Eleitores de Lula Flávio Bolsonaro acreditam que o candidato do PL tem chance de vencer logo no 1º turno

A possibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva ser eleito presidente da República já no primeiro turno entrou no debate eleitoral às vésperas da votação de 4 de outubro. O cenário depende da obtenção de maioria absoluta dos votos válidos, conforme as regras estabelecidas para a eleição presidencial. Dessa forma, não basta liderar a disputa, sendo necessário superar a marca de metade dos votos válidos.
De acordo com as informações divulgadas pelo Estado de Minas, a discussão ganhou espaço diante da proximidade do primeiro turno e dos resultados das pesquisas de intenção de voto. O levantamento mais recente do Datafolha, divulgado em 2 de outubro, apontou Lula com 45% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro apareceu com 40%. Os demais candidatos somaram percentuais menores, mantendo a disputa distante da marca necessária para uma definição imediata.
A pesquisa considera como votos válidos aqueles destinados diretamente aos candidatos, excluindo os votos brancos e nulos. Por esse critério, um candidato precisa alcançar mais da metade dessa base para evitar a realização de uma segunda votação. Portanto, os percentuais das pesquisas precisam ser analisados dentro da metodologia adotada para que se compreenda o que seria necessário para uma vitória no primeiro turno.
Como Lula poderia vencer no primeiro turno
Para a eleição presidencial ser definida já na primeira etapa, Lula precisaria alcançar maioria absoluta dos votos válidos no momento da apuração oficial. O Tribunal Superior Eleitoral estabelece que, para a Presidência da República, é necessária a metade mais um dos votos válidos, sem que brancos e nulos sejam incluídos nesse cálculo. Caso nenhum candidato atinja essa marca, os dois concorrentes mais votados disputam o segundo turno.
Um exemplo ajuda a entender a regra aplicada pela Justiça Eleitoral. Se fossem registrados 100 milhões de votos válidos, um candidato precisaria receber pelo menos 50 milhões de votos mais um para ser eleito na primeira votação. Os votos brancos e nulos, embora façam parte da votação registrada nas urnas, não aumentam a quantidade necessária de votos válidos para que a maioria absoluta seja alcançada.
No caso de Lula, os 45% registrados pelo Datafolha em votos válidos mostravam uma distância de cinco pontos percentuais em relação à marca de 50%. Entretanto, pesquisa eleitoral não equivale ao resultado oficial das urnas e representa o momento em que as entrevistas foram realizadas. O levantamento ouviu eleitores entre 29 de setembro e 1º de outubro, poucos dias antes da votação.
O que mostram as pesquisas sobre Lula e Flávio
O Datafolha também apresentou os números em diferentes recortes regionais, revelando uma distribuição distinta das intenções de voto entre os estados. Em Minas Gerais, Lula apareceu com 45% dos votos válidos, contra 38% de Flávio Bolsonaro, enquanto no Rio de Janeiro o candidato do PL registrou 48% e Lula teve 40%. Em São Paulo, os dois estavam praticamente empatados, com 41% para Flávio e 40% para Lula.
Outro aspecto levantado pela pesquisa foi a diferença entre os grupos religiosos. Considerando os votos totais, Lula registrou 50% entre os eleitores católicos, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 52% entre os evangélicos. Esses números não representam votos válidos nacionais, mas ajudam a mostrar como a distribuição das intenções de voto variava conforme o segmento pesquisado.
Na comparação nacional em votos válidos, Lula tinha 45% e Flávio Bolsonaro, 40%, enquanto Augusto Cury aparecia com 4%, Ronaldo Caiado com 3% e Renan Santos também com 3%. Romeu Zema, Samara Martins e Veterinário Wilson Grassi registravam 1% cada no levantamento citado. Assim, a soma dos percentuais dos adversários permanecia relevante para a definição sobre a necessidade ou não de um segundo turno.
Histórico de eleições decididas no primeiro turno
A possibilidade de Lula vencer no primeiro turno também pode ser observada a partir do histórico das eleições presidenciais realizadas desde a redemocratização. Segundo o Estado de Minas, desde 1989 somente Fernando Henrique Cardoso conseguiu ser eleito presidente sem a realização de uma segunda votação, em 1994 e novamente em 1998. O histórico demonstra que a maioria absoluta dos votos válidos não foi alcançada na primeira etapa na maior parte das eleições presidenciais realizadas desde então.
Para 2026, portanto, a definição dependeria exclusivamente da totalização dos votos válidos registrados em 4 de outubro. Se Lula ou qualquer outro candidato ultrapassasse a metade dessa quantidade, a eleição presidencial seria encerrada no primeiro turno. Caso nenhum concorrente alcançasse a maioria absoluta, os dois mais votados avançariam para a segunda etapa, conforme as regras eleitorais.





