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Após ação da PF, distribuidora suspende lançamento de filme sobre Bolsonaro

A distribuidora Europa Filmes decidiu suspender a definição de data de estreia de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida foi anunciada pelo diretor-geral da empresa, Wilson Feitosa, na última sexta-feira, 11, um dia após a Polícia Federal deflagrar a Operação Make Up, que apura suspeitas ligadas ao financiamento da produção. Em comunicado, a empresa explicou que aguardará o desenrolar das apurações para evitar que eventuais desdobramentos judiciais interfiram na exibição do longa.

A Operação Make Up foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que atua como roteirista e produtor-executivo do filme, e a empresária Karina Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment. A investigação levanta indícios de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em processos licitatórios, com movimentações que somam centenas de milhões de reais.

Segundo a apuração, Mário Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares, no exercício de 2024, ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama. A Polícia Federal identificou fluxos financeiros que conectam o parlamentar, entidades beneficiadas pelas verbas, empresas contratadas e a própria Go Up Entertainment. É importante destacar que, até o momento, a investigação não confirma que recursos das emendas tenham sido efetivamente aplicados na produção de Dark Horse. O trabalho segue para esclarecer a origem, o percurso e a destinação dos valores. Frias nega qualquer irregularidade.

Mesmo antes da operação, a Europa Filmes já adotava postura cautelosa. Em julho, Wilson Feitosa havia declarado que não considerava oportuno lançar o filme durante o período eleitoral, e nenhuma data oficial havia sido divulgada. Agora, a empresa acrescenta um novo critério: a liberação do lançamento dependerá também da ausência de impedimentos decorrentes dos processos em curso. A estratégia busca resguardar tanto a obra quanto a distribuidora de eventuais desdobramentos que possam comprometer a exibição.

O caso ganha ainda mais complexidade por tramitar também em outra frente no Supremo Tribunal Federal. O ministro André Mendonça conduz investigação paralela sobre o financiamento do filme, derivada dos desdobramentos do Caso Banco Master. Essa linha de apuração alcança o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou de tratativas para a captação de recursos privados destinados ao projeto. A existência de duas frentes investigativas reforça a atenção com que a sociedade acompanha o tema.

A combinação de investigações em andamento, nomes ligados à política e o contexto eleitoral confere ao caso dimensão que transcende o campo cultural. O adiamento da estreia reflete a cautela necessária num cenário em que informações ainda estão sendo reunidas e analisadas. O que se espera é que as apurações avancem com clareza e celeridade, permitindo que a verdade seja estabelecida e que a obra, se estiver em condições legais de chegar ao público, possa ser exibida sem obstáculos. O destino de Dark Horse permanece, portanto, atrelado ao que for descoberto e decidido nas próximas semanas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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