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Após se alinhar à direita, Centrão já planeja a reforma do Judiciário

O Centrão passou a se aproximar de pautas defendidas pela direita no debate sobre o Supremo Tribunal Federal, incluindo a possibilidade de impeachment de ao menos um ministro da Corte. A mudança ganhou força depois das eleições de 2026, que produziram uma composição do Senado mais alinhada ao campo conservador e ampliaram a pressão sobre o Judiciário. Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, o novo cenário também abriu espaço para propostas de reforma do Judiciário na próxima legislatura.

A movimentação ocorre em um momento no qual o afastamento de ministros do STF passou a ocupar posição relevante na agenda de parlamentares ligados ao bolsonarismo. Para que um ministro seja condenado em um processo de impeachment no Senado, são necessários 54 votos, equivalentes a dois terços das 81 cadeiras da Casa. O novo Congresso ainda não atingiu esse número de forma consolidada, mas a aproximação de setores do Centrão reduziu a distância entre a direita e o quórum exigido.

O principal alvo das críticas da direita continua sendo Alexandre de Moraes, ministro que relatou o processo relacionado à tentativa de golpe de Estado e participou do julgamento que resultou na condenação de Jair Bolsonaro. A defesa do impeachment, porém, não ficou restrita ao grupo mais próximo da família Bolsonaro e passou a encontrar apoio entre parlamentares de centro-direita. Com isso, a discussão sobre o STF deverá permanecer entre os assuntos de maior relevância política na formação da próxima legislatura.

Centrão amplia aproximação com a direita no Senado

O resultado das urnas alterou a correlação de forças dentro do Senado, onde serão ocupadas 54 das 81 cadeiras a partir de 2027. O levantamento da Folha identificou pelo menos 51 senadores favoráveis à abertura de processos de impeachment contra ministros do STF, ainda que alguns tenham feito ressalvas sobre a medida. O número fica três votos abaixo dos 54 necessários para que um afastamento seja aprovado.

A mudança é relevante porque boa parte das cadeiras que estavam em disputa pertencia anteriormente a partidos do Centrão, grupo que tradicionalmente negocia apoio conforme as circunstâncias políticas e a composição dos governos. Agora, parte desses parlamentares passou a adotar posições mais próximas das defendidas pela direita, especialmente em relação ao funcionamento do Supremo. A tendência deverá aumentar a pressão sobre a presidência do Senado para dar andamento a pedidos de impeachment que permanecem pendentes.

A aproximação também envolve a sucessão na presidência do Senado, cargo que exige 41 votos para ser conquistado. O grupo ligado a Flávio Bolsonaro busca eleger um presidente da Casa alinhado ao conservadorismo e favorável à tramitação dos pedidos contra ministros do STF, enquanto setores do Centrão ainda discutem seus próprios interesses para a próxima legislatura. Nesse contexto, a definição do comando do Senado poderá influenciar diretamente o tratamento que será dado às representações contra integrantes da Corte.

Reforma do Judiciário entra na agenda do próximo Congresso

Além do impeachment, parlamentares de direita e setores do Centrão passaram a defender mudanças estruturais na organização do Judiciário. Entre as ideias mencionadas estão a criação de idade mínima para ministros do Supremo, o estabelecimento de mandatos e a definição de limites para a atuação penal da Corte. Essas propostas ainda dependem de discussão legislativa e não representam uma decisão já aprovada pelo Congresso.

A discussão ganhou força depois de uma eleição que ampliou a presença de partidos de direita no Legislativo. No Senado, o PL deverá ocupar a maior bancada, enquanto outras legendas conservadoras e de centro-direita também conquistaram espaço, criando um ambiente no qual propostas de mudança institucional poderão reunir apoios diferentes dos tradicionais blocos governistas. A nova configuração, portanto, deverá obrigar o próximo governo a negociar com uma Casa mais inclinada a pautas defendidas pela direita.

A relação entre o Congresso e o Supremo também passou a ser observada pelos próprios ministros da Corte. Segundo apuração da CNN Brasil, integrantes do STF avaliam que o novo cenário parlamentar poderá dificultar o bloqueio da tramitação de pedidos de impeachment a partir de 2027, enquanto uma ala da Corte defende a busca de diálogo com setores do bolsonarismo. O movimento ocorre enquanto a eleição presidencial ainda está em disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Impeachment de ministros do STF ganha força política

A defesa do impeachment de ministros do Supremo já vinha sendo utilizada como bandeira eleitoral pela direita antes das eleições, mas o resultado das urnas modificou as condições políticas para o debate. Em agosto, Gilmar Mendes havia afirmado que a proposta enfrentaria dificuldades institucionais para avançar, mesmo reconhecendo que o tema possuía apelo eleitoral. Agora, com a nova composição do Senado, a possibilidade passou a ser discutida também por setores que tradicionalmente atuam como centro de negociação política.

Apesar do avanço, a aprovação de um impeachment ainda exigiria a formação de uma maioria de 54 senadores e o cumprimento das etapas previstas para esse tipo de processo. O levantamento da Folha mostra que 51 parlamentares já demonstraram apoio à abertura de processos, mas parte deles apresenta ressalvas, o que impede que o número seja tratado automaticamente como uma maioria favorável à condenação. A diferença entre defender a abertura de uma investigação e votar pela perda do cargo também deverá ser considerada durante a próxima legislatura.

O cenário coloca o STF e o Congresso diante de uma nova etapa de disputa institucional, enquanto as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro também tentam estabelecer suas relações com o Legislativo eleito. A definição da Presidência do Senado, as alianças formadas pelo Centrão e o resultado do segundo turno poderão influenciar o encaminhamento das propostas relacionadas ao Supremo. Assim, a aproximação do Centrão com a direita deverá continuar sendo acompanhada como um dos principais movimentos políticos para a formação do Congresso que assumirá em 2027.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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