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Campanha do PL tentou convencer Ronaldo Caiado a renunciar à candidatura para apoiar Flávio

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado decidiu manter sua candidatura à Presidência da República na reta final do primeiro turno das eleições de 2026, apesar das pressões para que retirasse seu nome da disputa e apoiasse Flávio Bolsonaro. A informação foi divulgada pelo colunista Diego Amorim, do Estado de Minas, que relatou que a campanha do candidato do PL tentou convencer Caiado a abandonar a corrida eleitoral. Segundo a publicação, a proposta incluía a possibilidade de Caiado ser anunciado como ministro de um eventual governo de Flávio.

De acordo com a apuração, a pressão aumentou nos últimos dias, quando integrantes da campanha de Flávio passaram a buscar uma concentração de votos entre candidaturas identificadas com a direita. Caiado, entretanto, teria feito chegar à cúpula da campanha adversária que não pretende desistir neste momento e que seguirá como candidato até o fim do primeiro turno. Assim, a tentativa de retirada da candidatura não produziu, até agora, uma mudança na posição anunciada pelo ex-governador.

O movimento ocorre em uma fase decisiva da eleição, já que o primeiro turno está marcado para domingo, 4 de outubro. Além disso, a candidatura de Caiado integra uma chapa que tem Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, como candidato a vice-presidente. Enquanto Caiado decidiu permanecer na disputa, Kassab, segundo a coluna, deverá manter uma posição semelhante à adotada na eleição de 2022 e não declarar voto nesta etapa.

Ronaldo Caiado é pressionado a apoiar Flávio Bolsonaro

A tentativa de atrair Caiado para a candidatura de Flávio Bolsonaro não ocorreu apenas nos últimos dias, pois o próprio Flávio já havia conversado com adversários que disputam o primeiro turno. Segundo O Tempo, o senador ligou para Caiado e Romeu Zema na semana anterior e pediu que ambos deixassem a corrida presidencial, mas os dois mantiveram suas candidaturas. Dessa maneira, a pressão relatada pelo colunista do Estado de Minas faz parte de uma movimentação que vinha sendo observada desde a reta final de setembro.

Também foram registradas articulações envolvendo a possibilidade de Caiado ocupar um ministério caso apoiasse Flávio. A CNN Brasil informou que interlocutores próximos à campanha do candidato do PL relataram conversas sobre a eventual concessão do Ministério da Segurança Pública ao ex-governador de Goiás, enquanto Pablo Marçal teria participado das tentativas de aproximação. A informação foi apresentada como parte de uma estratégia para ampliar o apoio à candidatura de Flávio ainda antes da votação de domingo.

Apesar dessas movimentações, Caiado permaneceu como candidato oficialmente na disputa presidencial. A situação também precisa ser diferenciada de eventuais negociações para um segundo turno, já que a reportagem do PlatôBR aponta que, somente depois da apuração do primeiro turno, poderá haver uma manifestação de apoio de Caiado a Flávio. Portanto, uma eventual declaração posterior de voto não significaria necessariamente uma desistência ocorrida antes da primeira votação.

Caiado mantém candidatura até o primeiro turno

A decisão de Caiado acontece em um cenário no qual a campanha de Flávio Bolsonaro buscou ampliar a concentração de votos entre candidatos adversários. A CNN Brasil havia informado anteriormente que a campanha de Caiado acompanhava uma ofensiva destinada a atrair eleitores de outros nomes da direita, incluindo o próprio ex-governador de Goiás, Romeu Zema e Augusto Cury. Segundo integrantes das campanhas ouvidos pelo veículo, publicações nas redes sociais também estimulavam eleitores dessas candidaturas a mudar seu voto.

Na reta final, Flávio passou a defender publicamente o chamado voto útil em sua candidatura. Em uma transmissão realizada após a desistência de participar do debate que seria realizado pela TV Globo, o candidato pediu que eleitores que pretendiam votar em outros concorrentes considerassem votar nele já no primeiro turno. O pedido foi direcionado especialmente aos eleitores de candidatos que também se apresentam como alternativas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Os levantamentos divulgados nos últimos dias mostram, contudo, que Caiado continuava aparecendo como candidato na corrida presidencial. Pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro registrou Caiado com 3% das intenções de voto, enquanto levantamento RealTime Big Data também apontou 3%, e a pesquisa Meio/Ideia, realizada em 30 de setembro, registrou 4,4%. Esses números são fotografias de momentos específicos da campanha e não representam resultado eleitoral nem permitem antecipar o que ocorrerá nas urnas.

Ronaldo Caiado pode decidir posição após o primeiro turno

A reportagem de Diego Amorim indica que uma eventual aproximação entre Caiado e Flávio Bolsonaro poderá ser discutida somente depois da votação do primeiro turno. Nesse cenário, o ex-governador poderia declarar apoio ao candidato que avançar para a etapa seguinte, além de negociar possíveis espaços políticos, conforme a apuração publicada pelo colunista. Trata-se, porém, de uma possibilidade relatada para o período posterior à votação, e não de uma decisão já anunciada por Caiado.

A posição de Gilberto Kassab também deverá ser acompanhada após a votação, porque ele integra a chapa presidencial de Caiado como candidato a vice e preside nacionalmente o PSD. Segundo a publicação do Estado de Minas, Kassab não deverá declarar voto, repetindo a postura adotada em 2022. Com isso, a definição de eventuais apoios no segundo turno poderá envolver decisões individuais de diferentes integrantes da chapa e do partido.

O quadro político, portanto, permanece condicionado ao resultado do primeiro turno e às decisões que serão tomadas depois da apuração. Até a data da reportagem, Ronaldo Caiado mantinha oficialmente sua candidatura e havia resistido às tentativas de retirada para apoiar Flávio Bolsonaro. Qualquer mudança posterior na posição do ex-governador deverá ser tratada como uma nova decisão política, distinta da manutenção de sua candidatura até o encerramento da primeira etapa da eleição.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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