Flávio ataca Moraes por ordem contra Eduardo: “Não vai dar em nada”

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) se pronunciou nesta quinta-feira (8/10) sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou o início do cumprimento da pena de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Em transmissão ao vivo, Flávio classificou a medida como “completamente inócua” e afirmou que a ordem de prisão “não vai dar em nada”, já que o ex-parlamentar reside nos Estados Unidos. Segundo ele, a decisão teria como objetivo principal gerar repercussão durante a campanha do segundo turno.
“Apenas para criar um fato noticioso em plena campanha eleitoral”, declarou o candidato, ao avaliar o momento em que a decisão foi divulgada. Flávio Bolsonaro sustentou que a medida não terá efeito prático imediato diante da residência de Eduardo no exterior, e repetiu o pedido público para que o ministro Alexandre de Moraes deixe o cargo. A reação ocorre horas após a Corte oficializar o início da execução da pena de quatro anos e dois meses de reclusão, aplicada ao ex-deputado pelo crime de coação no curso do processo.
Flávio também tratou da atuação de seu irmão nos Estados Unidos, negando que ele tenha sido responsável pelas sanções aplicadas anteriormente pelo governo norte-americano ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo o candidato, Eduardo apenas compartilhou informações com autoridades estrangeiras e que as medidas adotadas partiram de avaliação própria do governo dos Estados Unidos. “É uma lei americana. O Alexandre de Moraes descumpriu, é um violador de direitos humanos internacional”, afirmou, ao comentar a Lei Magnitsky, que serve de base para restrições econômicas e de viagem impostas por aquele país.
É importante esclarecer que o governo dos Estados Unidos incluiu o nome de Moraes em uma lista de pessoas com restrições em julho de 2025, mas retirou a designação no final daquele mesmo ano. Já a condenação pelo Supremo Tribunal Federal levou em conta que Eduardo Bolsonaro, ao se pronunciar no exterior, teria buscado interferir em processos judiciais em curso no Brasil, pressionando integrantes da Corte em casos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O entendimento da maioria da Primeira Turma foi de que essas ações configuraram tentativa de influenciar o desfecho de julgamentos.
O candidato também vinculou o resultado das últimas eleições ao descontentamento do eleitorado com decisões do ministro. Para ele, a renovação observada no Senado reflete, entre outros fatores, uma reação da população diante de medidas adotadas pelo Poder Judiciário. “O Senado vai proteger o Supremo de você”, afirmou, ao sinalizar que a nova composição da Casa deve exercer papel de acompanhamento e controle sobre as instituições e seus integrantes. A afirmação faz parte de um debate mais amplo sobre a relação entre os Poderes e a forma como a sociedade avalia o desempenho de cada um deles.
Flávio Bolsonaro encerrou sua manifestação renovando críticas pessoais ao ministro e pedindo que ele se afaste voluntariamente da Corte. “Renuncie, Alexandre de Moraes, e responda na Justiça pelos seus atos”, declarou. Cabe ressaltar que o ministro exerce mandato vitalício assegurado pela Constituição, e qualquer processo de afastamento segue rito próprio que depende de decisão do Senado Federal ou de processo administrativo disciplinar interno à Corte, não havendo previsão legal para que um ministro seja destituído por pedido de autoridade de outro Poder.
A disputa eleitoral segue em curso e os desdobramentos judiciais também. As manifestações dos candidatos fazem parte do debate democrático, mas é fundamental que cada cidadão acompanhe os fatos por diferentes fontes. As decisões do Judiciário devem ser analisadas com base em documentos oficiais, e os recursos cabíveis tramitam nos foros competentes. Que os próximos dias sejam de respeito entre os Poderes e foco nas propostas que realmente importam ao futuro do Brasil.





