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Valdemar Costa Neto, presidente do PL, falou sobre a possibilidade de Jair Bolsonaro se candidatar novamente

A possibilidade de Jair Bolsonaro voltar a disputar a Presidência da República em 2030 ganhou força no discurso do presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, nesta segunda-feira, 5 de outubro de 2026. Em entrevista à CNN Brasil, o dirigente afirmou que considera o ex-presidente um “forte candidato” daqui a quatro anos e vinculou essa possibilidade diretamente a uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial deste ano. Dessa forma, uma declaração feita durante a disputa de segundo turno acabou colocando no centro do debate político brasileiro uma eventual sucessão dentro do próprio grupo bolsonarista.

Segundo Valdemar, caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente, o senador deverá trabalhar para garantir a liberdade do pai, criando, na avaliação do dirigente partidário, condições para que Jair Bolsonaro volte a participar de uma eleição presidencial. A declaração foi dada em Brasília, durante uma entrevista concedida na manhã desta segunda-feira, depois de Flávio terminar o primeiro turno na liderança da corrida pelo Palácio do Planalto. Portanto, embora a eleição de 2026 ainda esteja em andamento, o PL já passou a discutir publicamente um cenário político que teria como horizonte a disputa presidencial de 2030.

O tema ganhou relevância porque Jair Bolsonaro permanece no centro da estratégia política do PL, mesmo sem poder disputar a eleição presidencial de 2026. Ao comentar o desempenho do partido nas eleições para o Congresso, Valdemar atribuiu parte importante do crescimento da legenda ao peso político e ao carisma do ex-presidente, que continua sendo tratado pela direção partidária como uma liderança capaz de mobilizar eleitores. Além disso, o dirigente afirmou que Bolsonaro poderá contribuir para um eventual governo de Flávio, o que mostra que sua influência política não está sendo considerada encerrada pelo partido.

Presidente do PL projeta retorno de Bolsonaro à disputa presidencial

A declaração de Valdemar precisa ser analisada dentro do cenário jurídico que envolve Jair Bolsonaro, pois uma eventual candidatura em 2030 não depende apenas de uma decisão política do PL ou de uma escolha do próprio ex-presidente. Bolsonaro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2023, em decisão que estabeleceu impedimento para disputar eleições por oito anos contados a partir daquele processo. Assim, para que uma candidatura presidencial seja efetivamente registrada em 2030, será necessário que as condições jurídicas existentes naquele momento permitam sua participação no processo eleitoral.

Paralelamente, o cenário apresentado pelo presidente do PL está relacionado à própria estratégia de Flávio Bolsonaro para o segundo turno de 2026, no qual enfrenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador terminou a primeira etapa da eleição à frente, com cerca de 47% dos votos válidos, enquanto Lula ficou próximo de 45%, levando a disputa para uma nova votação marcada para 25 de outubro. Consequentemente, qualquer discussão sobre 2030 permanece condicionada, antes de tudo, ao resultado da eleição presidencial atual e à formação do próximo governo.

Além da possibilidade de uma candidatura futura, Valdemar também indicou que Jair Bolsonaro deverá exercer influência em um eventual governo comandado pelo filho, embora não esteja prevista a ocupação de um ministério. Segundo o dirigente, o ex-presidente deverá participar das decisões e apresentar opiniões, enquanto uma equipe considerada qualificada ficaria responsável pela administração federal. Desse modo, o cenário descrito pelo presidente do PL aponta para uma participação política relevante de Bolsonaro mesmo que sua atuação institucional seja organizada de outra maneira.

Bolsonaro, Flávio e a força política do PL

O resultado das eleições legislativas de 2026 também ajuda a explicar por que as declarações sobre o futuro de Jair Bolsonaro passaram a receber tanta atenção dentro do partido. O PL ampliou sua presença no Congresso e passou a ter a maior bancada da Câmara, enquanto também conquistou a maior representação no Senado, com 28 parlamentares na composição prevista para 2027. Portanto, a legenda chegará à próxima legislatura com uma estrutura parlamentar significativamente maior, o que poderá ampliar sua capacidade de articulação política.

Nesse contexto, a família Bolsonaro mantém uma presença relevante em diferentes frentes da política nacional, com Flávio disputando a Presidência e Michelle Bolsonaro eleita para o Senado pelo Distrito Federal. Valdemar destacou, inclusive, a atuação de Michelle durante a campanha e afirmou que ela deverá exercer papel importante na nova composição do Senado. Ao mesmo tempo, o dirigente partidário indicou que o PL pretende disputar espaços estratégicos no Congresso, inclusive a presidência do Senado, o que demonstra que a estratégia da legenda vai além da eleição presidencial.

Outro elemento importante é que a eventual candidatura de Bolsonaro em 2030 não está sendo apresentada pelo presidente do PL apenas como uma hipótese distante e abstrata, mas como uma possibilidade política que dependeria de uma combinação entre fatores eleitorais e jurídicos. A eventual vitória de Flávio poderia fortalecer ainda mais o grupo político e permitir que Jair Bolsonaro permanecesse como uma referência dentro do governo e do partido. Entretanto, o cenário eleitoral de 2030 ainda será influenciado por acontecimentos que sequer começaram a ser definidos, incluindo decisões judiciais, desempenho de governos, alianças partidárias e mudanças na preferência dos eleitores.

O que a fala de Valdemar representa para 2030

A declaração de Valdemar Costa Neto, portanto, funciona também como uma sinalização sobre a estratégia de longo prazo do Partido Liberal. Ao defender que Jair Bolsonaro pode voltar a ser candidato, o presidente da legenda demonstra que o partido pretende preservar o ex-presidente como uma liderança central mesmo diante das mudanças provocadas pelas eleições de 2026. Ao mesmo tempo, a possibilidade de Flávio Bolsonaro assumir a Presidência criaria uma nova configuração para o grupo político, com o filho ocupando o principal cargo do Executivo e o pai mantendo influência sobre sua base eleitoral.

Por enquanto, contudo, uma candidatura de Jair Bolsonaro em 2030 deve ser tratada como uma possibilidade política projetada pelo presidente do PL, e não como uma candidatura oficialmente definida ou juridicamente garantida. A declaração ocorre em um momento de forte disputa eleitoral e está diretamente ligada à possibilidade de Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno contra Lula, cenário que ainda precisa ser decidido pelos eleitores em 25 de outubro. Assim, o futuro de Bolsonaro na política brasileira continua aberto, mas a fala de Valdemar mostra que, dentro do PL, a hipótese de uma nova disputa presidencial em 2030 já está sendo colocada publicamente sobre a mesa.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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