor das conversas. O silêncio sobre os participantes alimenta debates sobre a natureza e o alcance desses contatos, que ocorrem em um momento de crescente atenção internacional sobre a situação política do Brasil.
A questão da relação entre países e a conduta durante processos eleitorais alheios é tema delicado e recorrente nas relações internacionais. A soberania nacional e o respeito à decisão popular são princípios que devem guiar a conduta de todos os atores. O eleitorado brasileiro acompanha com atenção as declarações e os movimentos de dentro e fora do país, na certeza de que a palavra final sobre o futuro do Brasil será dita nas urnas. Que cada escolha seja livre, cada voto contado e o resultado respeitado por todos.





