No primeiro turno, Lula teve mais votos que Flávio em presídios, mas no geral, o petista ficou atrás do senador

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 72,6% dos votos válidos registrados em seções eleitorais instaladas em presídios e unidades socioeducativas no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL), que também disputou a Presidência da República, obteve 23,3% nesse mesmo levantamento, conforme dados divulgados pelo Poder360 a partir dos boletins de urna e de informações da Justiça Eleitoral. A apuração reuniu resultados de 243 seções eleitorais identificadas em estabelecimentos prisionais e locais destinados a adolescentes internados, oferecendo um recorte específico da votação presidencial no país.
Segundo os números publicados, Lula contabilizou 8.118 votos entre os 11.190 votos válidos considerados no levantamento, enquanto Flávio recebeu 2.605 votos. A diferença entre os dois candidatos nesse universo foi de 5.513 votos, com o petista concentrando a maior parte dos votos válidos apurados nas seções analisadas. Os percentuais representam os resultados desse grupo específico de locais de votação e não devem ser confundidos com o desempenho dos candidatos no conjunto do eleitorado brasileiro.
A análise também identificou votos destinados a outros concorrentes, entre eles Augusto Cury (Avante), que registrou 1,58%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 1,50%. Os dados foram distribuídos por 24 unidades da Federação e incluíram estabelecimentos de diferentes características, como penitenciárias, cadeias públicas, centros de detenção provisória e unidades socioeducativas. Para compreender os resultados, é necessário considerar que as seções instaladas nesses locais podem reunir pessoas com diferentes condições eleitorais, incluindo presos provisórios, adolescentes aptos a votar e servidores autorizados.
Lula liderou em 218 das 243 seções eleitorais
Além da soma geral dos votos, o levantamento do Poder360 examinou qual candidato recebeu a maior votação em cada uma das 243 seções identificadas. Lula terminou na primeira posição em 218 delas, enquanto Flávio Bolsonaro foi o mais votado em 24 seções, e Ronaldo Caiado liderou em uma urna localizada em Goianésia, em Goiás. A distribuição mostra que o resultado agregado foi acompanhado por uma predominância de vitórias do candidato petista na maioria dos locais considerados.
Em São Paulo, que concentrou 61 das seções analisadas, Lula foi o candidato mais votado em 55, enquanto Flávio liderou em seis. Na Bahia, o petista venceu em 18 seções, e o senador do PL ficou à frente em uma delas, segundo os dados publicados. No Rio Grande do Sul, Lula liderou nas 17 seções incluídas no levantamento, enquanto no Maranhão o candidato também ficou em primeiro lugar nas 16 seções examinadas.
Esses resultados estaduais permitem observar diferenças na distribuição dos votos entre os estabelecimentos pesquisados, sem atribuir um comportamento único a todas as pessoas privadas de liberdade. A votação de cada seção depende da quantidade de eleitores habilitados, da participação registrada e dos votos destinados a cada candidatura naquele local. Por isso, os percentuais nacionais do levantamento devem ser lidos em conjunto com os resultados específicos das urnas, que revelam variações entre cidades, estados e unidades prisionais.
Resultados em presídios de diferentes estados
Entre os exemplos apresentados pelo levantamento está o Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, onde Lula recebeu 74 votos e Flávio Bolsonaro contabilizou 70. Na Penitenciária Feminina 2 de Tremembé, em São Paulo, o petista obteve 59 votos, enquanto o senador recebeu cinco, conforme os dados divulgados. Já na Penitenciária 2 de Potim, também no estado paulista, Flávio registrou oito votos, um a mais que Lula, que recebeu sete.
No Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, Lula somou 280 votos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 21. Os números mostram que a proporção de votos destinados aos dois candidatos variou significativamente de um estabelecimento para outro, mesmo dentro do conjunto de seções incluídas na apuração. A divulgação desses exemplos permite visualizar como os resultados totais foram formados a partir de urnas com quantidades distintas de votos e distribuições locais diferentes.
A interpretação dos dados também exige atenção às regras eleitorais aplicáveis aos estabelecimentos prisionais. Presos provisórios, que ainda não têm condenação criminal definitiva, podem votar, assim como adolescentes internados que atendam aos requisitos legais, enquanto pessoas com direitos políticos suspensos não podem exercer o voto. Além disso, servidores e outros eleitores autorizados podem utilizar seções instaladas nesses locais, de modo que os resultados não correspondem necessariamente apenas aos votos de pessoas presas.
Como o levantamento foi realizado
O Poder360 utilizou informações do Tribunal Superior Eleitoral sobre locais de votação e cruzou esses registros com os boletins de urna da eleição presidencial de 2026. Das 245 seções inicialmente identificadas, foi possível separar os resultados de 243, pois os dados de outras duas estavam agregados a seções diferentes. A metodologia permitiu reunir os votos válidos considerados na análise e calcular a distribuição percentual entre os candidatos incluídos no levantamento.
Os números divulgados constituem um retrato eleitoral delimitado pelos locais selecionados, pela identificação das seções e pelos resultados efetivamente registrados nas urnas. Eles permitem conhecer a votação de Lula, Flávio Bolsonaro e dos demais candidatos nesse recorte, mas não explicam, por si só, os motivos que levaram cada eleitor a escolher determinada candidatura. A principal informação do levantamento é que Lula obteve 72,6% dos votos válidos analisados, contra 23,3% de Flávio Bolsonaro, enquanto a distribuição por seção mostrou a liderança do petista em 218 dos 243 locais considerados.





