Os candidatos à presidência estão reforçando a campanha também nas redes sociais

O senador Flávio Bolsonaro (PL) ganhou aproximadamente 1,74 milhão de novos seguidores nas redes sociais entre o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, realizado em 4 de outubro, e a quinta-feira (8). No mesmo período, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou cerca de 958,4 mil novos seguidores, segundo levantamento da agência de dados Bites divulgado pela CNN Brasil. Os números mostram que o crescimento da audiência digital de Flávio foi superior ao de Lula nos dias seguintes à votação, quando os dois candidatos passaram a concentrar as atenções na disputa pelo segundo turno.
A diferença no crescimento das redes sociais ocorre depois de uma primeira etapa eleitoral marcada pela disputa entre os dois candidatos e pela necessidade de ampliar o apoio para a votação decisiva. Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, resultado que levou ambos à segunda etapa da eleição presidencial. Nesse cenário, a expansão dos perfis digitais passou a representar mais um indicador observado pelas campanhas, que utilizam as plataformas para divulgar propostas, responder aos adversários e mobilizar eleitores.
Entretanto, o aumento do número de seguidores não significa necessariamente que todos os novos usuários sejam eleitores ou que pretendam votar no candidato acompanhado. A dinâmica das redes sociais também é influenciada pela repercussão de declarações, pela circulação de vídeos, pela atuação de apoiadores e pelo interesse despertado pelo resultado eleitoral. Dessa forma, os dados ajudam a compreender o alcance digital dos candidatos, mas precisam ser analisados em conjunto com outros indicadores, como o volume de interações, a frequência de publicações e as pesquisas de intenção de voto.
Flávio Bolsonaro amplia vantagem no crescimento das redes sociais
O levantamento da agência Bites identificou diferenças importantes entre as plataformas utilizadas pelos dois candidatos. No Instagram, Flávio Bolsonaro ganhou aproximadamente 1,16 milhão de seguidores, enquanto Lula acrescentou cerca de 651,4 mil ao seu perfil. No Facebook, a diferença também favoreceu o senador, que conquistou aproximadamente 445,3 mil seguidores, diante de 171,3 mil registrados pelo presidente no mesmo intervalo.
No YouTube, Flávio ganhou cerca de 80 mil inscritos, enquanto Lula obteve aproximadamente 30 mil novos inscritos. Já no TikTok, o resultado foi diferente, pois o presidente conquistou cerca de 105,7 mil seguidores, quase o dobro dos 55,7 mil registrados pelo senador. Os números indicam que o crescimento não ocorreu de maneira uniforme e que o desempenho de cada candidato variou conforme as características e o público de cada plataforma.
O resultado reforça a importância das redes sociais na estratégia eleitoral, especialmente durante o período entre os dois turnos. Por meio desses canais, os candidatos conseguem divulgar discursos, apresentar propostas, responder a críticas e compartilhar conteúdos que podem alcançar pessoas fora dos eventos presenciais. Além disso, a circulação de publicações por apoiadores e páginas independentes pode ampliar a exposição dos candidatos, embora não seja possível atribuir todo o crescimento registrado a uma única estratégia de comunicação.
Lula mantém mais interações apesar do crescimento menor
Apesar de ter conquistado menos seguidores no período analisado, Lula registrou um volume maior de interações nas redes sociais. Segundo os dados divulgados pela CNN Brasil, o presidente acumulou aproximadamente 21 milhões de interações entre 4 e 8 de outubro, enquanto Flávio Bolsonaro somou cerca de 9,2 milhões. A diferença mostra que o número de novos seguidores e a quantidade de interações representam indicadores distintos de desempenho digital.
Outro dado relevante diz respeito à frequência de publicações dos candidatos durante o mesmo intervalo. Lula publicou 127 conteúdos, enquanto Flávio divulgou 26, o que significa que o presidente publicou quase cinco vezes mais. Mesmo com uma quantidade menor de postagens, o senador teve três das cinco publicações com maior número de interações no período, demonstrando que alguns conteúdos específicos também alcançaram repercussão expressiva.
Esses resultados indicam que a presença digital de uma campanha não pode ser avaliada apenas pelo número de seguidores conquistados. A frequência das publicações, o alcance dos vídeos, a capacidade de provocar comentários e compartilhamentos e o interesse despertado pelos temas também influenciam os resultados. Além disso, uma publicação pode alcançar um grande número de pessoas sem necessariamente produzir apoio eleitoral, o que exige cautela na interpretação dos indicadores.
Redes sociais ganham importância na disputa do segundo turno
O crescimento dos perfis de Flávio Bolsonaro e Lula ocorre em um momento no qual as duas campanhas procuram ampliar sua comunicação com os eleitores. Depois do primeiro turno, os candidatos passaram a disputar o apoio de pessoas que votaram em outros concorrentes, além de tentar mobilizar os próprios eleitores para a votação decisiva. Nesse contexto, as redes sociais funcionam como canais de divulgação de propostas, articulação política e resposta às mensagens dos adversários.
A expansão da audiência digital de Flávio, portanto, representa um dado relevante sobre a repercussão de sua candidatura após o primeiro turno, enquanto o volume de interações de Lula revela outra dimensão da atividade nas plataformas. Nenhum desses números, isoladamente, permite determinar quantos seguidores votarão em cada candidato ou antecipar o resultado das urnas. A disputa presidencial continuará sendo definida pelos votos válidos no segundo turno, marcado para 25 de outubro, enquanto as campanhas seguem utilizando diferentes estratégias para alcançar o eleitorado.





