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Flávio diz que não disputará reeleição: ‘Só preciso de um mandato’

Em transmissão ao vivo neste sábado (3), o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) fez uma declaração que pretende marcar sua postura diante do eleitorado: afirmou que não buscará reeleição caso seja vitorioso neste pleito. “Não estou preocupado com permanência no poder, tanto que sou o único candidato que, de pronto, apresentei uma Proposta de Emenda à Constituição para extinguir a reeleição. Quero apenas um mandato, e um só me basta”, declarou. A fala foi feita em meio à reta final da campanha, a um dia do primeiro turno, e busca sinalizar um compromisso com renovação e limitação do exercício do cargo.

O senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, também teceu críticas ao seu principal adversário na disputa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, o petista não teria conseguido cumprir as promessas feitas em seus governos anteriores. Flávio Bolsonaro não detalhou pontos específicos, mas ressaltou que a população merece uma nova forma de governar, baseada em compromissos claros e no efetivo cumprimento do que é apresentado durante a campanha. A comparação entre trajetórias tem sido uma marca recorrente em seus discursos nas últimas semanas.

O episódio do cancelamento do debate presidencial da TV Globo também voltou a ser tema de suas manifestações. “Eu estava muito preparado, me sentia à vontade e tinha muita vontade de participar”, recordou. Para o candidato, a decisão de não realizar o encontro decorreu de intervenções judiciais que alteraram as condições previamente acordadas. “Os ministros do Supremo acabaram com o debate”, avaliou, ao atribuir a responsabilidade pela não realização do evento a decisões proferidas nos momentos que antecederam a transmissão.

Mais cedo, durante motociata realizada em São Paulo, Flávio Bolsonaro havia criticado a atuação do Supremo Tribunal Federal de forma mais ampla. “A Corte máxima precisa deixar de funcionar como uma delegacia”, afirmou. Segundo ele, haveria membros do Tribunal que estariam agindo com propósito de favorecer a reeleição do presidente. “Lamento perceber que há quem atue de forma a interferir no processo eleitoral, tomando decisões que alteram o rumo da disputa”, completou, sem citar nominalmente quais magistrados se referia.

O candidato estendeu a crítica também ao Poder Legislativo. “O Congresso Nacional está sendo influenciado pelo governo e pelo STF”, declarou. Na avaliação dele, pautas importantes que deveriam ser discutidas com calma e após as eleições estão sendo antecipadas sob pressão externa, o que prejudicaria a qualidade dos debates e a autonomia dos parlamentares. “As grandes decisões devem ser tomadas com a casa limpa, depois que o povo escolher seus representantes”, defendeu, ao argumentar que o momento eleitoral exige serenidade e independência entre os poderes.

As declarações reforçam a linha de campanha que tem caracterizado a candidatura: a defesa de limites ao poder, de maior independência entre as instituições e de transparência nas decisões judiciais e legislativas. Ao propor o fim da reeleição e ao anunciar que não concorrerá a um segundo mandato, Flávio Bolsonaro busca se apresentar como um nome comprometido com a mudança de costumes na política, em um cenário onde a confiança nas instituições é frequentemente citada como preocupação pelos eleitores.

A um dia da votação, as falas integram o esforço final de cada candidatura para convencer o eleitorado. Cabe ao cidadão avaliar as propostas, as críticas e os compromissos apresentados por cada lado, formando sua convicção com base em fatos e em informações verificadas. O domingo trará a resposta do povo brasileiro, em manifestação livre e soberana que definirá os rumos do país pelos próximos anos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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