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Janja tem sido muito criticada dentro do PT, assim como o presidente do partido, Edinho Silva

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo turno passou por uma importante mudança de estratégia após o resultado da primeira etapa da eleição presidencial de 2026. Em meio à pressão interna, três novos nomes foram chamados para dividir funções que estavam concentradas na coordenação comandada pelo presidente do PT, Edinho Silva. Paralelamente, porém, um dos principais focos de insatisfação entre dirigentes petistas passou a ser a participação da primeira-dama Janja nos palanques e nos bastidores da campanha.

Segundo a coluna de Tatiana Farah, do UOL, Janja aparece como o segundo principal alvo das críticas dentro do grupo político, atrás apenas de Edinho Silva. A insatisfação ganhou força depois de avaliações de dirigentes de que a primeira-dama estaria ocupando um espaço considerado excessivo na campanha, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin teria recebido menos visibilidade do que poderia. A ex-ministra e coordenadora da campanha no Tocantins, Kátia Abreu, chegou a defender internamente uma participação maior de Alckmin e uma redução do protagonismo de Janja.

As críticas também estão relacionadas a episódios específicos protagonizados por Janja durante a campanha, principalmente depois do confronto verbal com o deputado federal Nikolas Ferreira. A primeira-dama chamou o parlamentar mineiro de “piá de bosta”, expressão que passou a ser apontada por integrantes da campanha como um episódio com possível impacto eleitoral negativo para o grupo de Lula. Além disso, dirigentes demonstraram incômodo com a participação de Janja em comícios e até com o fato de ela ter cantado um jingle de teor evangélico durante eventos políticos.

Lula mantém Janja na campanha apesar das críticas internas

Apesar das críticas, Lula não demonstrou disposição para retirar Janja da campanha eleitoral do segundo turno. Conforme relatado por Tatiana Farah, o presidente teria inclusive pedido desculpas à primeira-dama por não ter aceitado anteriormente a ideia de produzir vídeos em formato de selfie para as redes sociais. A iniciativa, portanto, passou a ser incorporada à comunicação digital da candidatura, embora também tivesse sido defendida pela equipe de marketing e por parlamentares mais jovens.

A posição de Lula coloca a questão de Janja no centro de uma discussão mais ampla sobre a comunicação da campanha. De um lado, dirigentes criticam a exposição da primeira-dama e avaliam que determinadas declarações podem criar dificuldades políticas; de outro, o presidente mantém seu apoio à participação dela e atribui importância à presença nas atividades eleitorais. Dessa forma, a possibilidade de redução do espaço de Janja chegou a ser discutida internamente, mas não foi transformada em uma decisão de afastamento.

Kátia Abreu foi uma das vozes que tornaram essa insatisfação mais explícita dentro da própria campanha de Lula. A ex-senadora afirmou que Janja estaria ocupando mais espaço do que Alckmin e defendeu que o vice-presidente tivesse maior visibilidade, especialmente por sua atuação relacionada à economia. Segundo Kátia, a manifestação não teria caráter pessoal contra a primeira-dama, mas estaria relacionada à estratégia eleitoral e à avaliação sobre quais integrantes deveriam receber maior exposição durante o segundo turno.

Lula convoca três coordenadores e reorganiza a campanha

Enquanto o debate sobre Janja continua, Lula promoveu uma alteração significativa na estrutura da campanha. O ex-ministro Camilo Santana foi chamado para assumir a coordenação política, o também ex-ministro Rui Costa passou a cuidar da agenda e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, foi incorporado à área de comunicação. Na prática, a entrada dos três nomes reduz a concentração de poder de Edinho Silva, que havia comandado a estrutura durante o primeiro turno.

A mudança ocorreu depois de Lula fazer uma avaliação bastante crítica sobre a condução da campanha anterior. Em reunião com deputados, o presidente afirmou que aquela havia sido a campanha mais desorganizada de que participou desde 1989 e disse que o desempenho havia ficado abaixo de suas possibilidades. A declaração acabou sendo transmitida pelo canal do PT no YouTube antes de a transmissão ser interrompida, aumentando a repercussão sobre a crise interna.

Além da reorganização administrativa, a campanha passou a modificar a forma de comunicação utilizada por Lula. O candidato começou a gravar vídeos em estilo selfie para ampliar sua presença nas redes sociais, enquanto parlamentares mais jovens cobraram uma comunicação considerada mais adequada ao ambiente digital. Ao mesmo tempo, Lula passou a participar de maneira mais direta das reuniões internas, aumentou as críticas a Flávio Bolsonaro e passou a priorizar temas como segurança pública e o fim da escala 6×1.

Críticas a Janja entram no debate sobre os rumos do segundo turno

As críticas a Janja, portanto, fazem parte de uma crise mais ampla dentro da campanha de Lula após o primeiro turno. Além da primeira-dama e de Edinho Silva, o próprio presidente passou a ser alvo de avaliações negativas feitas reservadamente por dirigentes, que consideraram que ele teria iniciado a disputa com excesso de confiança e subestimado o adversário. Segundo a coluna, também houve divergências sobre a decisão de concentrar a propaganda no legado de Lula, em vez de apresentar propostas voltadas ao futuro.

Nesse cenário, a permanência de Janja nos eventos eleitorais deverá continuar sendo observada dentro e fora da campanha. Embora parte dos dirigentes defenda uma mudança na distribuição de espaço entre a primeira-dama e outras lideranças, Lula mantém a participação dela e passou a adotar também uma estratégia digital que havia sido defendida por Janja. Assim, a campanha entra no segundo turno com uma nova estrutura de coordenação, mas sem abandonar completamente o modelo de participação da primeira-dama que provocou críticas internas.

A reorganização mostra que o resultado do primeiro turno provocou mudanças não apenas na estrutura da campanha, mas também na maneira como os principais integrantes do grupo político passaram a avaliar seus próprios papéis. As críticas a Janja, especialmente por causa do episódio envolvendo Nikolas Ferreira e de sua presença nos palanques, passaram a ocupar espaço relevante nas discussões internas, embora Lula tenha decidido preservar sua participação. Paralelamente, novos coordenadores foram chamados, Alckmin deverá ganhar maior visibilidade e a comunicação digital passou a receber atenção maior na tentativa de reformular a campanha para a segunda etapa da eleição.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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