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Quais as chances de Lula obter virada histórica no 2° turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia o segundo turno em posição que nenhum candidato à reeleição ocupou desde a redemocratização: vem em segundo lugar, com 2,2 milhões de votos a menos que o senador Flávio Bolsonaro (PL) — diferença de apenas 1,9 ponto percentual. É a menor margem entre os dois mais votados desde 1989, quando o Brasil voltou a ter eleições presidenciais diretas. A proximidade numérica alimenta esperanças, mas a tarefa é inédita: nunca houve, na história pós-1988, uma virada de quem ficou em segundo no primeiro turno para vencer na etapa decisiva.

“Embora não exista precedente de reversão nesse sentido, também nunca houve uma diferença tão pequena entre os dois principais candidatos ao fim da primeira etapa”, observa o cientista político Leonardo Martins Barbosa, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). O dado ressalta o caráter inédito da disputa: o cenário não repete nenhuma eleição anterior, o que torna previsões ainda mais complexas. A distância de menos de dois pontos é, ao mesmo tempo, sinal de proximidade e de que qualquer movimento pode definir o resultado no dia 25 de outubro.

Especialistas ouvidos pela reportagem classificam a missão como de difícil execução, mas não impossível. “É uma tarefa improvável, sim. Mas não se pode descartar”, destaca Creomar de Souza, professor da Fundação Dom Cabral. O curto prazo — menos de 20 dias entre os dois turnos — é o principal obstáculo. É preciso alcançar eleitores que não foram atraídos até aqui ou que se afastaram nos últimos meses, em um intervalo de tempo muito reduzido para alterar percepções consolidadas.

A abstenção recorde, com 33,4 milhões de eleitores ausentes — equivalente a 21,08% do total — aparece como uma das variáveis que podem influenciar o resultado. Para Souza, o grande número de pessoas que não compareceu traz uma possibilidade de crescimento, mas não é um estoque garantido para nenhum dos lados. “Ambos podem buscar esses votos. Não pertencem a ninguém”, alerta. Já Luciana Fernandes Veiga, da Unirio e da FGV, pondera que a abstenção tem raízes históricas e dificilmente cairá de forma expressiva: em 2022, a queda entre o primeiro e o segundo turno foi de menos de meio ponto percentual.

A dinâmica de apoios vindos de candidatos eliminados também não favorece a campanha petista. Enquanto Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) declararam apoio a Flávio Bolsonaro, Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) anunciaram neutralidade. A ausência de adesões formais ao lado de Lula pode ser interpretada como sinal de fragmentação, mas também permite argumentar que o adversário não conseguiu unir todo o espectro de oposição. “Isso possibilita dizer: ‘se Flávio fosse a liderança natural da direita, todos estariam com ele’”, observa Souza.

Veiga, porém, adverte que o eleitorado dos candidatos que ficaram em terceiro e quarto lugares tende a migrar para Flávio no segundo turno por afinidade de valores. “Muitos já tinham isso em mente desde o primeiro turno: votar em quem os representa melhor agora, e no segundo escolher quem mais se aproxima”, explica. Além disso, a analista lembra que a vantagem de Flávio vai além dos votos presidenciais: o PL elegeu 121 deputados federais e 19 senadores, demonstrando crescimento estrutural que vai além da disputa individual.

O cargo de presidente, por outro lado, confere a Lula visibilidade, agenda e capacidade de diálogo com a população que nenhum adversário tem. Em 2022, Jair Bolsonaro conseguiu reduzir de forma significativa a diferença justamente ao longo do segundo turno, aproveitando a mesma condição. O tempo é curto, os recursos são muitos e o eleitorado está dividido de maneira acentuada. O que se vê agora é uma corrida contra o relógio, em que cada dia, cada encontro e cada mensagem podem fazer a diferença. O dia 25 de outubro trará a resposta do povo brasileiro, e a certeza é de que nenhum detalhe será pequeno demais neste desfecho.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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